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Estudo aponta que cada R$ 1 no ensino médio integral pode render até R$ 3,49

Levantamento aponta ganhos em aprendizagem, renda e permanência escolar

Vitória Sacramento
Por Vitória Sacramento
| Atualizada em
Estudantes do ensino médio durante uma aula de história
Estudantes do ensino médio durante uma aula de história - Foto: Olga Leiria/Ag. A TARDE

Cada R$ 1 investido no Ensino Médio Integral (EMI) pode gerar um retorno de até R$ 3,49 para a sociedade, segundo um estudo elaborado pelos economistas Natália Marchi, Enlinson Mattos e Vladimir Ponczek, com apoio do Instituto Natura. A pesquisa conclui que a modalidade apresenta elevada relação custo-benefício ao combinar melhores resultados educacionais, maior empregabilidade e aumento da renda dos estudantes ao longo da vida.

A análise utilizou dados de egressos da rede pública de Pernambuco, estado pioneiro na implementação do Ensino Médio Integral, e simulou diferentes cenários de expansão da política pública. De acordo com o levantamento, a ampliação planejada da modalidade tende a reduzir o custo por vaga, graças ao reaproveitamento da infraestrutura e aos ganhos de escala obtidos pela expansão organizada da rede.

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Segundo o relatório, o cenário mais otimista aponta uma razão benefício-custo de 3,49. No cenário considerado de referência (benchmark), a relação é de 2,38 quando considerados apenas os custos diretos e de 2,06 ao incluir os custos sociais relacionados ao financiamento da política. Mesmo em hipóteses mais conservadoras, os pesquisadores afirmam que o Ensino Médio Integral mantém retornos econômicos superiores aos custos em grande parte dos cenários analisados.

Ganhos para estudantes e economia

O estudo mostra que os efeitos do Ensino Médio Integral vão além da melhoria da aprendizagem. A pesquisa aponta que os estudantes apresentam:

  • maior desempenho escolar;
  • menor probabilidade de abandonar os estudos;
  • maiores chances de ingressar no ensino superior.

Esses fatores, segundo os autores, contribuem para formar profissionais mais qualificados, com maior potencial de renda e produtividade para a economia brasileira.

Entre os resultados diretos observados, os egressos do EMI registram aumento médio de R$ 172,48 na renda mensal e três pontos percentuais a mais na probabilidade de estarem empregados em comparação aos estudantes do Ensino Médio Regular.

Os ganhos indiretos também aparecem de forma significativa. A pesquisa identificou aumento médio de 0,1219 desvio-padrão na proficiência dos estudantes, redução de 4,86 pontos percentuais na evasão escolar e crescimento de 8,83 pontos percentuais na trajetória de ingresso e conclusão do ensino superior. Somados, esses fatores representam um aumento potencial de 10,07% na renda ao longo da vida dos beneficiados.

Expansão pode reduzir custos

Os pesquisadores também avaliaram os custos da política pública. O relatório estima que, no cenário de referência, o custo adicional médio do Ensino Médio Integral é de R$ 14.112,87 por estudante durante os três anos do ensino médio. Entretanto, o estudo destaca que esse valor pode diminuir quando a expansão ocorre em larga escala, aproveitando estruturas existentes e reduzindo custos de implantação.

Debate sobre investimento público

Para a superintendente do Instituto Natura Brasil, Maria Slemenson, os resultados reforçam que o Ensino Médio Integral deve ocupar posição central nas políticas educacionais.

"O Brasil avançou na oferta da educação integral, mas pode ir além. A cada novo estudo que corrobora com sua relevância, aumenta a urgência por maior compromisso político e gera força para expansão. O Ensino Médio Integral é uma política inegociável para o desenvolvimento do nosso país e há evidências suficientes para colocá-lo no centro da estratégia educacional", afirmou.

Ao traduzir indicadores educacionais em resultados econômicos, os autores defendem que a pesquisa oferece subsídios para o debate sobre a eficiência do investimento público em educação e aponta o Ensino Médio Integral como uma política capaz de contribuir para a redução das desigualdades sociais, o aumento da produtividade e o crescimento econômico do país.

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