Busca interna do iBahia
HOME > EDUCAÇÃO

SUSTENTABILIDADE

Economia verde e circular: conceitos-chave para um futuro sustentável

Especialistas explicam os conceitos e desfazem mitos

Loren Beatriz Sousa
Por Loren Beatriz Sousa
| Atualizada em
Faltam seis meses para a realização da COP-30
Faltam seis meses para a realização da COP-30 -

Faltam seis meses para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), que ocorrerá em Belém, no Pará. Até lá, temas como sustentabilidade, economia verde, economia circular, preservação ambiental e responsabilidade social tendem a ocupar o centro dos debates públicos, empresariais e educacionais no Brasil. Mas entre esses assuntos, o que significam exatamente os conceitos de economia verde e economia circular?

Leia Também:

EDUCAÇÃO

Dia do Meio Ambiente e da Reciclagem é comemorado nesta quinta-feira
Dia do Meio Ambiente e da Reciclagem é comemorado nesta quinta-feira imagem

EDUCAÇÃO

'Descomplicando a Sustentabilidade' mostra projeto que promove educação ambiental
'Descomplicando a Sustentabilidade' mostra projeto que promove educação ambiental imagem

EDUCAÇÃO

Parque Zoobotânico entra na agenda pedagógica da rede estadual da Bahia
Parque Zoobotânico entra na agenda pedagógica da rede estadual da Bahia imagem

Segundo o advogado e escritor, sócio da ‘AC Governança & Sustentabilidade’, Augusto Cruz, a economia verde é um modelo que integra o desenvolvimento sustentável às atividades econômicas, promovendo o bem-estar humano, equidade social e a redução de riscos ambientais e a escassez de recursos. Para ele, trata-se de uma transição para uma sociedade mais inclusiva e sustentável em suas dimensões ambiental, social e econômica.

Tudo sobre Educação em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.
Augusto Cruz
Augusto Cruz | Foto: Divulgação

“Remete ao conceito de finanças sustentáveis, as quais consistem na integração critérios ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG) às decisões estratégicas e, principalmente, de investimento, gerando para o negócio, com um olhar de longo prazo, mitigando-se riscos não-financeiros preservando-se o capital, ou gerando oportunidades de novos negócios”, explica.

Leia Também:

EDUCAÇÃO

Dia do Meio Ambiente e da Reciclagem é comemorado nesta quinta-feira
Dia do Meio Ambiente e da Reciclagem é comemorado nesta quinta-feira imagem

EDUCAÇÃO

'Descomplicando a Sustentabilidade' mostra projeto que promove educação ambiental
'Descomplicando a Sustentabilidade' mostra projeto que promove educação ambiental imagem

EDUCAÇÃO

Parque Zoobotânico entra na agenda pedagógica da rede estadual da Bahia
Parque Zoobotânico entra na agenda pedagógica da rede estadual da Bahia imagem

Já a economia circular, definida pela embaixadora do ‘Movimento Reinventando Futuros’, direção geral na LB Cultura Circular e criadora do primeiro Fórum Nordeste de Economia Circular, Liu Berman, é um modelo mais inteligente e sustentável de produção e consumo.

Liu Berman
Liu Berman | Foto: Renata Larroyd

“Em vez de seguir o modelo antigo de ‘extrair, produzir, usar e jogar fora’, a economia circular busca aproveitar os recursos ao máximo, reaproveitando, consertando e reciclando produtos para que eles durem mais e causem menos impacto no meio ambiente. Economia circular é usar melhor, desperdiçar menos e incluir mais gente”, definiu.

Mitos sobre economia circular e verde

1- Economia circular é sinônimo de reciclagem

Segundo Liu Berman, “a reciclagem é apenas uma das últimas etapas desse modelo. A verdadeira circularidade começa muito antes do descarte, com design inteligente, reuso, compartilhamento, manutenção, regeneração e novos modelos de negócio”.

2- Ativismo ambiental

Augusto Cruz explica que “a economia verde tem de ser compreendida como uma oportunidade para as empresas realizarem novos negócios e a implementarem ações para mitigar riscos ao seu empreendimento. Não se trata de ativismo ambiental, ainda que traga efeitos positivos para o meio ambiente e, consequentemente, para as pessoas”.

3- Circularidade é só para grandes empresas

Outro mito contestado por Liu é a ideia de que apenas grandes corporações podem aplicar práticas circulares. “Pequenos negócios, empreendedores locais e cooperativas têm um papel essencial nesse processo, muitas vezes são até mais ágeis e criativos para adaptar soluções de reuso, reaproveitamento de materiais e modelos colaborativos”.

4- Sustentabilidade custa caro

Tanto Liu quanto Augusto rebatem o argumento financeiro usado para adiar ações sustentáveis. Para Berman, “embora existam custos iniciais, os benefícios a médio e longo prazo são evidentes: redução de desperdícios, fidelização de clientes, economia de insumos e maior alinhamento com políticas públicas e incentivos fiscais”. Cruz afirma que “há fundos de investimento e operações financeiras sustentáveis que movimentam bilhões de reais no país e são acessados por grandes empresas para seus projetos focados em sustentabilidade e em ESG”.

5- Crescimento econômico e sustentabilidade são incompatíveis

“Alguns ainda veem a circularidade como incompatível com o crescimento econômico. Pelo contrário, ela propõe um crescimento regenerativo, que desacopla desenvolvimento de destruição ambiental. É uma resposta estratégica aos limites do modelo linear, que extrai, usa e descarta”, explica Liu Berman. Augusto Cruz complementa que “no mínimo, metade do PIB mundial é dependente da natureza, com algumas análises apontando para uma dependência ainda maior. Uma pesquisa da S&P Global Sustainable revela que 85% das maiores empresas do mundo têm uma dependência significativa da natureza em suas operações diretas”.

Esse olhar ganhou força com a recente aprovação do Plano Nacional de Economia Circular, em maio deste ano. O documento, que traz 18 objetivos e mais de 70 ações, estabelece diretrizes para promover a circularidade na produção e no consumo em todo o país nos próximos dez anos.

GLOSSÁRIO DE CONCEITOS-CHAVE

ECONOMIA VERDE

ACORDO DE PARIS:

É um pacto internacional sobre mudanças climáticas, firmado em 2015 por ocasião da COP21 em Paris, e que visa limitar o aquecimento global. O objetivo principal é manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, com esforços para limitar esse aumento a 1,5°C. À época, o Acordo foi ratificado por 195 países.

CAPITALISMO DE STAKEHOLDERS:

Consiste em uma visão do capitalismo em que as empresas buscam criar valor a longo prazo, considerando não apenas os acionistas (shareholders), mas também todas as partes interessadas (stakeholders). Isso inclui empregados, clientes, fornecedores, comunidades, o meio ambiente e as futuras gerações, além de promover o bem-estar social e a sustentabilidade.

DESCARBONIZAÇÃO:

Processo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono (CO2). Isso envolve a transição do uso de fontes de energia fósseis para fontes de energia renováveis, a redução do consumo de energia, a promoção da eficiência energética e outras ações para reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:

Reside na busca pelo equilíbrio entre o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a proteção ambiental, garantindo que o planeta possa sustentar a vida humana a longo prazo, assegurando-se que as gerações atuais supram suas necessidades sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades.

DIVERSIDADE E INCLUSÃO:

Diversidade refere-se à presença de diferenças entre indivíduos, como raça, gênero, idade, orientação sexual, deficiência e outros marcadores. Já a inclusão consiste no ato de assegurar que todos, independentemente das suas diferenças, sejam respeitados, valorizados e tenham as mesmas oportunidades, direitos e deveres.

ESG (ASG):

Conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança que as empresas devem adotar para promover a sustentabilidade a longo prazo (PR 2030 ABNT).

GOVERNANÇA CORPORATIVA:

Governança corporativa é um sistema formado por princípios, regras, estruturas e processos pelo qual as organizações são dirigidas e monitoradas, com vistas à geração de valor sustentável para a organização, para seus sócios e para a sociedade em geral. Esse sistema baliza a atuação dos agentes de governança e demais indivíduos de uma organização na busca pelo equilíbrio entre os interesses de todas as partes, contribuindo positivamente para a sociedade e para o meio ambiente (IBGC).

MERCADO DE CARBONO:

Mecanismo econômico que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa, por meio da comercialização de créditos de carbono. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO2 que foi removida da atmosfera ou que não foi emitida. O objetivo é incentivar a redução de emissões de GEE e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.

SUSTENTABILIDADE:

Significa garantir que as ações do presente não comprometam a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades, a partir do equilíbrio do tripé econômico, social e ambiental.

SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA:

Envolve a integração de aspectos sociais, ambientais e econômicos na gestão dos negócios. É a busca por um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, a proteção do meio ambiente e o bem-estar social, garantindo que as necessidades das atuais gerações sejam atendidas sem comprometer as futuras.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA:

É a mudança de uma matriz energética que se baseia em combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão) para uma matriz baseada em fontes renováveis ou de baixa emissão de carbono.

ECONOMIA CIRCULAR

BIOMIMÉTICA:

Inspiração na natureza para criar soluções circulares. Ex: embalagens biodegradáveis que imitam cascas de frutas.

CADEIA DE VALOR CIRCULAR:

Relação entre todos os atores (empresa, fornecedor, consumidor, cooperativa, etc.) comprometidos em manter o valor dos produtos e materiais o máximo de tempo possível.

CICLO FECHADO:

É quando um produto ou material é constantemente reutilizado ou reciclado, voltando para o início do processo produtivo, como num ciclo que nunca termina.

DESIGN CIRCULAR:

É o planejamento de produtos para que sejam duráveis, reparáveis, reutilizáveis e recicláveis, desde o início de sua criação.

ECONOMIA DE COMPARTILHAMENTO:

Uso coletivo de bens e serviços, como carros por aplicativo, coworkings, guarda-chuvas compartilhados etc.

LOGÍSTICA REVERSA:

Processo de devolução de produtos ou embalagens após o uso, para serem reciclados, reaproveitados ou descartados corretamente.

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA:

Quando um produto é projetado para parar de funcionar ou ficar ultrapassado rapidamente, incentivando o descarte e a compra de um novo.

RECICLAGEM:

Transformar resíduos em matéria-prima para novos produtos. Ex: garrafa PET virando tecido.

RECONDICIONAMENTO:

Processo industrial que restaura bens usados para que tenham desempenho equivalente ao novo, sem vínculo com o fabricante original.

REPARO OU REPARABILIDADE:

Capacidade de consertar um produto em vez de descartá-lo. Um celular com peças trocáveis é um exemplo.

REÚSO:

Uso repetido de um produto sem modificar sua forma original, podendo ser para o mesmo ou outro propósito.

REUTILIZAÇÃO:

Usar novamente um produto sem transformá-lo. Ex: potes de vidro de alimentos viram recipientes para outros usos.

TRANSIÇÃO JUSTA:

Princípio que garante que a mudança para uma economia circular ocorra com inclusão social, respeito aos direitos trabalhistas e erradicação da pobreza.

UPCYCLING:

Dar uma nova vida a materiais descartados, valorizando-os. Ex: pneus viram móveis ou obras de arte.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

AUGUSTO CRUZ COP30 Economia Circular economia verde LIU BERMAN meio ambiente sustentabilidade

Relacionadas

Mais lidas