ELEIÇÕES 2026
Lula ataca Flávio no caso da menina Ana Clara: "Cúmplice"
Caso voltou à tona no debate da Band, quando petista cobrou explicações do liberal



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, de “cúmplice” no caso da morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos.
A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG), na quinta-feira, 22.
Como é que um ser humano, que é senador da República, que é pai, tem coragem de trabalhar para que o assassino de uma criança não seja condenado? Lula
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O presidente também acusou Flávio Bolsonaro de tentar impedir que a origem do disparo fosse identificada. “Ele ainda tenta raspar o número da bala, para que as pessoas não saibam de onde veio a bala. Então, não é só que ele é cúmplice de um assassinato, ele não quer que as pessoas saibam a verdade”, afirmou.
Caso foi tema de debate eleitoral
A morte de Ana Clara foi mencionada durante o debate entre os candidatos promovido pela Band, no último domingo, 18.
Na ocasião, Lula cobrou explicações de Flávio por ter atuado como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de efetuar o disparo que matou a criança, em Niterói, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2021.
Flávio rebateu a acusação e defendeu o direito ao exercício da advocacia, argumentando que a atuação profissional não deve ser tratada como crime.
“Nem teve julgamento e você condenou o cara”, respondeu o senador durante o debate.
Relembre o caso Ana Clara
O caso Ana Clara Gomes Machado voltou ao centro do debate nacional em outubro de 2026, reacendendo as discussões sobre a violência em ações policiais e o papel de figuras públicas na Justiça. Em 2 de fevereiro de 2021, a menina de apenas cinco anos de idade brincava na porta de sua casa na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói (RJ), quando foi atingida fatalmente por um disparo de fuzil.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o policial militar Bruno Dias Delaroli por homicídio com dolo eventual, sustentando que o agente assumiu o risco de causar a morte ao efetuar os disparos em uma área estritamente residencial.
Na esfera jurídica, a tramitação do processo foi marcada por recursos da defesa que tentaram evitar o julgamento popular. Após a Justiça fluminense determinar que o réu enfrentasse o Tribunal do Júri, a equipe de defesa recorreu às instâncias superiores.
Desdobramentos jurídicos do caso Ana Clara
No entanto, em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o recurso e, em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) chancelou de forma definitiva o envio do ex-policial a júri popular. O agente responde ao crime em liberdade e, após sucessivos adiamentos, o julgamento final foi formalmente agendado para o dia 5 de maio de 2027.
Flávio Bolsonaro (PL) integrou formalmente o núcleo de defesa do policial militar e assinou a petição enviada ao STJ que tentava anular o júri popular.
Enquanto a oposição e movimentos sociais criticam a atuação do senador de usar seu peso político no caso, Flávio Bolsonaro defendeu sua participação, justificando que o exercício da advocacia é uma atividade legítima e que não se deve criminalizar o direito de defesa.
Lula ou Flávio: quem vence se houver empate no segundo turno?
Mais de 150 milhões de brasileiros vão às urnas neste domingo, 25, para escolher o próximo presidente da República.
Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) terminarem o segundo turno com exatamente o mesmo número de votos válidos, a Constituição Federal determina que o candidato mais velho seja declarado vencedor.
A possibilidade ganhou destaque após a pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, 22, apontar um empate numérico nas intenções de voto, com 50% para cada candidato.
No primeiro turno, Lula e Flávio tiveram uma diferença de 1,8 ponto percentual nos votos totais, equivalente a pouco mais de 2,2 milhões de votos.


