DESSALINIZAÇÃO
De deserto a oásis: como países têm salvado pessoas com a água do mar
Brasil registrou um aumento de 189% na quantidade de água do mar dessalinizada


Em regiões marcadas pela rigidez do solo, pela resiliência solar que ultrapassa 45 °C, e pela ausência de chuvas regulares, um milagre científico: a dessalinização que pode dar um novo destino para a água do mar.
Países do Oriente Médio perceberam isso, e apostaram na grandiosidade do deserto para despontar projetos faraônicos para a produção de eletricidade e água nas regiões mais áridas do planeta, de forma sustentável e renovável.
O Catar, por exemplo, apostou na construção de mega-usinas de dessalinização da água do mar, com objetivo de beneficiar 2,7 milhões de habitantes que dependem diariamente de água potável. Como fazer isso?
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Basicamente, usando gás natural para geração de energia nessas plantas de dessalinização para transformação de água potável. O Catar tem uma das maiores reservas do mundo de combustível fóssil. O seu uso impulsiona a produção de eletricidade e água do país em usinas como:
- Umm Al Houl
- Ras Abu Fontas
- Ras Laffan
Esses são três mega projetos com impactos gigantescos para a população com a produção de 75 a 80% da água potável consumida no país.
Entre as instalações de dessalinização mais eficientes do Catar está a usina de energia e água de Usina Hidrelétrica de Umm Al Houl (Umm Al Houl), uma das maiores do Oriente Médio. De acordo com dados da empresa, são produzidos por dia mais de 600 mil metros cúbicos de água, além de geração de eletricidade.
A empresa foi estabelecida como uma Joint Venture com acionistas locais como Qatar Electricity and Water Company (QEWC), Qatar Foundation e a Qatar Energy (QE), grandes empresas de energia do país.
A UHP é uma central independente de água e energia, criada para impulsionar o crescimento do Catar com capacidade gigantesca de produção, são:
- 2.520 MW de energia
- 197,9 milhões de galões imperiais por dia de água potável
Dessalinização por evaporação e por osmose reversa
Essa capacidade de produção faz da UHP uma das maiores usinas do Estado do Catar e do Oriente Médio, nos setores de geração de energia e dessalinização de água do mar por meio da evaporação.
A empresa também despontou a tecnologia dessalinização da água do mar por osmose reversa usada em larga escala no Catar em um novo projeto do complexo. Até então, apenas a tecnologia de evaporação era utilizada para dessalinizar água.

A Umm Al Houl:
Produz: 284.000 m³ de água por dia, como parte de um projeto independente de água e energia (IWPP) de grande escala
Gera: 2.500 MW de energia elétrica
Atinge: 614.000 m³ por dia após o início das operações da nova instalação.
A estação possui as duas formas de dessalinização, por energia térmica e pela tecnologia de osmose reversa. São duas usinas de dessalinização por osmose reversa que produzem um total de 564 milhões de litros por dia, tornando-a a maior usina de dessalinização do Catar, com tecnologia de inteligência artificial de ponta para otimizar as operações e gerar economia de energia.
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A capacidade de dessalinização de água do país atingiu aproximadamente 538 milhões de galões por dia em 2024, após a expansão de Umm Al Houl, e espera-se que suba para 648 milhões de galões após a entrada em operação da nova usina de Ras Abu Fontas em 2028.
Projeto de dessalinização gigantesco
A Ras Abu Fontas e Ras Laffan, juntas, utilizam o processo de dessalinização térmica por destilação multiestágios, o de Multi Stage Flash (MSF) e Multi-Effect Distillation (MED), que é basicamente quando a água do mar é aquecida até evaporar, separando-se do sal e de outras impurezas. Há também
Ras Abu Fontas, localizado a 10 km ao sul de Doha, é um complexo que abraça centrais elétricas e usinas de dessalinização denominadas A, A1, B, B1, B2, e etc. Essas usinas foram construídas ao longo de 30 anos. Todas as usinas de dessalinização do complexo são do tipo MSF.
A Ras Laffan, por sua vez, está localizada a 80 km a nordeste de Doha. É um próspero polo da indústria energética que abriga empresas internacionais. Dentro desse extenso complexo, há uma central de água e energia independente (IWPP) com capacidade de ciclo combinado de 2.730 MW de eletricidade e 63 milhões de galões imperiais de água dessalinizada por dia (MIGD) (286,4 milhões de litros por dia).
A Corporação Geral de Eletricidade e Água do Catar (Kahramaa), agência que regula e mantém o fornecimento de eletricidade e água para a população do do país assinou um acordo estratégico com QatarEnergy, Qatar Electricity & Water Company Q.P.S.C e Sumitomo Corporation para a produç
Dessalinização é tendência global
A dessalinização emergiu na década de 1960, como um dos meios mais importantes de tratamento de água salina para trazê-la aos padrões de qualidade de água potável acessível para uso em várias partes do mundo e em setores industriais.
Até então, o processo de transformar água do mar em água potável era uma realidade de países ricos e áridos do Oriente Médio. Esse processo, entretanto, mudou com o avanço do aquecimento climático e a emergência de acesso à água.
Segundo a Global Water Intelligence (GWI), empresa que fornece análises de mercado para o setor de água, cerca de quatro em cada cinco países, um total de 80%, atualmente produzem água do mar dessalinizada para consumo humano e outros fins, e o número só aumenta.
O levantamento aponta ainda que o Brasil registrou um aumento de 189% na quantidade de água do mar dessalinizada entre 2010 e 2025, chegando a 1,4 bilhão de litros por dia.
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Usinas de dessalinização surgiram em mais de 20 mil locais ao redor do mundo, quase o dobro do registrado há dez anos, segundo estudos. Atualmente, mais de 160 países já possuem usinas para o processo
Entre os países que mais dessalinizarão água do mar em 2025. Confira o ranking:
- Arábia Saudíta
- Emirados Árabes Unidos
- China
- Espanha
- Esrael
- Kuwait
- Catar
- Argélia
- Egito
- Omã
Tipos de dessalinização
A primeira, mais comum e energeticamente mais eficiente, é a osmose reversa, que consiste em aplicar pressão para forçar a passagem da água por uma membrana semipermeável, que retém o sal e outras substâncias químicas.
O segundo método é a dessalinização térmica. Nesse processo, a água do mar ou a água salobra é aquecida; em seguida, ela evapora, e o vapor condensado é recolhido como água doce.
Principais desafios
Para dessalinizar a água do mar é necessário um alto investimento, mas o uso de fontes renováveis de energia mais baratas e o aumento da eficiência reduziram os custos nos últimos anos.
Como foi mostrado nesta reportagem, muitos países estão investindo em produção de energia com uso de gás natural e energia solar.
Um dos maiores desafios do processo de dessalinização é o descarte da salmoura, substância que é descartada com a separação da água do mar no processo. O despejo dessa salmoura de volta ao mar aumenta a salinidade e a temperatura da água e pode afetar gravemente os ecossistemas marinhos, chegando a criar zonas mortas ao redor dos pontos de liberação.


