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"A cultura baiana é acolhedora de verdade", diz turista holandesa

Holandesa especialista em software viveu imersão cultural na capital baiana

Claudia Lessa
Por Claudia Lessa
A holandesa Gamze Gunaydin
A holandesa Gamze Gunaydin - Foto: Divulgação

Desde que leu, ainda na pré-adolescência, um livro infantil sobre cultura baiana, a holandesa Gamze Gunaydin passou a alimentar o desejo de conhecer o estado. Em 2025, a especialista em software na área da saúde mental realizou o antigo sonho e veio a Salvador através do Experience Cultural Exchange, projeto de afroturismo idealizado pela arte-educadora Ingride Banzo, que promove imersões profundas na cultura afro-brasileira em Salvador e no Rio.

A jovem chegou alinhada à proposta de vivenciar isso, especialmente através da dança. Nesta entrevista, Gamze fala da expectativa de voltar à cidade para novas imersões.

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O que te motivou a conhecer a Bahia?

Quando era criança, li um livro infantil sobre a Bahia. Desde então, sempre sonhei conhecer o estado. Não existe uma razão lógica, é o tipo de coisa que a gente simplesmente não consegue explicar. Aquele livro me marcou profundamente na minha infância. Então, em 2025, quando soube do tour por Salvador, organizado por Ingride Banzo, senti que era um sinal e que eu precisava participar dessa experiência de sete dias na capital baiana.

O que mais te encantou na cultura baiana?

Fiz o tour com o meu namorado e ele não sabe dançar. Mas ninguém se importou com isso, pelo contrário, as pessoas o incentivavam o tempo todo e adoravam ver que ele tentava, errava e continuava tentando. Graças a esse acolhimento, ele foi se soltando e, no fim, começou a dançar por vontade própria. Acho que isso resume muito bem a cultura baiana. É uma cultura verdadeiramente acolhedora. Um acolhimento que vem do coração.

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Que aprendizado você leva com a imersão na dança?

A primeira vez que ouvi lambada, do Kaoma, quis aprender a dançar o ritmo. Mas, na época, não existiam aulas para crianças na Holanda. Quando completei 18 anos, a lambada já não existia mais na minha cidade. Então, escolhi o samba, do jeito que se dança no Rio de Janeiro. Mas, depois da minha visita à Bahia, posso dizer, com toda sinceridade, que a dança afro-brasileira, principalmente a afro-contemporânea, se tornou a minha mais nova e grande paixão. A música, a energia, a força e o sentimento – tudo foi algo completamente novo para mim.

A experiência vivida na prática, na Bahia, superou suas expectativas?

Sem dúvida, superou todas as minhas expectativas. Foi ainda melhor do que a imagem e o sentimento que eu carregava da Bahia desde os meus 12 anos. Acho que a melhor forma de descrever esse tour é a seguinte: cerca de 70% da experiência é viver a Bahia da maneira como a própria Ingride vive, quando está de férias. Para quem quer conhecer a Bahia da forma mais autêntica possível, eu recomendo esse tour de olhos fechados.

Voltará a Salvador para novas experiências? E o que diria a um turista que nunca visitou a Bahia?

Já vou participar do tour novamente, este ano. Desta vez, também vamos visitar um terreiro de candomblé. Estou muito animada. E para quem está pensando em conhecer a Bahia, digo que esperei 28 anos para realizar esse sonho e, sinceramente, não faço ideia do porquê. Eu deveria ter ido muito antes. As pessoas, a história, a arquitetura, a arte, as praias e, principalmente, o orgulho que os baianos têm da própria cultura são coisas que precisam ser vividas para serem realmente compreendidas.

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