RETROSPECTIVA
Mais um, Bahia: 95 anos do clube "nascido para vencer"
Por que o Bahia que chega a 2026 é diferente de todos os outros

Por Marina Branco

Há 95 anos, em 1º de janeiro de 1931, nascia um clube que já trazia no lema o motivo de sua criação: Nascido para vencer. Agora, quase um século depois, o Esquadrão vive um dos momentos mais simbólicos de sua história recente, se conectando com o Bahia que ganhou o Brasil no passado e construindo um futuro esperançoso.
Depois de muitos anos, o Bahia voltou a ser consolidado como potência regional, respeitado nacionalmente e, finalmente, mais uma vez desafiado a transformar crescimento em grandeza continental.
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A história de conquistas começou cedo. Logo no primeiro ano de vida, o Bahia foi campeão baiano, com um roteiro que parecia escrito. Um clube popular, identificado com Salvador e com a Bahia, que reunía arquibancadas cheias e times competitivos. Campeão de seu estado pela primeira vez.
Então, vieram os títulos estaduais em sequência, campanhas históricas e, sobretudo, 1959, o ano em que o Bahia entrou definitivamente para a história do futebol brasileiro. Campeão nacional diante do Santos de Pelé, no Maracanã, o Tricolor tornou-se o primeiro campeão brasileiro reconhecido pela CBF e, assim, o primeiro clube do país a disputar a Libertadores.

Trinta anos depois, em 1988, outra estrela, com o segundo Brasileirão conquistado com público recorde na Fonte Nova e um time que se consolidava cada vez mais no estado, na região e no país.
Quedas, dor e resistência
A história, no entanto, não é linear. Após 1988, o clube enfrentou seus anos mais difíceis. Vieram rebaixamentos, instabilidade política, dificuldades financeiras e também a perda de protagonismo, para um clube que deixou a primeira prateleira do futebol nacional.
Entre o fim dos anos 1990 e meados dos anos 2000, o Bahia viveu o fundo do poço, incluindo passagens pela Série C. Com os pontos corridos implementados no Campeonato Brasileiro e a fase ruim, o Tricolor não ocupava mais posto de possível campeão nacional, nem disputava mais a Libertadores da América na qual foi pioneiro.
Democracia, reconstrução e o caminho até a SAF
Mas a virada viria, e ela veio, começando fora de campo. Uma intervenção judicial abriu espaço para um processo democrático inédito, que reorganizou o clube institucionalmente.
A partir de 2017, o Bahia voltou a ter gestão responsável, controle financeiro e projetos estruturais, construindo o caminho que culminou no acesso em 2022, o reencontro com a Série A. O clube se encaminhava, então, para 2023, com a venda da SAF ao City Football Group.

A entrada do grupo internacional não significou apenas investimento. Representou estrutura, método, governança e visão de longo prazo, que levou o Bahia a competir em outro nível, inclusive no mercado da bola.
O Pioneiro voltou
Os primeiros passos da SAF exigiram paciência. Em 2023, o time escapou do rebaixamento apenas na última rodada, definindo seu futuro para o ano seguinte aos "45 do segundo tempo". O aprendizado, no entanto, foi rápido.
Sob o comando de Rogério Ceni, que chegou durante a fase SAF, o Bahia evoluiu. Vieram contratações de impacto, equilíbrio tático, amadurecimento competitivo e, em 2024, a tão esperada vaga na Libertadores depois de 36 anos longe.

Em 2025, o salto foi evidente. Campeão Baiano, campeão da Copa do Nordeste se consagrando pentacampeão e maior vencedor do torneio na história. Além disso, o clube assumiu a 7ª posição na tabela do Brasileirão, marcando a melhor campanha do clube na famosa era dos pontos corridos que, em 2003, havia sido problema para o Bahia.
Veio, então, a consolidação do retorno, com o Bahia classificado para a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Alcançando a maior média de público do século XXI, com 34.944 torcedores por jogo mesmo em uma Fonte Nova menor do que a antiga, o Bahia voltou a ganhar e convencer.
Financeiro
Esse crescimento também se reflete fora das quatro linhas. Em 2025, o Bahia superou R$ 400 milhões em receitas, alcançou mais de 76 mil sócios-torcedores, bateu recordes de vendas de atletas, ultrapassando R$ 250 milhões negociados e realizou ainda a maior venda da história do futebol nordestino.
Além disso, anunciou um novo Centro de Treinamento, com investimento superior a R$ 300 milhões, projetado para ser um dos maiores e mais modernos da América Latina, turbinado pelo apoio do Grupo City.

2026: menos compensações, mais cobrança
O aniversário de 95 anos chega, então, junto a um cenário mais exigente. Consolidado em competições da Conmebol, o Bahia deixa de jogar a Copa do Nordeste de acordo com a mudança de regras da CBF, e encara uma conjuntura apertada.
Equilibrando Campeonato Baiano, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Libertadores, o Bahia não tem mais como objetivo puro vencer o estadual ou o regional que nem joga mais. A régua subiu, e foi o próprio Bahia quem a elevou.

A expectativa agora é clara. Avançar na Libertadores, passar do fantasma das quartas de final na Copa do Brasil, brigar por G-4 e vaga direta à Liberta no Brasileirão e, enfim, transformar crescimento em conquista de peso.
O desafio é grande. A responsabilidade, maior ainda. Mas se há algo que a história ensinou é que o Bahia sabe atravessar tempestades, e reaparecer ainda mais forte, mesmo quase um século depois.
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