JUSTIÇA
SBT pode ser responsabilizado por caso de estupro envolvendo Otávio Mesquita
Ex-assistente de palco afirma que emissora ignorou denúncia feita em 2023 e cobra responsabilidade por omissão
Por Redação

A comediante Juliana Oliveira está reunindo provas para acionar judicialmente o SBT, emissora na qual trabalhava quando alega ter sido vítima de estupro por parte do apresentador Otávio Mesquita. Segundo seu advogado, Hédio Silva Jr., a artista buscou apoio junto à área de compliance do canal em setembro de 2023, mas não obteve qualquer retorno da empresa. “Ela reclamou, buscou ajuda, buscou apoio, mas não obteve”, declarou o advogado em entrevista ao Estadão.
O episódio em questão ocorreu em 2016, nos bastidores do programa The Noite. Na época, Juliana auxiliava Otávio Mesquita durante as gravações. De acordo com o relato, enquanto ela o ajudava a remover equipamentos de segurança utilizados em cena, houve contato físico considerado inapropriado. Imagens do momento mostram Mesquita segurando a comediante pelas pernas e simulando movimentos sexuais.
Embora Juliana inicialmente tenha considerado o caso como assédio, a orientação jurídica foi para que fosse enquadrado como estupro, conforme os parâmetros da Lei 12.015/2009. “Ela própria ficou perplexa”, afirmou Hédio Silva Jr. A representação criminal foi protocolada na Justiça de Osasco, e o Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de investigação policial.
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A defesa de Otávio Mesquita, conduzida pelo advogado Roberto Campanella, contesta a acusação. Segundo ele, o episódio não configura estupro juridicamente e destaca o tempo decorrido até a denúncia. “Estamos falando agora quase dez anos depois”, ressaltou Campanella, afirmando ainda que Mesquita está à disposição para prestar esclarecimentos assim que for notificado oficialmente.
Como reação à denúncia, Mesquita moveu uma ação civil contra Juliana Oliveira por danos morais. O advogado afirma que qualquer valor obtido será destinado a uma ONG que apoia vítimas de violência. “Consideramos um abuso da manifestação. Se alguém aguardou quase dez anos para fazer uma acusação dessas, deveria ao menos ter procurado a parte antes de recorrer à mídia”, argumentou Campanella.
A defesa da comediante rebateu de forma contundente. “Esse script é tão antigo quanto supremacista: o estratagema de tentar transformar vítimas em algozes!”, criticou Hédio Silva. Desde que o caso veio à tona, Juliana tem sido alvo de ataques nas redes sociais. “O tempo de funcionamento da Justiça não é o mesmo da internet”, completou o advogado, reprovando o julgamento público precipitado enfrentado por sua cliente.
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