EDUCAÇÃO
Ideb atinge maior índice em 20 anos; Bahia acompanha crescimento
Dados do indicador foram divulgados oficialmente nesta quarta, 5

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025 foram divulgados oficialmente nesta quarta-feira, 5, pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os indicadores, divulgados a cada dois anos, revelam o desempenho da educação básica no país e servem como uma das principais referências para acompanhar a qualidade do ensino brasileiro.
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Em coletiva à imprensa, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que os dados de 2025 mostram avanço em todas as etapas avaliadas. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o Ideb nacional passou de 6,0 para 6,3. Nos anos finais, o índice evoluiu de 5,0 para 5,3. Já no Ensino Médio, a nota subiu de 4,3 para 4,5. Na rede pública, os resultados também cresceram: os anos iniciais passaram de 5,7 para 6,1; os anos finais, de 4,7 para 5,0; e o Ensino Médio, de 4,1 para 4,3.
Criado pelo Inep em 2007, o Ideb reúne dois componentes:
- desempenho dos estudantes nas avaliações do Saeb;
- dados de fluxo escolar do Censo Escolar, como aprovação, reprovação e abandono.
“Este é o melhor Ideb da série histórica brasileira, iniciado em 2005. Em 20 anos, o Brasil enfrentou simultaneamente três problemas históricos da educação. Colocou mais estudantes na escola, melhorou sua trajetória e elevou a aprendizagem. Os resultados do Ideb fecham um balanço de 20 anos de compromisso nacional pelo acesso, pela permanência e pela qualidade da educação. Avançamos, mas ainda há muito o que fazer. Chegou a hora de um novo salto para o futuro, que é a melhoria da aprendizagem", destacou Leonardo.
MEC anuncia foco na aprendizagem e apoio a municípios com baixo desempenho
Ao comentar os 442 municípios brasileiros que ainda não alcançaram nota 5 no Ideb, Barchini destacou que o MEC fará um acompanhamento específico para essas redes. “A demanda do Plano Nacional de Educação aprovado em abril deste ano é que tenhamos um foco especial na aprendizagem. Obviamente, sem esquecer da equidade, porque precisamos melhorar a educação como um todo, mas melhorar, trabalhar mais para aqueles que mais precisam, que é a população socialmente vulnerável no Brasil”.
“A ideia do Ministério da Educação é que esses 442 municípios sejam chamados aqui para uma assistência técnica específica e individualizada para que possamos oferecer para as crianças brasileiras uma educação de qualidade, com bom acesso, com boa infraestrutura e com a proficiência no centro das escolas brasileiras”, acrescentou.
O ministro também destacou que a recuperação da educação brasileira após pandemia da Covid-19 ocorreu em um ritmo superior ao previsto por relatórios internacionais.
“Os relatórios internacionais apontavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia. E o que os resultados do Ideb mostram é que, tanto na proficiência quanto no fluxo, a gente conseguiu, em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar àquela situação pré-pandemia. Então, a recuperação do Brasil, ao contrário de muitos países do mundo, foi mais rápida. E isso nos deixou bastante felizes e mostra a resiliência da rede da educação pública brasileira na educação básica”, explicou.
Bahia registra avanços
Os resultados de 2025 também mostram que a rede estadual da Bahia alcançou nota 3,8, registrando o quarto crescimento consecutivo. A evolução foi de:
- 3,2 em 2019;
- 3,5 em 2021;
- 3,7, em 2023
- 3,8, em 2025.
Considerando todas as redes de ensino - públicas e privadas -, o Ideb baiano ficou em 4,0, enquanto a média nacional foi de 4,5.
A rede municipal de ensino de Salvador também melhorou o desempenho e registrou crescimento nas duas etapas avaliadas do Ensino Fundamental. Nos anos iniciais, a capital baiana passou de 5,3 para 5,7, enquanto nos anos finais a nota evoluiu de 4,2 para 4,5, representando um avanço de 0,3 ponto em ambos os segmentos.
Entre os destaques baianos, alguns municípios apresentaram crescimento expressivo em relação à edição anterior, sendo eles:
- Itatim: passou de 7,7, em 2023, para 8,6, em 2025;
- Antônio Cardoso: elevou sua nota de 3,7, em 2023, para 5,6, em 2025;
- Licínio de Almeida: avançou de 6,3 para 6,6;
- Malhada de Pedras: aumentou sua nota de 5,5 para 6,6;
- Ponto Novo: saltou de 2,8 para 4,9.
Desempenho melhora em Português e Matemática
Na avaliação do Saeb, que mede a aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, a Bahia alcançou média de 4,04 no Ensino Médio. As duas disciplinas apresentaram crescimento em relação à edição anterior. Em Matemática, a média passou de 250,97 pontos, em 2023, para 252,49, em 2025. Já em Língua Portuguesa, o desempenho evoluiu de 252,49 para 253,99 pontos no mesmo período.
Os dados também mostram avanços no fluxo escolar. A Bahia atingiu índice de 0,93, empatando com Maranhão e Rio Grande do Sul na 17ª posição entre os estados brasileiros. O resultado coloca o estado à frente de unidades da federação como Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, Amapá, Acre, Amazonas, Roraima e Distrito Federal.
Resultados refletem também no Enem e no acesso ao ensino superior
No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024, a Bahia teve o quarto maior número de redações da rede pública com notas entre 920 e 980 entre todos os estados brasileiros.
O estado também manteve destaque no acesso ao ensino superior. Pelo segundo ano consecutivo, foi o terceiro estado que mais aprovou estudantes em universidades públicas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2026, foram 23.477 estudantes aprovados, um crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior.
A Bahia também ocupa a terceira posição nacional em aprovações no Programa Universidade para Todos (Prouni), que utiliza as notas do Enem para a concessão de bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior.



