MMA
André Mascote volta ao UFC após um ano: "Tenho nível para top 5"
Lutador baiano encara o peruano Kevin Borjas neste sábado, 20, em Las Vegas


Invicto no MMA profissional e com quatro vitórias em quatro lutas no UFC, André Lima passou um ano longe do octógono - mas não esconde a confiança em voltar. O baiano, conhecido como "Mascote", retorna neste sábado, 20, em Las Vegas, contra o peruano Kevin Borjas, em duelo válido pela divisão peso-mosca.
Para ele, no entanto, o retorno é uma oportunidade de provar que já está pronto para enfrentar atletas ranqueados e disputar espaço entre os melhores da categoria, mesmo ainda estando fora do ranking.
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André afirma que se vê em nível superior ao de nomes que hoje ocupam espaço no top 15 do peso-mosca, acreditando que sua sequência no Ultimate, somada à evolução nos treinos e à cobrança pessoal por desempenho, já o coloca em condição de encarar adversários mais estabelecidos.
"Eu sei que tenho potencial para estar no nível do top 15, top 10, top 5, por conta do que me cobro em treinamento, em evoluir, em tudo", afirmou André, em entrevista exclusiva ao Portal A Tarde.
Ao projetar possíveis próximos passos, cita nomes como Alex Perez, Tim Elliott e Bruno "Bulldog" Silva como adversários que gostaria de enfrentar para abrir caminho no ranking. Para ele, a luta contra Borjas precisa ser o último degrau antes de um teste maior.
"O Alex Perez é o que eu pretendo lutar. Pretendo pedir ele, que finalmente abre a porta do top 15. Acredito que estou num nível acima dele. O Tim Elliott, com todo respeito, tem 39 anos, já teve a fase boa dele no UFC, está há quase 10 anos no top 15. É um cara que eu pretendo enfrentar, que acredito estar num nível acima. Bruno Bulldog também acredito que estou num nível acima", disse.
"Do top 15, eu acredito que a maioria ali, para conseguir fazer frente comigo, só o top 5 mesmo. Esses adversários específicos que falei, acredito que consigo vencer tranquilamente e mostrar que estou pronto para esse nível a mais", completou.
Luta contra Borjas
No entanto, se André quer convencer o UFC de que merece um ranqueado, precisa vencer e, preferencialmente, vencer bem. A luta em Las Vegas, então, chega com valor de vitrine, especialmente depois de um período de inatividade que interrompeu uma ascensão rápida dentro da organização.
Com quatro vitórias no Ultimate, André mira a quinta consecutiva, e usa a comparação com outros nomes da categoria para reforçar a cobrança por reconhecimento.
"Vencendo ele, vou estar numa posição de cinco vitórias consecutivas, se Deus quiser. O Kape tem cinco e é número dois do mundo, e eu não estou nem no ranking. Então acredito que chegou a hora de me colocarem com os top 15 do mundo, para eu mostrar meu valor e, se Deus quiser, em breve estar disputando title shot ou cinturão", afirmou.

Retorno com fome de estreante
Apesar da confiança, André não trata o retorno como uma formalidade. Depois de mais de um ano sem lutar, o baiano diz viver a semana do combate com uma energia parecida com a de sua estreia no UFC.
"Eu estou com a fome de um estreante. Estou na fight week aqui parecendo que estou estreando, só que eu já tenho cinco lutas no UFC. Tenho essa bagagem, mas estou com a fome como se fosse estrear", disse.
Ao longo de toda a carreira, André sempre se acostumou a competir com frequência. Antes do MMA, já mantinha rotina ativa no jiu-jitsu, boxe e kickboxing, e quando chegou ao UFC, conseguiu emendar lutas em sequência e se sentiu confortável com o ritmo.

"Eu sou uma pessoa que a vida inteira sempre me mantive ativo lutando. Em todas as modalidades que treinei, sempre competia: no jiu-jitsu, no boxe, no kickboxing. Quando cheguei no UFC, continuei tendo essa sensação de lutar sempre. A cada três, quatro meses, eu estava lutando", contou.
A sequência reforçava a sensação de crescimento. André passou pelo Contender Series, estreou no Ultimate e manteve calendário movimentado. Para ele, aquilo era a confirmação de um sonho.
"Estava indo tudo bem. Foi algo que estava muito confortável para mim. Eu falava: 'Estou vivendo um sonho, lutando no UFC toda hora'", lembrou.
Lesão no ombro interrompeu sequência
A pausa começou depois da luta de março de 2025. André tinha um novo compromisso encaminhado para agosto, contra Felipe Bunes, mas uma lesão no ombro mudou os planos. O problema começou com dores e limitação nos treinos de grappling, até que os exames indicaram risco de agravamento.
"Eu tive uma lesão no ombro. Estava sentindo muitas dores, não conseguia treinar a parte de grappling, a luta agarrada. Foi agravando cada vez pior. Fizemos uma ressonância e o médico falou que meu ombro estava para estourar", explicou.
Diante do alerta, Mascote optou por sair da luta, preferindo não arriscar uma lesão mais grave em um momento em que vinha ativo e com bons resultados.

"Eu preferi não lutar com essa lesão. Falei: 'Não tenho nada a provar. Estou lutando toda hora, acabei de lutar agora'. Então saí dessa luta porque preferi não arriscar meu ombro", relembrou.
Depois, o UFC ofereceu outro combate com pouco mais de 30 dias de antecedência. O prazo, em uma situação normal, poderia ser suficiente, mas André vinha de recuperação, uso de medicação e preocupação com o corte de peso.
"Pedimos para dar resposta na segunda-feira por conta da logística do peso, mesmo tendo 30 e poucos dias, que é um tempo bom. Mas, como eu estava vindo de lesão, tomando medicação, eu tinha medo de falhar", explicou.
Então, André teve luta marcada para abril, mas o adversário se machucou. Depois disso, viu dois combates contra o sul-coreano Dong Hun Choi caírem por problemas do rival.
Kevin Borjas, agora confirmado como adversário, chegou a ser cogitado anteriormente para enfrentá-lo no Canadá, mas não conseguiu visto, adicionando mais uma luta à lista de cancelamentos vividos por Mascote até retornar ao ringue.
"Vi minha categoria andando"
A pior parte, no entanto, foi acompanhar a divisão peso-mosca se movimentando enquanto ele permanecia parado. O brasileiro viu atletas subirem no ranking, outros ganharem grandes lutas e nomes que considera de nível inferior receberem oportunidades que ele acredita já merecer.
"Foi muito ruim para mim, muito frustrante. Eu vi minha categoria andando. Vi o Joshua Van, que quando eu estreei nós tínhamos praticamente uma luta fechada e a equipe dele acabou não aceitando, ser campeão", disse.

"Vi vários caras que eu acredito que não estão no meu nível entrarem no ranking. Vi o Kape, vindo de derrota, sendo nocauteado, lutar main event com o Moreno. Foi muito frustrante ver as coisas acontecendo", desabafou.
"Ver a categoria girando e eu parado ali, sabendo que tenho nível bom para estar no meio dos grandes, foi muito difícil", completou.
Dana White como combustível
O retorno, então, vem com um misto de vontade de estrear, de reocupar seu lugar e, claro, de fazer jus à expectativa que já foi colocada nele, especialmente por uma fala antiga de Dana White.
Após o Contender Series, o presidente do UFC elogiou o brasileiro e afirmou que ele era um lutador especial, com chance de ser campeão. Para Mascote, esse momento se tornou uma espécie de confirmação externa daquilo que já sentia internamente.
"Caiu a ficha quando o Dana White falou no Contender que eu era um garoto especial, que tinha grande chance de ser campeão. Eu falei: 'É o que eu tenho aqui dentro de mim, o sonho de ser campeão é possível'", disse.

"O Dana White não ia jogar palavras fora, ele não tem nada a ganhar ali. Eu senti que foi de verdade e guardei aquelas palavras dentro de mim. Falei: 'É possível, e eu vou para cima'", completou.
O sonho de cinturão, segundo André, vem de longe. Antes do MMA, ele já buscava reconhecimento em outras modalidades, querendo ser campeão mundial no jiu-jitsu, no kickboxing e no muay thai. Com a migração para o MMA, passou a enxergar o UFC como o caminho para realizar esse objetivo.
"Eu sou uma pessoa que me cobro muito. Desde quando entrei no UFC, me cobro dobrado para evoluir e estar bem treinado sempre. Meu sonho é ser campeão mundial. Eu não tive a oportunidade de ser campeão mundial no jiu-jitsu, meu sonho era ser no kickboxing, não deu certo. No Muay Thai, outros planos me guiaram para o MMA. Então, o que eu tenho para realizar esse sonho de criança é no MMA", disse.
Sem subestimar
Do outro lado do sonho, então, estará Kevin Borjas, peruano contratado por meio do Contender Series. O adversário vive situação oposta à de André no UFC - em cinco lutas na organização, venceu apenas uma, aparecendo pressionado pelo risco de ver sua permanência no plantel ameaçada em caso de novo revés.
Mesmo assim, Mascote evita tratar o confronto como simples obrigação. Para ele, Borjas merece respeito por aceitar desafios duros e por já ter oferecido perigo a nomes valorizados da categoria.
"Kevin Borjas é um adversário por quem tenho o máximo respeito. Antes dessa luta, o Mick ofereceu meu nome para vários caras e vários não aceitaram. Ranqueado mesmo não aceitou. Fugiram quando o telefone tocou e meu nome foi jogado na mesa", afirmou.

"Apesar de ter o cartel irregular, ele nunca fugiu de luta. Eu sou um adversário, acredito, muito perigoso para qualquer um, e ele aceitou lutar comigo. Aceitou lutar com o Joshua Van, deu flash knockdown no Joshua Van, deu flash knockdown no último adversário. Então é um cara que eu não posso subestimar", avaliou.
A postura, segundo o brasileiro, precisa ser de imposição sem excesso de confiança. "Tenho que entrar ali para fazer meu trabalho limpo, impor meu jogo e, se Deus permitir, vencer. Não posso subestimar nenhum atleta que está dentro do UFC", opinou.
"A partir do momento que você chegou no UFC, não é qualquer um. Você está lutando com os melhores do mundo. Tenho que reconhecer meu nível, reconhecer o nível dele e fazer meu trabalho", completou.

André afirma que, nas últimas aparições, já enxergava o UFC como um ambiente familiar. Agora, depois de tanto tempo parado, o retorno ganhou outro peso. "Nas minhas últimas lutas, eu estava vindo de uma sequência grande de vitórias e o UFC já era algo normal", explicou.
"Como estou muito tempo sem lutar, estou com a fome de um estreante, e para mim, não vai ser mais um dia normal. Vai ser um dia que eu vou com muita fome, muita vontade e muita sabedoria. Essa luta é especial para mim", garantiu.
Mais carinho, público!
Além de mirar o ranking, André quer também ampliar sua conexão com o público brasileiro. Hoje, o lutador deseja ser visto com mais carinho e confiança pelos fãs, porque acredita ter condições de representar o país em uma futura disputa de cinturão.
"Eu queria mostrar para todos que ainda não depositam total confiança em mim para ficarem ligados. Acredito que sou uma realidade para mostrar para o Brasil que posso representar todos vocês no mais alto nível, representar um dia no cinturão. Queria que a galera olhasse para mim com mais carinho", pediu.
"Quando entrei no UFC, meu sonho, além de me tornar um grande atleta, era me tornar uma grande estrela no Brasil e no UFC. Então eu preciso receber esse carinho do povo para saber que estou no caminho certo, tendo apoio da galera. Isso é muito importante", comentou.

O baiano reconhece que já chegou ao Ultimate com uma base de fãs construída no kickboxing e sente orgulho de representar a Bahia no maior palco do MMA. "Na Bahia e no Brasil, a galera me acolhe bem. Sou muito privilegiado", reconheceu.
"Já cheguei no UFC tendo um grande carinho da galera e muitas pessoas me acompanhando por conta do kickboxing. Antes de chegar no UFC, já tinha muita gente que falava que era meu fã, que me acompanhava, que queria me ver no UFC, que depositava essa confiança em mim", disse.
"Podendo lutar no UFC hoje, eu sinto que represento essas pessoas. Representar a Bahia e o Brasil é algo inexplicável.O Nordeste mais uma vez no maior palco do mundo", completou.


