E.C.VITÓRIA
Em defesa do Vitória, FBF denuncia privilégio do Atlético-MG na FFU
Entidade denuncia tratamento desigual em relação ao Galo


A Federação Bahiana de Futebol (FBF) formalizou uma representação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para defender os interesses do Vitória no impasse envolvendo a Sports Media Entertainment (SME) e a liga Futebol Forte União (FFU).
A entidade sustenta que o clube baiano estaria recebendo tratamento diferente do Atlético-MG, apesar de ambos terem firmado acordos semelhantes ao deixarem a Libra para integrar a FFU. A informação foi divulgada pelo site Arena Rubro-Negra.
O tema ganhou repercussão após o presidente rubro-negro, Fábio Mota, afirmar que apenas o Vitória sofre retenção de 15% de suas receitas, enquanto o Atlético-MG, que assinou contrato nos mesmos moldes, não estaria submetido ao mesmo procedimento.
“Os contratos são iguais. São padrão, são iguais para todos. O que você muda é o que você vendeu, se 15% , se 20%, se 30%. No meu caso foi 15%, o dele também foi 15%. O contrato é padrão, então. São iguais, iguais com todos os clubes do Brasil, todos são iguais. E todos descontam, todos, todos estão descontando. O único que não está descontando é o que foi junto comigo. Do ponto de vista técnico, há um desequilíbrio, porque, quando você tem um desequilíbrio do ponto de vista financeiro, você tem um desequilíbrio do ponto de vista técnico. Então, não dá para a FFU tratar casos iguais lá dentro, com dois pesos e duas medidas”, afirmou Fábio Mota.
FBF questiona tratamento desigual
Presidente da FBF, Ricardo Lima confirmou que a entidade ingressou com a petição no Cade e defendeu que clubes em condições idênticas recebam o mesmo tratamento. Para ele, a diferença apontada pelo Vitória ultrapassa a esfera contratual e pode gerar impacto esportivo.
“É completamente inaceitável essa situação que se descobriu agora. Dois clubes fazem o mesmo acordo, mas recebem tratamentos completamente distintos. Não há razão para que só o Vitória esteja sendo vítima desses descontos de 15%. Isso aí já sai do plano do investimento e entra no campo desportivo. É o investidor se achando dono do jogo, decidindo com quanto cada time vai competir. Vamos lutar em todas as instâncias para que o Vitória receba tratamento isonômico e o futebol baiano não seja menosprezado”, disse Lima.
O Vitória oficializou sua saída da Libra no segundo semestre do ano passado para aderir à FFU, repetindo o movimento realizado pelo Atlético-MG. Embora os contratos anteriores permaneçam vigentes até 2029, o clube baiano já recebeu R$ 68,2 milhões pela operação financeira relacionada à mudança de bloco.
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Federação pede transparência nos contratos
Na manifestação encaminhada ao Cade, a FBF afirma que não possui acesso aos contratos celebrados entre a Sports Media Entertainment (SME) e os clubes e, por isso, solicita que esses documentos sejam anexados ao processo.
A entidade argumenta que cada negociação foi conduzida de forma individual, sem que os clubes tivessem conhecimento das condições oferecidas aos demais participantes, o que, segundo a federação, compromete a transparência.
Entre os pedidos apresentados estão a divulgação dos contratos firmados, dos valores retidos em 2026, dos critérios utilizados para eventuais diferenças de tratamento entre os clubes e a garantia de isonomia para equipes que disputam a mesma competição. A FBF também requer que o Cade impeça o uso de retenções financeiras como mecanismo para dificultar ou desestimular a saída de clubes da FFU.
Entenda o caso
A discussão teve início em junho, quando o CSA apresentou representação ao Cade questionando a atuação da SME. Na ocasião, o órgão determinou, em caráter preventivo, que a empresa não criasse obstáculos para a saída de clubes do Condomínio Forte União até a conclusão do processo.
Desde então, outros integrantes da FFU, como Botafogo, Cruzeiro e Operário, também solicitaram esclarecimentos sobre os contratos. O Corinthians chegou a encaminhar uma notificação extrajudicial indicando a possibilidade de deixar o bloco, alegando preocupações relacionadas à legislação concorrencial.
Com a entrada da FBF no processo, o Cade passa a analisar novos pedidos apresentados pela entidade, que busca assegurar tratamento igualitário ao Vitória e aos demais clubes que estejam em situação semelhante.


