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Plano do Pão de Açúcar está sob disputa na Justiça: o que pode acontecer com os empregos?

Grupo enfrenta uma recuperação extrajudicial para tratar de dívidas

Gustavo Zambianco
Por
Loja Pão de Açúcar
Loja Pão de Açúcar - Foto: Divulgação

O Grupo Pão de Açúcar (GPA), responsável pelos supermercados Pão de Açúcar e Extra, enviou à Justiça, nesta segunda-feira, 21, uma resposta aos questionamentos de credores e do Ministério Público (MP) em relação à recuperação extrajudicial da empresa.

Vale ressaltar que, no comunicado, o grupo reforçou o pedido para que o plano fosse homologado.

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Conforme o GPA, os opositores “buscam subverter a lógica da recuperação extrajudicial mediante a imposição de encargos à companhia que não encontram fundamento na lei ou na jurisprudência”.

Ou seja, os contraditores estariam tentando utilizar o processo de renegociação das dívidas de um jeito errado, cobrando taxas ou condições da empresa que não têm base na lei ou no histórico de decisões da Justiça.

Além disso, a companhia afirma que nenhum dos opositores foi capaz de provar as controvérsias citadas.

Empresas rejeitaram a reestruturação

Uma série de empresas com as quais o varejista tem débitos rejeitou a proposta de reestruturação por entenderem que estão em desvantagem diante das instituições financeiras.

O grupo inclui empresas de varejo, transportes, logística e software.

Loja Pão de Açúcar
Loja Pão de Açúcar - Foto: Divulgação

O que é uma recuperação extrajudicial

Uma recuperação extrajudicial é um processo que permite que empresas em situação de crise renegociem suas dívidas com credores, mudando prazos e valores dos pagamentos, visando reorganizar as finanças, manter os empregos e evitar a falência.

Diferente de uma recuperação judicial, nestes casos o Judiciário é menos ativo nas negociações. Na maioria das vezes o juiz somente verifica se o acordo está de acordo com a lei antes de homologá-lo.

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Veja as diferenças entre as duas

Lugar da negociação

  • Extrajudicial: Negociado direto entre empresa e credores (fora da Justiça).
  • Judicial: Negociado dentro de um processo na Justiça.

Proteção das contas

  • Extrajudicial: Proteção contra bloqueios só no final do acordo.
  • Judicial: Bloqueio de dívidas e cobranças travado imediatamente por 6 meses.
Papelada
Papelada - Foto: Freepik

Quem é obrigado a aceitar:

  • Extrajudicial: Vale apenas para os credores que concordaram.
  • Judicial: Vale para praticamente todos os credores da empresa.

Custo e velocidade

  • Extrajudicial: Mais rápida, simples e barata.
  • Judicial: Mais demorada, burocrática e cara.

O que acontece com os trabalhadores nesses casos?

Com um grupo de grande expressão, é normal pensarmos em como fica a situação dos funcionários nesses casos.

Por isso, o portal A TARDE falou com o advogado trabalhista Claudio Melo, presidente da Comissão de Direitos Sociais e Relações de Trabalho da OAB/BA.

O advogado explicou que, mesmo que uma empresa esteja em um processo de recuperação extrajudicial, os contratos trabalhistas seguem inalterados, assim como as condições e obrigações seguem ativas.

Advogado trabalhista e presidente da Comissão de Direitos Sociais e Relações de Trabalho da OAB/BA, Claudio Melo
Advogado trabalhista e presidente da Comissão de Direitos Sociais e Relações de Trabalho da OAB/BA, Claudio Melo - Foto: Divulgação

Funcionários podem ser demitidos durante uma recuperação extrajudicial?

De acordo com o advogado trabalhista, ”sim, o desligamento pode ocorrer nas mesmas condições de um desligamento normal, sendo devidas todas as parcelas decorrentes do desligamento, seja ele, a pedido, ou por dispensa sem justa causa”.

Quais direitos os funcionários têm nessa situação?

Nesse caso, o advogado aponta que existem duas possíveis realidades, uma onde o funcionário é despedido antes do deferimento da recuperação extrajudicial e outra depois.

“Quando o funcionário é demitido antes da recuperação entrar em vigor, as verbas devidas devem ser habilitadas no processo de recuperação judicial”, explica Claudio Melo.

Porém, caso o desligamento ocorra depois do processo começar a valer, as verbas devidas em razão do desligamento devem ser pagas 10 dias após o desligamento.

Isso se dá porque a empresa continua sendo obrigada a pagar todos os direitos e verbas trabalhistas das pessoas que forem demitidas depois que a Justiça aprovar o plano de recuperação.

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economia emprego Pão de Açúcar

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