E.C.BAHIA
Remo x Bahia: o que o Esquadrão precisa para o 'milagre' na Copa do Brasil
Tricolor precisa quebrar tabu histórico, vencer temporal, pressão e crise para seguir vivo na competição


O Esporte Clube Bahia entra em campo na noite desta quarta-feira, 13, carregando mais do que uma simples obrigação esportiva. A partir das 21h30, no Estádio Mangueirão, em Belém, o Tricolor encara o Remo em um cenário de 'tudo ou nada' pela 5ª fase da Copa do Brasil. Depois da derrota por 3 a 1 na Arena Fonte Nova, o time comandado por Rogério Ceni precisará protagonizar um verdadeiro 'milagre' fora de casa para avançar às oitavas de final.
A matemática é cruel. O Esquadrão precisa vencer por três gols de diferença para garantir a classificação direta. Caso triunfe por dois gols, a decisão será nos pênaltis. Qualquer empate, derrota ou vitória simples elimina o clube baiano da competição nacional.
Um fantasma que persegue o Bahia
A história também joga contra o Tricolor. O Bahia jamais conseguiu reverter uma desvantagem de dois gols em mata-matas da Copa do Brasil. Pior: nunca avançou fora de casa após perder o jogo de ida da competição nacional.
O retrospecto transforma a partida desta noite em uma das mais delicadas da temporada — talvez a mais simbólica desde a eliminação precoce para o O’Higgins, ainda no primeiro semestre, que abalou o planejamento esportivo e financeiro do clube.
Agora, o cenário é parecido: pressão externa, desgaste emocional e um time que chega para a decisão em baixa.
Nos últimos sete jogos, o Bahia venceu apenas uma vez. A sequência negativa aumentou a cobrança da torcida e fez o ambiente nos bastidores ferver às vésperas da decisão no Pará.

“Pela nossa honra”
Depois da derrota para o Cruzeiro, na Arena Fonte Nova, Rogério Ceni resumiu o tamanho do confronto em poucas palavras.
“Pela nossa honra mesmo, pela nossa imagem.”
A declaração escancarou o peso emocional da partida no Mangueirão. Mais do que a vaga e os milhões em premiação, o Bahia tenta salvar a própria confiança em meio ao momento mais turbulento da temporada.
O próprio treinador admitiu a fragilidade da equipe.
“É um momento de fragilidade. Precisamos de luta para sobreviver a esse momento difícil.”
Internamente, o duelo passou a ser tratado como divisor de águas. Uma eliminação precoce pode aumentar ainda mais a pressão sobre o trabalho de Rogério Ceni, que já convive com questionamentos da torcida após a sequência ruim.

Farpas públicas aumentam temperatura
O clima pesado no Bahia deixou de ficar apenas nos corredores do CT.
Após a derrota para o Cruzeiro, jogadores admitiram publicamente que o elenco também tem responsabilidade pela má fase. O volante Erick foi direto ao comentar o momento vivido pelo clube.
“Tem a culpa do treinador, tem a culpa dos atletas também. Precisamos melhorar.”
Já Willian José foi ainda mais incisivo ao citar nominalmente Rogério Ceni durante a análise da derrota.
“Eu tenho que melhorar, o grupo tem que melhorar, o Rogério tem que melhorar.”
As declarações aumentaram a percepção de desgaste interno em meio à pressão por resultados.
Leia Também:
Bahia perde referência ofensiva
O atacante, Willian José, não viajou para Belém após sofrer uma torção no tornozelo diante do Cruzeiro. Com isso, Rogério Ceni será obrigado a mexer no setor ofensivo.
O substituto natural deve ser Everaldo, homem de confiança do treinador e reserva imediato da posição. Outra alternativa é o jovem Dell, embora a tendência seja de que ele inicie novamente no banco.
Sem Willian José, o Bahia perde justamente seu principal centroavante em um jogo no qual precisará ser agressivo desde os primeiros minutos.

Temporal vira adversário extra no Mangueirão
Como se a missão já não fosse complicada o suficiente, o clima em Belém promete transformar a partida em uma verdadeira batalha.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) aponta chuva intensa durante toda a noite, com possibilidade de precipitações de até 30 mm por hora e ventos de até 60 km/h. O alerta amarelo segue ativo na capital paraense.



