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Professora cria projeto para doar livros aos alunos de Pernambués

Publicado às | Atualizado em 14/10/2021, 23:40 | Autor: Rosana Silva | Agência Mural
A professora Luciane Alves está arrecadando livros infantis novos e seminovos | Foto: Bruna Rocha | Agência Mural | 13.10.2021
A professora Luciane Alves está arrecadando livros infantis novos e seminovos | Foto: Bruna Rocha | Agência Mural | 13.10.2021 -
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A volta às aulas despertou na professora Luciane Alves, 43, o interesse em iniciar um projeto que reaproximasse os livros dos seus alunos do Ensino Fundamental I, da rede municipal de Salvador. Com o apoio de amigas e parceiros, a moradora de Pernambués, onde leciona em duas escolas públicas, criou o Reencanto da Leitura, uma iniciativa para arrecadar livros novos e seminovos para doação.

A percepção de que era preciso fazer algo veio com observações a partir da reação das crianças no período sem as aulas presenciais. “Durante a pandemia, fiz um vídeo recitando a poesia Bailarina, de Cecília Meireles, e enviei para os alunos. Quando retornei para a sala de aula, uma aluna me olhou e disse: ‘Pró Lú, eu vi seu vídeo da bailarina’. Ela falou com tanto amor que quase chorei”, relata.

Deleite

Por outro lado, Luciane também notou o desinteresse dos alunos pela leitura com o afastamento escolar. No início das suas aulas, ela conta ter criado um momento chamado de “Leitura Deleite”, no qual permite que os pequenos façam contato com os livros sem qualquer cobrança metodológica. E foi observando o comportamento do seu público, crianças com idades entre 7 e 8 anos, que ela decidiu criar o projeto para aproximá-los da literatura.

“Durante a ‘Leitura Deleite’, as crianças folheiam os livros e não se sentem encantados pela leitura. Daí, surgiu a ideia de presenteá-las com livros novos ou seminovos. Talvez, ao saber que o livro pertence a elas, elas se motivem a lê-los”, explica.

Até o momento, a professora já recebeu 46 obras e espera presentear os seus 50 alunos das duas escolas onde trabalha. Cinco estudantes já foram beneficiados e a educadora se diz confiante em sua rede de apoio.

“O projeto de doação está no início, mas tenho bons amigos e parceiros que com certeza vão abraçar a causa, pois sabem da importância dos livros chegarem às residências das crianças”, diz Luciane.

A educadora diz que outra motivação para organizar a iniciativa está ligada ao limitado acesso a uma variedade de obras de literatura infantil e que a escola não conta mais com o apoio do programa PNAIC (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa).

“O PNAIC entendia que a criança até os 8 anos de idade teria que estar alfabetizada. Nós recebíamos formações mensais. Além disso, frequentemente, chegavam caixas de livros de literatura. O professor acabava tendo um amplo repertório literário dentro de sua sala de aula”, afirma.

Segundo a professora, o governo federal ainda envia livros, mas diz que eles são destinados às bibliotecas e não chegam nas mãos dos alunos.

“Muitas vezes quando você empresta, o menino não devolve. Enquanto educadora, entendo que o livro é dele. Mas, a escola pensa que o menino não vai devolver, digamos assim, vai perder o livro. Na minha concepção, não enxergo isso como uma perda”.

Para a professora, a aquisição de livros ainda não é uma realidade entre as classes populares. “Comprar um livro para um filho, infelizmente, ainda é caro em nosso país, não é a realidade da classe social que ensino.”

Ela está atenta à demanda educacional de Pernambués, onde mora e leciona. “Sempre desejei trabalhar mais próximo da minha comunidade. Estabeleço mais vínculos, além de ser uma maneira de dar um retorno e contribuir na formação dos educandos”.

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