DECISÃO DO COI
Olimpíadas de Inverno devem mudar de data por derretimento de neve
Pela primeira vez em 60 anos, os Jogos Olímpicos de Inverno devem acontecer em janeiro

Os Jogos Olímpicos de Inverno começaram nesta quinta-feira, 5, e talvez pela última vez nesse período. O Comitê Olímpico Internacional vem estudando mudanças no calendário das Olimpíadas de Inverno nas próximas edições, essencialmente por problemas com a neve.
A principal ideia em debate é antecipar a realização do evento de fevereiro para janeiro, como resposta direta aos impactos das mudanças climáticas sobre a disponibilidade de neve e as condições ideais para as competições.
A discussão envolve também os Jogos Paralímpicos de Inverno, que tradicionalmente ocorrem algumas semanas após o encerramento das Olimpíadas. O COI avalia reposicionar os Jogos Paralímpicos para fevereiro, ao invés de março.
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Isso se dá porque no terceiro mês do ano as temperaturas são mais elevadas, os raios de sol incidem mais, e a neve derrete mais rapidamente.
A possibilidade foi confirmada por Karl Stoss, presidente do Grupo de Trabalho do Programa Olímpico do COI, que enxerga a antecipação do calendário como possivelmente necessária para preservar a qualidade técnica das provas.
"Estamos discutindo a hipótese de adiantar um pouco os Jogos Olímpicos de Inverno para janeiro. Isso tem efeito direto sobre os Jogos Paralímpicos, que atualmente acontecem em março, um período muito tardio, quando o sol já é forte o suficiente para comprometer a neve", afirmou.
"Talvez a solução seja realizar os Jogos Paralímpicos em fevereiro e os Jogos Olímpicos em janeiro", completou.
Histórico de datas
A última vez em que os Jogos Olímpicos de Inverno começaram em janeiro ocorreu há mais de seis décadas. A edição de Jogos Olímpicos de Inverno de Innsbruck 1964 teve início no dia 29 daquele mês, marcando um calendário bem diferente do modelo atual.

O debate ganha força em meio ao aumento global das temperaturas, que vem reduzindo a ocorrência de neve natural em diversas regiões tradicionalmente associadas aos esportes de inverno.
Além disso, a própria produção de neve artificial enfrenta limitações, já que depende de grandes volumes de água, recurso cada vez mais escasso em determinados locais por causa do aquecimento global.
Futuro das Olimpíadas de Inverno
A preocupação aumenta ainda mais ao observar um estudo interno do COI, que aponta que até 2040 apenas dez países deverão reunir condições climáticas e estruturais para sediar provas de esportes de neve em Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno.
O caso mais emblemático dessa transformação recente foi a edição de Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022. Pela primeira vez na história, o evento foi realizado praticamente sem neve natural.

Para viabilizar as competições, foram utilizados mais de 100 geradores e cerca de 300 canhões de neve artificial, operando de forma contínua para cobrir as pistas.
Diante desse contexto, a mudança no calendário passa a ser tratada não apenas como uma adaptação logística, mas como uma medida estratégica para garantir a viabilidade futura dos Jogos de Inverno.
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