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Professora diz ser inventora do Pix e pede R$ 1 mi ao Banco Central

Professora afirma ter registrado projeto "Tá Pago" e pede indenização

Iarla Queiroz
Por
Mulher pede indenização por suposto uso da ideia do Pix
Mulher pede indenização por suposto uso da ideia do Pix - Foto: Diego Thomazini/ Shutterstock

Uma professora e empresária entrou na Justiça alegando ser a responsável pela criação da ideia que deu origem ao Pix. Ela processa o Banco Central do Brasil por suposta violação de direitos autorais e pede indenização mínima de R$ 1 milhão. O caso tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e ainda está em fase inicial.

Projeto registrado em 2014

Na petição, Anette Vernaschi Toppan afirma que registrou, em 2014, na Biblioteca Nacional, o projeto “Tá Pago”. Segundo ela, o modelo consistia em uma metodologia de transferência eletrônica instantânea como substituição ao dinheiro, especialmente no uso de cartões de crédito e débito.

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De acordo com a ação, a principal diferença em relação ao Pix seria apenas a forma de execução, já que o sistema idealizado utilizaria créditos de celular para viabilizar as transferências.

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Contato com o Banco Central e origem da disputa

A autora também afirma que, entre 2015 e 2016, período em que começaram os estudos sobre o Pix, seu sócio teria procurado o Banco Central em busca de autorização para funcionamento de um arranjo de pagamento.

Com base nisso, ela sustenta ser a criadora da ideia que resultou no sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo BC em 2020, pedindo indenização por danos morais e materiais, além de royalties pelo uso da suposta propriedade intelectual.

Banco Central contesta versão

O Banco Central nega qualquer violação de direitos autorais. A instituição argumenta que já existiam sistemas de pagamento móveis semelhantes ao modelo apresentado pela autora.

O BC não comentou o caso.

Processo e decisões iniciais

O processo foi distribuído em setembro de 2025 e chegou a tramitar em segredo de Justiça. Uma decisão recente tornou o caso público.

O juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, da 18ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, negou o pedido da autora para realização de prova pericial técnica especializada, que buscaria analisar a semelhança entre o “Tá Pago” e o Pix.

Agora, o magistrado deve analisar um recurso apresentado pela professora contra essa decisão.

Debate sobre provas e próximos passos

Há também discussão sobre documentos apresentados pelo Banco Central em língua estrangeira. Segundo o juiz, o material não pode ser aceito sem tradução, e foi determinada a regularização das peças. O BC pediu reconsideração da decisão e aguarda nova análise.

Defesa fala em cenário “delicado”

O advogado da professora, José Luís Mazuquelli, afirma que o caso envolve uma discussão sensível e com impactos políticos e econômicos.

“A gente sabe que uma situação envolvendo o Pix, por exemplo, é uma situação política”, diz Mazuquelli.

Segundo a defesa, há expectativa positiva no andamento do processo.

Contexto internacional citado na ação

No início do mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras a partir de 15 de julho, após investigação sobre práticas comerciais.

Na minuta, o órgão cita o Pix diversas vezes como um instrumento que limitaria a concorrência de empresas americanas.

O Banco Central não se manifestou sobre esse ponto.

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