JUSTIÇA
CazéTV é invesigada Justiça por propaganda de bets na Copa do Mundo
Caso envolve narradores e comentaristas em ações de divulgação de plataformas de apostas


O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, abriu nesta quarta-feira, 24, um procedimento para investigar se a CazéTV teria cometido prática de propaganda abusiva na divulgação de casas de apostas durante transmissões da Copa do Mundo.
A apuração tem como base três jogos transmitidos entre os dias 21 e 23 de junho, nos quais narradores e comentaristas teriam incentivado, em tempo real, o público a realizar apostas esportivas. Após ser notificado, o canal se comprometeu a revisar suas práticas publicitárias, segundo o Ministério.
Episódios sob investigação
O documento que formaliza a abertura do procedimento, assinado pelo diretor substituto do órgão, Daniel Amaral Nunes Carnaúba, detalha três situações consideradas sensíveis.
No duelo entre Uruguai e Cabo Verde, no domingo, 21, a transmissão teria incentivado o uso da plataforma KTO para apostas esportivas. Já na partida entre Argentina e Áustria, na segunda-feira, 22, comentaristas destacaram uma alteração de odds da Betnacional, que passou de R$ 3 para R$ 4, classificando o movimento como uma “segunda chance” para o público.
Segundo o Ministério, esse tipo de abordagem pode reforçar de forma artificial o apelo das apostas e induzir o espectador a uma decisão imediata.
O terceiro episódio ocorreu na terça-feira, 23, durante o intervalo de hidratação da partida entre Inglaterra e Gana. Na ocasião, o narrador Galvão Bueno conduziu uma ação publicitária da Betnacional, convidando o público a “colocar a paixão em jogo” e a acessar o site da operadora por meio de um QR Code exibido na tela.
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Regras e fundamentos da investigação
No ofício, Carnaúba cita uma portaria de 2024 da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que proíbe anúncios que sugiram facilidade de lucro, incentivem apostas compulsivas ou estimulem ações imediatas do consumidor.
O documento também se baseia no Código de Defesa do Consumidor, que classifica como abusiva a publicidade capaz de explorar vulnerabilidades do público ou induzir comportamentos de risco.
Ainda segundo o texto, os elementos reunidos indicam participação direta de narradores e comentaristas na promoção das casas de apostas, “inclusive por meio de manifestações sobre a probabilidade de determinados resultados esportivos e sobre a atratividade das apostas disponibilizadas pelas operadoras patrocinadoras”.
A Secretaria de Prêmios e Apostas, consultada pelo jornal Estadão, afirmou ter identificado possíveis irregularidades tanto por parte das operadoras quanto da própria CazéTV durante o período da Copa do Mundo.


