BRASIL
"Cardápio de cortes": aliada de Flávio admite rever salário e INSS
Daniella Marques, cotada para o Ministério da Fazenda, admitiu possibilidade em live



A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, Daniella Marques, admitiu a possibilidade de discutir mudanças na Previdência e na política de reajuste do salário mínimo em um eventual governo do senador.
Em entrevista ao podcast Market Makers, em que aparece ao lado do senador, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal também afirmou que a equipe econômica prepara alternativas para reduzir despesas e reorganizar as contas públicas.
“Você não tem moral como governo para debater ajuste de previdência, de salário mínimo e tal, se você não for cortar na carne”, declarou Daniella durante a entrevista.
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Segundo a coordenadora, a campanha pretende apresentar um conjunto de opções para orientar decisões sobre os gastos federais. Ela afirmou que as propostas incluem revisão de regras fiscais, redução de despesas, mudanças na administração pública e negociações com o Congresso Nacional.
“Quais são os cortes que vão fazer? A gente vai entregar um cardápio na mão dele, né? Tem 300”, disse, em referência ao número de alternativas levantadas pela equipe.
Daniella citou o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o economista Mansueto Almeida ao comentar as discussões. Também mencionou um grupo de cerca de 30 economistas que avalia possibilidades de contenção de gastos.
Discussão remete à proposta da equipe de Paulo Guedes
A menção a ajustes no salário mínimo e nas aposentadorias retoma uma discussão ocorrida em outubro de 2022, durante a campanha de Jair Bolsonaro à reeleição. Naquele período, a equipe econômica de Guedes estudava uma proposta para alterar a forma de correção desses valores.
A ideia era substituir o reajuste baseado na inflação já registrada por um cálculo que considerasse a inflação projetada, tendo como referência mínima a meta inflacionária. Na prática, a mudança poderia resultar em aumentos inferiores à inflação efetiva, com impacto sobre o poder de compra de trabalhadores e aposentados.
Na ocasião, Guedes confirmou que a desindexação estava em discussão. A proposta integrava a estratégia conhecida como “3D”, que previa desobrigar, desindexar e desvincular despesas do Orçamento.
Campanha não detalhou medidas
No entanto, Daniella não especificou quais são as 300 alternativas de cortes mencionadas, quanto cada medida poderia economizar, nem se eventuais mudanças nas regras da Previdência e do salário mínimo fazem parte desse conjunto.
A declaração, portanto, indica que esses temas estão entre as possibilidades de discussão econômica da campanha, mas não representa, por si só, a apresentação de uma proposta fechada para alterar os critérios de reajuste ou as regras previdenciárias.


