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Avani Duran: "Conheciam os recantos, mas faltavam os encantos"

Coordenadora da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio-BA aponta caminhos para a Bahia

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
Coordenadora da Fecomércio detalha os impactos da tecnologia no comportamento do viajante
Coordenadora da Fecomércio detalha os impactos da tecnologia no comportamento do viajante - Foto: Divulgação / Fecomércio-BA

A coordenadora da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio-BA, Avani Duran, acumula formações em Administração de Empresas, Turismo e Música. Empresária no setor turístico há quase 40 anos, ela é sócia-diretora e presidente da operadora LR Turismo. Foi diretora da Fecomércio-BA por 30 anos e conselheira do Senac Bahia por 18. Nesta entrevista, Avani destaca as mudanças observadas no perfil dos visitantes.

Com sua vasta experiência, como avalia a mudança no perfil dos turistas?

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Com a vivência de quase 40 anos especialmente na área do turismo receptivo, recebendo passageiros de diversos países, através de portos e aeroportos em todo o Nordeste, tenho a percepção de como o comportamento na busca por lazer foi mudando ao longo dos anos. O avanço tecnológico é o principal fator que explica isso. A internet dá toda a informação que o melhor agente de viagens pode dar a um turista, em qualquer idioma. O foco hoje tem de ser o aprimoramento das experiências únicas que um turista, cada vez mais exigente e bem informado, pode vivenciar.

Tive oportunidade de estudar Turismo na Universidade de Mallorca e fazer estágio em um dos maiores operadores da Alemanha, além de participar de todos os congressos anuais da Europa, quando adquiri conhecimentos que colaboraram muito para as minhas conclusões quanto às mudanças na expectativa dos passageiros. Nas duas primeiras décadas da minha trajetória, as motivações não mudavam. Praticamente todo o mercado oferecia o mesmo city tour, criando algo novo quando as cidades ofereciam algum ponto turístico inovador. Isto era o que acontecia na era do ‘turismo analógico’, podemos dizer assim.

A partir de quando estas mudanças ficaram mais perceptíveis?

Apenas uma década atrás sentimos as mudanças se acentuarem, principalmente nos perfis de turistas jovens que ficavam entusiasmados em comprar um bilhete aéreo na internet. Algumas vezes era frustrante, pois o valor, por vezes, era mais econômico, mas a rota que eles tinham que percorrer os obrigava a dormir em hotéis, contratar transfers, além da perda de dias de viagem, o que terminava por não oferecer o melhor custo-benefício. Foi o ensaio para a mudança da expectativa da era digital.

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Como aconteceu esta mudança na prática?

Os possíveis viajantes já visualizavam nas telas todas as paisagens, pontos turísticos, restaurantes, hotéis, enfim, estava claro que o plano de viagem já estava pronto, oferecido pelo computador ou pela tela do celular. Conheciam os recantos do destino escolhido, mas faltavam, como costumo dizer, o mais cobiçado: os encantos. Ou seja, as novas experiências, forma de viver do habitante local, costumes, gastronomia singular, música, danças e artes preferidas pelos locais passaram a ser considerados o objetivo da viagem.

Os empresários precisavam criar novos tours, experiências e vivências locais. No meu caso, que dirijo a L.R.Turismo, o desafio é encantar um público internacional exigente e criar, a cada ano, um novo tour dentro destas expectativas, sempre inovando, buscando mais e mais atrativos diferenciados.

O que é decisivo para a Bahia se consolidar nesse cenário?

É de fundamental importância que tanto o poder público quanto os empresários do turismo entendam a necessidade de alterar o formato dos eventos de promoção turística e de captação de eventos. Essa mudança de foco também deve ser adotada no marketing turístico, na divulgação nas páginas da internet e redes sociais.

Nesse contexto, o papel do operador turístico, criador do produto, bem como do agente de viagem, é de fundamental importância. O discurso dos guias de turismo é outro ponto que deve sofrer também uma modificação radical. O monólogo deve ser trabalhado para ser diálogo ou troca de ideias, lembrando sempre que o passageiro já leu bastante e visualizou o destino que escolheu para o seu lazer.

A Bahia está preparada para o crescimento desse tipo de turismo?

Não nos faltam opções de experiências, basta fazer as inspeções com diferente ótica. A Bahia é rica em vivências em todas as áreas: patrimônio histórico, artes, religiosidade, gastronomia, festas populares, música e, é claro, praias – sabendo escolher, para não cair no lugar comum das praias do Nordeste ou do Caribe, sem desmerecê-las. O poder público, o empresariado turístico e a imprensa especializada deveriam caminhar muito próximos nesta nova direção.

Não podemos esquecer que estamos falando de uma das principais forças motoras da economia do estado e da geração de empregos, atividade que é representada oficialmente pela Fecomércio-BA. Esse trabalho conjunto será a forma mais rápida de chegarmos na preferência do turista, que escolherá o nosso destino e deixará resultados positivos na economia local.

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