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EDUCAÇÃO

Obras de jovens baianos marcam maior encontro estudantil

Projetos revelam criatividade e maturidade estética de estudantes da rede estadual

Loren Beatriz Sousa
Por
Encontro Estudantil 2025
Encontro Estudantil 2025 - Foto: .José Simões/Ag. A TARDE

Os estudantes da rede estadual da Bahia emocionaram e surpreenderam o público no maior encontro estudantil do Brasil, realizado na Arena Fonte Nova, em Salvador, ao apresentarem obras carregadas de simbolismos, narrativas pessoais e forte consciência social.

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Entre esculturas e pinturas expostas, três peças chamaram atenção ao reinterpretar a mitologia grega, evidenciar as raízes africanas e indígenas, retratar a dureza do sertão e discutir o impacto persistente dos resíduos humanos sobre a natureza, mesmo em um futuro sem humanos.

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O sofrimento de Gaia

Maria Hevelly Pereira, de 18 anos
Maria Hevelly Pereira, de 18 anos - Foto: .José Simões/Ag. A TARDE

A estudante Maria Hevelly Pereira, de 18 anos, do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) Sertão Forte, em Euclides da Cunha, apresentou a escultura “O sofrimento de Gaia”, uma obra que mistura referências à mitologia greco-romana, elementos das culturas africanas e indígenas e uma forte crítica à relação destrutiva entre humanidade e meio ambiente.

“É a mulher que gera a vida, que traz a vida, mas que nem sempre é retribuída da mesma forma. É uma relação tóxica que a gente tem com o meio ambiente. Então, eu quis passar isso de uma forma menos europeia e mais fiel à realidade, as raízes africanas, porque é o berço da humanidade”, disse.

A artista escolheu retratar uma figura gestante para reforçar a ideia de Gaia como geradora da vida “de maneira literal”. Sua pele, semelhante ao solo, simboliza o continente africano, enquanto adornos da etnia indígena Kaimbé e a semente “lágrimas de Nossa Senhora” remetem à dor da maternidade e ao sofrimento silencioso.

“Traz muito essa ideia da maternidade, da mãe, do sofrimento. Então eu quis trazer isso e finalizar a figura que chora, que é um sofrimento, mas que é um sofrimento não perceptível, é um sofrimento mais discreto, mas que ecoa musicalmente”, explicou Maria.

O processo de criação foi intenso e desafiador. Feita em papel paraná, com técnicas de papietagem, massa acrílica e partes em gesso, a obra quase não ficou pronta a tempo.

“Era pra ser 15 dias, mas assim, perto dos cinco dias ela quebrou inteira e eu não tinha o que fazer. Foram três dias sem dormir, mas deu certo. Eu contei muito com o apoio dos professores, dos meus colegas que iam, ajudavam e levavam o material. Quando eu precisava espairecer alguma coisa, eles estavam lá. Minha família também me deu o maior apoio”, relatou.

Pensamentos sertanejos: o sertão visto pelos olhos de Igor

Igor Santos Leal, 16 anos
Igor Santos Leal, 16 anos - Foto: .José Simões/Ag. A TARDE

Em sua primeira visita a Salvador, o estudante Igor Santos Leal, 16 anos, do Colégio Estadual Manoel José de Andrade, em Planaltino, apresentou o quadro “Pensamentos Sertanejos”, obra inspirada na vida do homem do campo e na resistência da população rural.

O conceito da obra retrata a seca, a terra rachada, a casa simples e o trabalhador rural em sua rotina exaustiva - elementos que simbolizam tanto a dureza quanto a força do sertão. A árvore frondosa e o céu claro dialogam com a ideia de esperança, mesmo em cenários adversos.

“É o esforço do trabalhador rural, em meio às dificuldades. A seca, a escassez de alimentos, a escassez de água, de chuva. Então a mensagem que eu quero falar é reconhecimento sobre a classe trabalhadora rural”, destacou Igor.

O estudante dedicou cerca de um mês e meio ao quadro, que funciona como homenagem à resiliência sertaneja.

Cadeia alimentar

Brenda Martins, 16 anos
Brenda Martins, 16 anos - Foto: .José Simões/Ag. A TARDE

A estudante Brenda Martins, 16 anos, do Colégio Estadual Machado de Assis, em Teixeira de Freitas, apresentou a obra “Cadeia alimentar”, que discute como o impacto ambiental causado pelo ser humano persiste mesmo após uma possível extinção da humanidade.

A pintura mostra uma onça-pintada morrendo após levar um choque elétrico ao tentar caçar um robô abandonado - metáfora para lixo eletrônico que cresce de forma acelerada e ameaça o equilíbrio ecológico.

“Fiz a obra em três dias. O robô representa o lixo tóxico eletrônico, já que hoje em dia se produz muito em massa algo que é para ser descartado, com pouco tempo de validade, para sempre buscar comprar mais e mais e mais”, explicou Brenda.

O conceito também foi inspirado em um caso envolvendo um ataque de onça pintada, e reflete sobre como os resíduos tecnológicos permanecem como ameaça para a fauna mesmo sem a presença humana.

Essas e outras produções apresentadas no Encontro Estudantil da Rede Estadual da Bahia integram os Projetos Artísticos e Culturais - parte dos Projetos Estruturantes da Secretaria da Educação (SEC) - que estimulam práticas pedagógicas emancipadoras, inclusivas e conectadas à diversidade sociocultural dos territórios. O AVE - Artes Visuais Estudantis - promove o desenvolvimento sensível, crítico e identitário dos jovens, fortalecendo vínculos com suas histórias, culturas e modos de ver o mundo.

O encontro, promovido pela SEC, é gratuito e aberto ao público até quinta-feira, 11, das 9h às 17h, com apresentações artísticas, mostras científicas, oficinas, vivências culturais, exibições audiovisuais e atividades interativas distribuídas em toda a Arena Fonte Nova.

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arte estudantil cultura africana mitologia grega projetos culturais sertão brasileiro sustentabilidade

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