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Produtos de origem vegetal ganham força em supermercados e restaurantes

Alimentos à base de plantas têm deixado de ser nicho

Venícius Rodrigues
Por Venícius Rodrigues
Produtos vegetal tomam conta dos cardápios
Produtos vegetal tomam conta dos cardápios - Foto: Denisse Salazar/ Ag. A TARDE

Com avanço nas prateleiras e nos cardápios, os produtos à base de plantas têm deixado de ser um nicho restrito e passado a abrir novas oportunidades para supermercados, empórios, bares, restaurantes e pequenos negócios de alimentação.

Levantamento da Scanntech, divulgado em junho, aponta que a categoria de bebidas vegetais registrou alta de 20,2% em unidades comercializadas e aumento de 11,1% no faturamento entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período, o volume total de vendas cresceu 18%, indicando maior presença dessas alternativas na rotina de consumo dos brasileiros.

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Na B-Vegan!, a demanda por produtos de origem vegetal começou a ser percebida antes mesmo da consolidação do termo plant-based no mercado. Gastrônomo de formação e proprietário do negócio, Leonardo Torres conta que a marca nasceu da união entre sua filosofia de vida e a cozinha, inicialmente com a venda de pães artesanais em feiras itinerantes.

Em 2015, a B-Vegan! foi criada e, no ano seguinte, passou a funcionar em uma loja física na Barra.

“Na época tinha uma demanda que estava crescendo por produtos de origem vegetal. Em 2016, o veganismo deu um boom e acabamos nos beneficiando disso”, afirma. Segundo ele, antes da pandemia, a empresa chegou a registrar crescimento anual “na casa dos 100%, 150%”.

Veganos, vegetarianos e oníveros

O público, no entanto, nunca foi formado apenas por pessoas veganas ou vegetarianas. Leonardo lembra que uma pesquisa feita pelo próprio restaurante, em 2017, indicou que cerca de 70% dos clientes eram onívoros. Para ele, esse perfil ajuda a explicar a permanência do negócio e a necessidade de criar pratos mais familiares ao consumidor.

“Muita gente busca diminuir a quantidade de consumo de carne e procura restaurantes como a B-Vegan! para suprir isso”, diz.

Hoje, a estratégia passa por apresentar preparos conhecidos, como bife acebolado, filé à parmegiana, estrogonofe, moqueca e feijoada, todos feitos sem ingredientes de origem animal. “Ter nomes familiares atrai mais o público e tem uma aceitação maior”, afirma.

Com a maior presença desses itens em supermercados, empórios e restaurantes, o consumo também passa a alcançar pessoas que não seguem uma alimentação vegana ou vegetariana. A ampliação da oferta cria novas oportunidades de experimentação e permite que alternativas vegetais sejam incorporadas de forma mais gradual à rotina, seja no café da manhã, em refeições fora de casa ou em preparos culinários.

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Esse movimento acompanha uma visão mais ampla de consumo consciente, ligada não apenas às embalagens e ao descarte, mas também à saúde, ao impacto ambiental e às escolhas alimentares do dia a dia.

Para Ricardo Laurino, vice-presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), a comunicação tem papel importante para aproximar o consumidor desse segmento. Segundo ele, informações claras nas embalagens e certificações ajudam tanto quem compra quanto as empresas que querem se posicionar melhor. “Quando você tem mais clareza na comunicação, quando você tem a certificação agregada ao produto, tudo isso faz com que o consumidor tenha mais tranquilidade na hora da sua escolha”, afirma.

Barreira pra expansão dos negócios

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta barreiras para chegar a um público mais amplo. Ricardo aponta que discussões sobre nomenclatura, tributação, escala de produção e presença nos grandes mercados ainda influenciam o preço e a competitividade dos produtos vegetais.

“Quando você fala um leite de vaca, você fala normalmente só leite. O leite vegetal você completa, leite vegetal, e claramente isso não confundiria o consumidor”, diz. Para ele, esses fatores ainda geram dificuldades, mas tendem a ser superados à medida que a categoria ganha escala e espaço.

Esse movimento também tem chegado à produção de marcas que atendem restaurantes, lanchonetes e buffets. Sócia da Veglac ao lado de Ingrid Pereira e Mariana Magalhães, Thabata Requião conta que brownies e cookies estão entre os itens mais procurados, enquanto os requeijões vegetais têm crescido na linha destinada ao food service.

“Nossa linha desenvolvida para restaurantes, lanchonetes e buffets já representa o terceiro maior faturamento da empresa”, afirma. Para ela, isso demonstra que a alimentação fora do lar tem ampliado o interesse por opções à base de plantas para diversificar os cardápios.

Mercado deixou de falar apenas com veganos

O público da marca, segundo Thabata, também mostra que esse mercado deixou de falar apenas com pessoas veganas. Cerca de 80% dos clientes da Veglac possuem algum tipo de restrição alimentar, principalmente relacionada ao leite e seus derivados.

“Na prática, percebemos que a discussão deixou de ser apenas sobre veganismo e passou a envolver bem-estar, diversidade alimentar e acesso a alternativas que atendam diferentes necessidades do consumidor”. Apesar das oportunidades, a empresa ainda enfrenta desafios ligados à escala de produção, fornecedores e preço.

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bares origem vegetal Veganos

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