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FORA DE TORNEIOS DA CBV

Gabi Guimarães critica veto a Tifanny em jogos de vôlei por ser trans

A nova política da CBV vetou a participação de mulheres trans em torneios nacionais como a Superliga

Marina Branco
Por
Tifanny Abreu
Tifanny Abreu - Foto: Reprodução I Instagram

A nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pode ter um impacto direto em diversas atletas brasileiras - o veto à participação de mulheres trans em torneios como a Superliga.

Uma delas, por exemplo, é a jogadora Tifanny Abreu, única atleta trans no vôlei de clubes brasileiro, que pode vir a ser impedida de disputar competições nacionais femininas e recebeu o apoio de nomes importantes do vôlei brasileiro.

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Capitã da Seleção Brasileira, Gabi Guimarães usou as redes sociais para criticar a forma como o caso foi conduzido e manifestar apoio à oposta do Osasco. Bicampeã olímpica, Sheilla Castro também se posicionou a favor da jogadora e defendeu que, além da discussão sobre regras e elegibilidade, o caso seja tratado a partir do impacto humano na vida e na carreira de Tifanny.

Tifanny Abreu
Tifanny Abreu - Foto: Reprodução I Instagram

Posicionamento de Gabi

Em uma publicação nas redes sociais, Gabi afirmou sentir "revolta" e "incômodo" com a forma como a situação de Tifanny vem sendo tratada no país. A ponteira questionou a mudança de rumo comunicada pela CBV e disse que a decisão foi tomada sem explicação plausível e sem considerar a trajetória da atleta.

"Aconteceu uma mudança de rumo na última semana que foi apenas comunicada às pessoas envolvidas. Sem explicação plausível, já que a regra internacional já existia antes, e sem nenhum olhar pra um ser humano que tem uma história, que está com uma temporada em andamento e que depende do seu trabalho para viver", escreveu Gabi.

Gabi Guimarães
Gabi Guimarães - Foto: Reprodução I Instagram

A capitã da Seleção também questionou quem foi considerado no processo de decisão e lembrou que Tifanny disputa a Superliga há nove anos.

"A mudança foi planejada ou pensada por quem? Defendendo os interesses de quem? Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tiffany, em como isso impactaria a vida dela?", questionou.

"Já são nove anos disputando Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?", completou.

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"Quem vai estar na guerra ao seu lado?"

Em seu posicionamento, Gabi ressaltou que, ao longo da carreira, deixou de falar em alguns momentos por medo ou insegurança, mas disse que o silêncio nem sempre é o caminho correto.

A atleta também criticou o apoio pontual a causas LGBTQIA+, especialmente durante o mês de junho, e cobrou coerência de quem utiliza símbolos da causa, mas se cala diante de situações concretas de preconceito.

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"É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?", escreveu.

Gabi ainda citou ataques recentes sofridos pela Seleção Masculina e afirmou que o direito de ser quem se é não pode estar condicionado a vitórias esportivas.

Sheilla também presta apoio

Sheilla Castro, bicampeã olímpica e ex-capitã da Seleção Brasileira, também se manifestou em defesa de Tifanny. A ex-jogadora afirmou que a atleta construiu sua carreira cumprindo os critérios definidos pelas próprias entidades esportivas e que agora vive uma situação com impacto direto em sua vida profissional e pessoal.

Sheilla Castro
Sheilla Castro - Foto: Reprodução I Instagram

"No meio de tantas opiniões, discussões e julgamentos, acho importante não esquecer de quem está vivendo tudo isso. Porque tem horas em que, para além da discussão sobre regras e elegibilidade, precisamos olhar para a pessoa. Para a Tiffany", disse.

"Para a atleta que construiu sua história dentro das quadras. Hoje eu só quero deixar aqui meu respeito, meu carinho e meu apoio a ela", escreveu.

Outras jogadoras se posicionam

O apoio a Tifanny também veio de outras figuras do vôlei, a exemplo de Fabi Alvim, bicampeã olímpica e atual comentarista, que publicou uma frase do poeta Manoel de Barros após a divulgação da nova diretriz da CBV, elogiando o posicionamento de Gabi.

Valquíria, ex-companheira de Tifanny e atual central do Fluminense, comentou nas redes sociais que está ao lado da atleta e afirmou, após jogo do Osasco, que Tifanny "não tem que provar nada para ninguém".

Companheiras de equipe, como a líbero Key Alves, também manifestaram apoio público à jogadora do Osasco.

Tifanny Abreu e Key Alves
Tifanny Abreu e Key Alves - Foto: Reprodução I Instagram

Tandara comemora decisão da CBV

As reações, no entanto, não foram unânimes. Tandara Caixeta, ex-companheira de clube de Tifanny, celebrou a decisão da CBV. A ex-jogadora comentou "Vitória!" em uma publicação da também ex-atleta Patrícia Borges, que comemorava o banimento.

Tandara sempre se posicionou contra a presença de atletas trans no vôlei feminino, embora tenha participado da articulação para a contratação de Tifanny pelo Osasco na temporada 2021/22.

Tandara pela Seleção Brasileira de vôlei
Tandara pela Seleção Brasileira de vôlei - Foto: Reprodução I Instagram

As duas, porém, não chegaram a atuar juntas, já que Tandara cumpria suspensão por doping, válida até julho de 2027, e anunciou aposentadoria das quadras em fevereiro deste ano.

Osasco avalia próximos passos

O Osasco também se manifestou sobre o caso. Em nota, o clube afirmou que, junto ao departamento jurídico, avalia a normativa publicada pela CBV para definir os próximos passos.

A equipe também reforçou apoio a Tifanny e destacou compromisso com o respeito e a valorização de todas as pessoas que fazem parte da história do clube.

Tifanny Abreu
Tifanny Abreu - Foto: Reprodução I Instagram

Tifanny promete lutar por direitos

Após a decisão da CBV, Tifanny afirmou que não pretende se calar, garantindo que tomará todas as medidas possíveis para defender seu direito de seguir atuando e ressaltando que seus anos de carreira não foram em vão.

"Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenham sido em vão. Meus 10 anos não foram em vão e vou lutar por eles e por todos vocês", declarou.

Tifanny Abreu
Tifanny Abreu - Foto: Reprodução I Instagram

Apesar da restrição em competições nacionais da CBV, Tifanny recebeu aval da Federação Paulista de Vôlei para seguir disputando o Campeonato Paulista Feminino, já que a competição começou antes da nova regra.

Entenda a nova política da CBV

A CBV anunciou na sexta-feira, 14, a adoção de uma nova política de elegibilidade para competições femininas, alinhada às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

Pela regra, atletas precisarão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino. A recusa em realizar a triagem não será tratada como infração disciplinar, mas a atleta que não comprovar elegibilidade ficará impedida de competir.

Tifanny Abreu
Tifanny Abreu - Foto: Reprodução I Instagram

A medida passa a valer para competições como a Superliga A e B 2026/27, Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 e CBVP Challenger 2027.

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