Artes vindas de mãos que nasceram na Região da Chapada Diamantina, em Itaeté, agora vão dar rosto ao maior evento do futebol feminino mundial. Aju Paraguassu, artista baiana, foi escolhida pela FIFA para passar para a tela a alma e as cores de Salvador na Copa do Mundo Feminina 2027, que acontecerá no Brasil. A capital baiana será uma das oito cidades-sedes que irão recepcionar os jogos das seleções femininas durante o evento.
O portal A TARDE conversou com exclusividade com a artista, onde podemos dizer que "a mágica acontece".

Com um estilo marcado pela vibração e saturação de cores, Aju busca traduzir a energia do povo preto e a estética soteropolitana em suas telas. Segundo a artista, a capital baiana foi fundamental em sua formação, "enegrecendo" seu ponto de vista cultural e artístico.
Salvador é uma cidade que me 'enegreceu' muito, tanto do ponto de vista cultural e estético quanto do ponto de vista de como viver e ver o mundo.
“Salvador é uma cidade que me 'enegreceu' muito, tanto do ponto de vista cultural e estético quanto do ponto de vista de como viver e ver o mundo. Então, acho que essa força do povo preto daqui de Salvador é uma busca na vibração, na alegria, na energia que se tem. Isso se apresenta nos desenhos; é uma coisa que eu busquei", declarou".
Quem é Aju Paraguassu?
Aju Paraguassu é uma artista e ativista baiana. Nascida e criada na Chapada Diamantina, mora em Salvador há mais de 20 anos. Ela é formada em Desenho Industrial pela Escola de Belas Artes da UFBA e, há mais de uma década, atua como diretora de arte e fundadora da Moringa Estúdio.
O momento do "gol marcado"
Aju comentou sobre o momento em que descobriu que a sua arte seria utilizada como uma das faces da Copa do Mundo Feminina e afirmou ainda estar entendendo a dimensão da proposta, apesar de já estar imersa.
"Achei uma coisa incrível, então eu ainda estou digerindo o tamanho dessa participação e também o tamanho que a Copa de 2027 vai tomar na minha vida. Imagino que eu vá viver muito a experiência”.
Sobre a emoção de estar à frente deste projeto e da força da representatividade feminina, a artista não escondeu o entusiasmo: "É muito especial, não só como artista e ilustradora, mas também como feminista, fazer parte de um momento desse. É um evento muito grande, em que você fala para o mundo inteiro".
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Significado e representatividade
"Fazer parte desse evento é como fazer um golaço na Fonte Nova cheia. É um momento de muita comoção, de muita grandiosidade, fazer parte com outras mulheres de um evento onde somos o centro", afirmou Aju.
A designer reafirma a importância da identidade e o sentimento de ser uma mulher baiana e preta, que contribui para o tom visual de um evento de tamanha magnitude.
Fazer parte desse evento é como fazer um golaço na Fonte Nova cheia.
“Eu acho que é uma coisa sem precedentes. A gente nunca passou por isso, de artistas estarem também fazendo parte de um momento que é de um esporte nacional. É muito inovador, é a criação de um espaço que ainda não existia", completou.

No senso comum, a arte e o futebol sempre foram ambientes de predominância masculina. No entanto, Aju reafirma: "a gente não pode baixar a guarda". "Não acho que 'validação' seja uma palavra adequada nesse momento. É mais um espaço conquistado. É um passo, mas não que isso signifique nenhuma guerra vencida. Isso é uma conquista, é um valor. É algo bonito, é algo importante, mas é apenas um passo".
Expectativa de aceitação do público
Com Salvador sendo uma das cidades-sedes da Copa do Mundo Feminina, a expectativa da artista é que a cidade esteja cheia e que os baianos abracem o evento da mesma forma que ocorre na Copa do Mundo masculina.
“Eu espero ruas com bandeirolas como tem na arte, espero a interação entre torcedores, a gente se divertindo com as pessoas nas arquibancadas, as fantasias, as coisas que os baianos vão dizer. Eu espero que os baianos participem muito, dando o tom do que a gente sabe que é irreverente", pontuou.
“Que lotem os estádios para poder ver as meninas jogando, e espero que todo mundo que venha para assistir participe dessa vibração coletiva. É isso que dizem as artes, é esse espelhamento que a gente espera ver".
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