BOGE 2026
Transição energética e oportunidades do setor de gás natural viram pauta no BOGE
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste chegou ao 2º dia


O segundo dia do Bahia Oil & Gas Energy (BOGE 2026) voltou a virar palco para as principais discussões sobre transição energética e soluções para o setor de gás no Brasil, nesta quinta-feira, 28.
O maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste reúne grandes corporações, especialistas e estudantes do setor de energia até sexta-feira, 29.
Entre palestras, cursos e debates, o BOGE 2026 fomentou a discussão sobre gargalos e oportunidades do mercado, que o diretor-presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, garante que serão aproveitadas, a partir de novos investimentos para a interiorização do produto para toda a Bahia.
“Estamos buscando superar as dificuldades porque construir gasodutos é uma obra cara e demorada, mas a gente vai pensando sempre na Bahia como um todo. Estamos com as duas primeiras etapas concluídas do gasoduto Projeto Gás Sudoeste, pensando em levar o gás para o noroeste do Estado com o Polo das Culturas Irrigadas, e também para o Oeste da Bahia, que é a nossa fronteira maior do agronegócio, colada na fronteira do agronegócio nacional. Então, paulatinamente, iremos construir soluções para o gás natural renovável, que pode abastecer essas regiões”, afirma Gavazza.

Ainda segundo o presidente da Bahiagás, se faz cada vez mais necessário discutir a transição energética diante das oportunidades para avançar na redução de carbono, posicionando o estado como um polo de investimento de energia renovável.
“Todas as vezes que a gente atua num estado como a Bahia, profícuo na produção de energia solar e de energia eólica, em conjunto com as energias renováveis, a gente vai reduzindo essa emissão de carbono. A gente se renova com o gás natural renovável, a partir dessas fontes, para produzir o biometano e, futuramente, o hidrogênio verde. Nós vamos criando as condições de nos renovar, zerando a emissão de carbono”, continuou ele.
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É o que também explica Elismar Correia, assessor do plano diretor de investimentos da Bahiagás, que reforça os investimentos realizados na área de infraestrutura de dutos, com objetivo de fortalecer a cadeia de energia no estado.
“A Bahiagás tem feito o seu papel de investidor de infraestrutura [...] É uma cadeia que existe todo o cuidado, seja com as questões ambientais, seja com as nossas populações, a nossa população e principalmente sempre objetivando ter a modéstia tarifária para o cliente final”, continuou ele.

Nesta semana, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) incluiu na lista da próxima reunião pautas relacionadas à regulamentação do setor de gás natural para o Brasil.
“A regulamentação do nosso segmento ainda é conflituosa e tem lacunas que são desafiadoras quando a gente está tratando de segmentos e de formas novas de atuar no mercado. Então, a regulamentação das redes locais precisa que a gente possa antecipar o mercado, levar a energia a lugares onde a gente ainda não pôde construir o duto. Devemos encontrar soluções de regulação que atendam a essas necessidades sem prejudicar o consumidor", frisa Gavazza.
Entre os maiores gargalos do setor está a logística, cuja falta de regulação impacta diretamente o preço do gás. Para especialistas do setor, apesar de o investimento em um sistema completo de transporte de gás natural ser caro, ainda continua sendo uma realidade necessária diante da realidade do país.
O conceito da gente de locais na Bahia avançou. É preciso buscar sempre a solução mais eficiente para o mercado. Acredito que o que se avança no Brasil é para ter a necessidade de que os esforços da União, para que os gasodutos de transporte rasguem o longo interior do estado e do país, e cheguem a grandes centros que podem consumir energia mais limpa, menos poluente e mais barata”, finalizou Gavazza.
Quanto mais verde, melhor
Além do setor de gás natural, o evento abrange uma gama de soluções sustentáveis e palpáveis de diversos ramos, como a petroquímica. Recentemente, a Braskem anunciou ainda mais investimentos em descarbonização, eletrificação de processos e modernização tecnológica para reduzir as emissões de carbono em suas unidades.
“Temos a meta de ir, até 2030, reduzir até 15% das nossas emissões de gases de efeito estufa. Já atingimos 12% dessa meta, isso tanto na aplicação de energia eólica e solar, quanto de energia com biomassas e fontes térmicas e ações de eficiência dentro da indústria. Aplicamos diversos aspectos da transição energética para que consigamos evoluir”, inicia Robson Casali, gerente de Desenvolvimento de Negócios em Energia e Transição Energética da Braskem.
Um desses avanços está ligado ao uso de biomassas para fomento da produção e no objetivo de frear as emissões de gases de efeito estufa.

“Usamos o bio em diversas formas, desde a matéria-prima, cuja Braskem é a precursora no mundo, com o polietileno verde a partir do etanol, desde o início da década passada, e temos evoluído também a busca por fontes de energia renovável. Em Alagoas, todo o vapor produzido é por base biomassa, e além disso, ano passado fechamos um contrato de suprimento de biometano, o que mostra a nossa busca por consumo de fontes bio”, continuou ele.
BOGE 2026
A estimativa para os três dias de atividades do BOGE 2026 aponta para um crescimento expressivo em comparação aos anos anteriores. A expectativa é de que o evento reúna um público estimado de 15 mil pessoas ao longo dos três dias de evento.
São 300 marcas expositoras, com a presença de representantes de 20 países distintos, e quatro delegações: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Argentina.
O evento é gratuito, começou na quarta-feira, 27, e segue até a sexta-feira, 29, no Centro de Convenções.


