
O Brasil teve apenas uma mulher como presidente: Dilma Rousseff (PT). Em meio ao contraste do pouco espaço de poder ocupado por mulheres no país, as esposas dos principais candidatos ao Palácio do Planalto despontam como figuras essenciais em suas campanhas.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), três nomes que aparecem como preferência dos eleitores a nível nacional, segundo os mais recentes levantamentos Atlas/Intel, apostam na imagem da família, com suas companheiras como atuantes no processo eleitoral iniciado na última semana.
Janja e a primeira-dama ativa
Distante do perfil discreto de Marisa Letícia, primeira esposa de Lula, Rosângela da Silva, a Janja, tem sido personagem constante nos atos políticos do petista, desde o período de pré-campanha.
Socióloga de formação, Janja esteve presente ao lado de Lula durante todo o primeiro mandato, participando ativamente de momentos-chave do governo, a exemplo do 8 de janeiro, quando ‘sussurrou’ ao presidente para que não assinasse a Garantia de Lei e Ordem (GLO).

Janja também atuou também na articulação com algumas das principais pastas na Esplanada dos Ministérios. Sua relação com esses grupos rendeu, nos bastidores, a alcunha de ‘cota da Janja’ para se referir aos ministros mais próximos da primeira-dama.
Janja arregaça as mangas na campanha
Um ponto que realça seu destaque na corrida eleitoral deste ano se deu no lançamento da campanha do presidente, na última semana, quando a primeira-dama discursou no Estádio 1º de Maio.
Na ocasião, Janja, também militante do Partidos dos Trabalhadores (PT) desde os seus primeiros anos, aproveitou para reverenciar o legado de Marisa Letícia, trazendo ‘à luz’ ainda o empenho das mulheres no processo de criação da legenda.
“Essas mulheres lideradas por dona Marisa foram uma força importante e são pouco lembradas. Sem a presença delas, presidente, talvez essa história toda tivesse sido diferente. A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz à nossa memória o cuidado e o carinho de dona Marisa; foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT e é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, afirmou Janja durante seu tempo de fala.
Janja voltou a citar a necessidade de ocupação feminina nos espaços de discussão política em outro evento de campanha, chegando a falar que as mulheres são as “guardiãs da democracia brasileira”.
Fernanda Bolsonaro deixa bastidores e dá as mãos a Flávio
Menos conhecida que a primeira-dama Janja, a dentista Fernanda Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL), um dos principais adversários de Lula nas eleições deste ano, deixou a vida dos bastidores para ‘mergulhar’ na campanha do marido no pleito deste ano.
Fernanda Bolsonaro tem aparecido ao lado de Flávio nas lives, que acontecem nos mesmos moldes das transmissões ao vivo promovidas por Jair Bolsonaro durante o período em que esteve no Palácio do Planalto.

A aspirante a primeira-dama discursou, assim como Janja, durante a convenção que oficializou a candidatura do marido à presidência. Ao iniciar sua fala, Fernanda ‘humanizou’ sua pouca experiência com o universo político, declarando que havia levado um texto pronto para poder ler.
Nos bastidores, há uma expectativa de maior participação da esposa de Flávio Bolsonaro, com uma possível ‘turnê’ pelo Brasil ao lado do marido.
Gracinha aceita destino político e abraça Caiado
Baiana da ‘gema’, Gracinha Caiado se destacou em Goiás ao participar de forma atuante da vida política do estado com o seu marido, Ronaldo Caiado (PSD), que deixou o governo para concorrer ao Palácio do Planalto.
No posto de primeira-dama, Gracinha executou programas sociais, esteve no dia a dia da política local e, por tabela, ganhou ‘capital’ para se projetar politicamente.

No pleito deste ano, para além de ‘companhia de peso’ para Ronaldo Caiado, Gracinha está candidata ao Senado, após uma articulação que envolveu partidos e outros quadros que pensavam em disputar o cargo pelo bloco governista.
Michelle Bolsonaro e o teste das urnas
Primeira-dama entre 2019 e 2022, Michelle Bolsonaro (PL) será pioneira ao ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Desde a redemocratização, nenhuma outra mulher a ocupar o posto a se arriscou nas urnas a nível nacional. Caso seja eleita, ela também será a primeira ex-primeira-dama presidencial a ocupar um cargo eletivo no Brasil.
