VASCO
Gigante da Série A quer empréstimo de R$ 120 milhões antes da SAF
Clube busca novo aporte milionário para reforçar o caixa antes da conclusão de venda da SAF


O Vasco trabalha na possibilidade de contratar um novo empréstimo no modelo DIP (Debtor-in-Possession), modalidade utilizada em empresas que estão em recuperação judicial. A operação pode superar os R$ 200 milhões já aportados indiretamente pelo empresário Marcos Lamacchia, da Almirante Participações, grupo que aparece como favorito no processo de compra de 90% da SAF vascaína, segundo informações do jornalista Diogo Dantas, de O Globo.
A movimentação acontece em meio à necessidade de reforço no caixa do clube para o restante da temporada. No ano passado, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou o Vasco a contratar um empréstimo de R$ 80 milhões. Em 2026, o clube recebeu R$ 120 milhões pela venda de Rayan ao Bournemouth e, posteriormente, obteve mais R$ 40 milhões por meio de outro empréstimo.
Agora, a diretoria busca uma operação mais robusta para fechar o ano. Uma das possibilidades seria antecipar, de uma só vez, os R$ 120 milhões previstos em duas parcelas. O valor, porém, ainda pode ser superior.
Novo aporte depende do avanço da venda da SAF
Marcos Lamacchia está ciente da necessidade financeira do Vasco, mas pretende aguardar o avanço do processo competitivo para a venda da SAF antes de liberar novos recursos ao clube.
O Vasco tenta convencer a juíza responsável pelo processo a acelerar a publicação do edital que dará início à concorrência pela compra da SAF. A expectativa é que um eventual novo empréstimo seja contratado posteriormente, com os recursos destinados ao fluxo de caixa operacional e ao pagamento de compromissos com credores e jogadores.
A Almirante Participações e Empreendimentos S.A. largou na frente como investidora-âncora do processo. A empresa poderá apresentar uma proposta inicial e possui direito de preferência em relação a eventuais ofertas superiores.
Caso a Crefisa volte a apresentar uma proposta, desta vez com valores mais altos ou condições financeiras mais vantajosas, a Almirante terá a possibilidade de igualá-la, conforme previsto no acordo firmado com o Vasco.
O presidente Pedrinho explicou como funcionará o mecanismo durante o processo competitivo: "Havendo uma proposta maior, ele tem o direito de igualar essa proposta. Igualando, ele (Lamacchia) fecha o negócio. Se não tiver maior que a dele, a proposta dele vence e a gente vai para os ritos normais. Passando pelo Deliberativo, depois os votos na Assembleia Geral e finaliza a operação".
Pedrinho também demonstrou confiança no futuro financeiro do clube caso a operação seja concluída:
"Estou confiante, otimista e empolgado. São valores muito importantes para a instituição. Não estou falando sobre o investimento agora e ganhar título ano que vem, pode acontecer, mas não é sobre isso. É sobre o contrato de um investidor com CNPJ no brasil, uma holding bilionária, a gente sabe do carinho que eles tem pela instituição. Vai ter um Vasco sem qualquer problema financeiro durante a sua existência", afirmou.
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Relatório aponta pressão sobre o caixa do Vasco
A situação financeira do clube segue como um dos principais fatores para a busca por novos recursos. O relatório mensal elaborado pelo administrador judicial e divulgado no início de agosto apontou uma "forte pressão sobre o fluxo operacional" tanto do Vasco quanto da SAF.
A publicação do documento ocorreu após uma determinação da Justiça no processo de recuperação judicial. Em junho, o Judiciário interveio na SAF vascaína e, posteriormente, devolveu ao presidente Pedrinho o comando da empresa.
Entenda o processo de venda da SAF
Após reassumir o controle da SAF, Pedrinho levou à Justiça um pedido de autorização para a realização de uma operação de UPI Equity envolvendo a empresa. Na prática, o mecanismo permite a abertura de um processo competitivo para a revenda da SAF.
A Almirante Participações aparece como stalking horse, expressão utilizada para definir o investidor que estabelece as condições iniciais de uma disputa competitiva. Dessa forma, o acordo firmado entre o Vasco e a empresa de Lamacchia serve como referência para eventuais interessados que decidam participar do processo.
O grupo também possui o chamado right to match, mecanismo que permite cobrir uma eventual proposta superior apresentada por outro investidor.
Entre as condições estabelecidas no acordo estão um aporte de R$ 500 milhões no futebol, a garantia de pagamento das dívidas e obrigações relacionadas à recuperação judicial, receitas suficientes para cobrir as despesas do clube durante cinco anos e investimentos de R$ 120 milhões no centro de treinamento.
O acordo também prevê restrições à revenda das ações pelo período de dez anos, entre outras condições.
No pedido apresentado à Justiça, o Vasco argumenta que as negociações com a Almirante já avançaram significativamente e que a possibilidade de participação de outros investidores está aberta ao mercado.
O clube também sustenta que a formação de uma nova SAF não representaria a alienação das ações da 777 Carioca nem anteciparia questões relacionadas à disputa societária envolvendo as partes.
Outro ponto apresentado pelo Vasco é a necessidade de obter liquidez rapidamente. A diretoria considera a revenda da SAF um mecanismo previsto no plano de recuperação judicial e defende que a conclusão da operação ocorra com celeridade.
A atual janela de transferências também é apontada como um fator relevante para a conclusão do processo. A chegada de novos investimentos permitiria ao clube reforçar o elenco e buscar melhores resultados esportivos, além de reduzir o risco de uma queda de receitas em caso de eventual rebaixamento.
Para o Vasco, uma eventual queda para a Série B poderia comprometer as finanças do clube e dificultar a execução das medidas previstas no plano de recuperação judicial.


