REVIRAVOLTA
José Estêvão volta ao comando do DC e quer ser candidato ao governo
Liminar suspendeu atuação da atual diretoria


Uma reviravolta digna de roteiro de Hollywood. Assim pode ser descrito mais um capítulo da novela sobre o partido Democracia Cristã (DC) na Bahia. Na quarta-feira, 22, José Estêvão, conseguiu retomar o controle do partido na Justiça e deve lançar a sua candidatura ao governo do estado.
A desembargadora do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) Carina Canguçu Virgens, deferiu a tutela de urgência movida por Estêvão, que pedia a suspensão da atual diretoria e a reintegração dele à presidência da legenda.
A decisão ocorreu um dia depois que a atual presidente do DC, Viveca Amorim e o vice, Ariel Capistrano, publicarem o edital de convocação para a convenção partidária, até então marcada para o dia 1º de agosto. Em conversa com o portal A TARDE nesta semana, Ariel afirmou que o partido não lançaria candidatura ao Palácio de Ondina e que apoiaria a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).
Porém, com o revés na Justiça Eleitoral, o cenário mudou completamente, já que José Estêvão, agora no comando do partido, quer se lançar na disputa. Além disso, ele alterou a data da convenção para o dia 2 de agosto.
“É uma vitória para mim e para os outros candidatos do partido, que seriam prejudicados se não tivessem um palanque próprio”, disse Estêvão.
No entanto, Ariel Capistrano disse para a reportagem que nada vai mudar, já que ele também ingressou com uma ação na Justiça para que a atual diretoria seja mantida.
“Já recorremos antes da liminar dele, portanto será tudo desfeito”, garantiu. Ele também afirmou que a convenção está mantida para o dia 1º. “A dele será anulada”, afirmou.
Entenda o imbróglio
Em 10 de junho, o presidente nacional do DC, João Caldas atuou para dissolver o diretório baiano, que tinha como presidente Ariel Capistrano, e retirou a pré-candidatura de José Estêvão.
Contudo, no dia seguinte, o cenário mudou após o postulante ao Palácio de Ondina recorrer da decisão na Justiça Eleitoral. Como consequência, o Judiciário derrubou a antiga composição da sigla, após a legitimidade ter sido contestada pela direção nacional.
Foi nesse sentido que a Justiça deliberou a promoção de uma nova executiva para comandar a legenda promovendo José Estevão como presidente estadual do DC.
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Diante do revés na Justiça, Caldas conseguiu reverter a dissolução e nomeou um novo diretório. A atual presidente do DC na Bahia é Veveta e na vice está Ariel, que também é o coordenador e responsável pela nominata.
Após os reveses, Estêvão e Ariel romperam. Estêvão diz que Ariel retornou à diretoria da legenda graças a ameaças que fez de revelar os planos de Caldas ao público. Para a reportagem, Ariel negou qualquer crítica ao presidente nacional do partido, embora áudios que circulam nas redes sociais mostrem o contrário.
Fator José Carlos
Em meio a isso tudo, ainda houve uma situação complexa envolvendo o deputado federal recém-nomeado José Carlos Araújo (PDT), que assumiu temporariamente o mandato durante a licença do deputado Leo Prates (Republicanos).
O DC alega que o pedetista se filiou à legenda, o que ele nega. De acordo com registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a filiação ao DC foi registrada no dia 6 de junho. Araújo, no entanto, sustenta que o procedimento ocorreu sem sua autorização e afirma que pretendia discutir a entrada na legenda apenas após formalizar sua saída do PDT.
Segundo aliados de Araújo, a mudança de posição ocorreu após o DC ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação que questiona a regra sobre a idade mínima para posse em cargos eletivos.
A iniciativa pode beneficiar Álvaro Lira, filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, adversário político de João Caldas em Alagoas.
João Caldas, por sua vez, negou as acusações e afirmou que a filiação ocorreu com autorização de José Carlos Araújo. Segundo o dirigente, houve reuniões, troca de mensagens e envio de documentos pelo próprio deputado e por integrantes de sua equipe para viabilizar o registro.
Candidaturas anuladas
A confusão não se restringe apenas a Bahia, já que outros estados também estão na mesma situação, a exemplo do Pará e Alagoas.
Os impasses nos estados teriam sido a principal causa da desistência do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, de disputar a Presidência da República em outubro.
Barbosa se filiou ao DC em abril e a divulgação, pela direção do partido, de que pretende lançá-lo candidato provocou uma reação imediata de Aldo Rebelo, que havia anunciado a sua pré-candidatura pelo partido. Ele também recuou de entrar na corrida eleitoral.


