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HERÓI DAS PISCINAS

Recordista paraolímpico celebra conquistas e pede mais visibilidade

Daniel Dias destaca o crescimento do esporte paraolímpico no Brasil e reforça a necessidade de mais apoio e espaço na mídia

Brenda Lua Ferreira *
Por Brenda Lua Ferreira *
Dono de 14 medalhas paraolímpicas de ouro, Daniel Dias é um dos maiores e mais representativos nomes do esporte brasileiro
Dono de 14 medalhas paraolímpicas de ouro, Daniel Dias é um dos maiores e mais representativos nomes do esporte brasileiro - Foto: Caio Menezes / Liga Esportiva NESCAU®️

Com reflexo na crescente quantidade de competições, maior destaque na mídia e resultados históricos em suas principais edições, o Brasil atualmente celebra uma transformação no esporte paraolímpico. Mas, apesar dos avanços, uma voz emblemática do movimento, o atleta Daniel Dias, alerta: ainda há um longo caminho a percorrer para que as Paraolimpíadas recebam a mesma atenção das Olimpíadas.

Em uma entrevista exclusiva ao portal A TARDE, durante a sua participação na 10ª edição da Liga Esportiva Nescau®, que aconteceu em Belo Horizonte (MG), no sábado, 7, Dias destacou o crescimento do esporte no país, mas reforçou que, para ampliar a visibilidade e garantir o reconhecimento de seus atletas, é preciso superar desafios históricos relacionados a patrocínio e espaço na mídia.

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"Não à toa, nos últimos Jogos Paraolímpicos, a gente ficou em quinto lugar no quadro de medalhas. Isso é uma grande conquista e o 'sarrafo só vai subindo', eu brinco. E agora essa molecada que está chegando pega uma grande responsabilidade, mas também uma bela estrutura. Tudo que a gente não tinha, hoje, se tem. Sem dúvida o crescimento vai continuar", pontuou.

Além disso, o atleta celebrou o crescimento de iniciativas para jovens na atualidade. "Se eu pensar que comecei lá em 2004, com 16 anos... eu até brinquei com o pessoal, 'pô, não tinha Liga Esportiva Nescau®' para eu começar mais cedo, para conhecer o esporte adaptado mais cedo. Não existiam tantas ações como as que vemos hoje.”

"Você tem um calendário. As associações, os clubes, conseguem se programar e os atletas conhecem o esporte mais cedo. [Por exemplo], hoje o maior evento paraolímpico escolar que acontece no mundo, e é no Brasil, é a Paraolimpíada Escolar. Isso tudo mostra o quanto o esporte foi crescendo, evoluindo", ponderou.

Paraolimpíadas x Olimpíadas

Apesar dos avanços, a diferença de visibilidade entre as competições ainda é evidente. Embora o crescimento do esporte paraolímpico seja inegável, principalmente no Brasil, as Paraolimpíadas continuam lutando por um espaço semelhante ao das Olimpíadas tradicionais na mídia, no patrocínio e na percepção do público.

Questionado sobre esta falta de espaço, Daniel apoiou. "Excelente pergunta e obrigado por perguntar isso. Porque quando eu falo também: 'nossa, quinto lugar', às vezes a pessoa está aqui nos acompanhando, está até lendo, está vendo, enfim, porque é legal, mas a gente está muito aquém de visibilidade ainda. Eu nunca quero comparações, mas eu sempre falo: é importante a conquista do espaço".

Vamos falar de performance? O quinto lugar no quadro de medalhas é algo incrível. A gente brinca 'medalha todo dia', até coloca hashtag com isso, mas ainda estamos muito aquém

Daniel Dias - nadador paralímpico brasileiro e recordista mundial

"Ao mesmo tempo, a gente tem que trabalhar para conquistar o espaço, e eu volto a falar: nunca é uma competição. Tanto as Olimpíadas como as Paraolimpíadas, estamos representando o Brasil e o intuito é o mesmo. Fomentar o esporte, trazer visibilidade e trazer patrocínios. Empresas, por favor, patrocinem, porque falando de negócio, vocês terão retorno. É um atleta como qualquer outro, saibam trabalhar e desenvolver isso para suas marcas. Estamos aquém do que podemos alcançar, mas estamos trabalhando para que isso aconteça”, defendeu o atleta.

Dono de 14 medalhas paraolímpicas de ouro (27 no total), recordista mundial nas provas de 100m e 200m nado peito, 100m costas e 200m borboleta e recordista pan-americano, com 24 medalhas de ouro, Daniel Dias é um dos maiores e mais representativos nomes do esporte brasileiro.

Sucesso da Liga

Iniciativas de marcas como Nescau®, já beneficiaram mais de 50 mil crianças em mais de duas mil instituições espalhadas pelo Brasil. Em 2025, a Liga Esportiva comemorou 10 anos e teve sua segunda edição na capital mineira, reunindo mais de 1.500 meninos e meninas entre 7 e 17 anos, um crescimento de 50% em relação ao ano passado, quando mil crianças e adolescentes aproveitaram o dia de esportes e aprendizado. Ao todo, a Liga, que é 100% gratuita, recebeu mais de 5 mil inscrições.

Criança deficiente visual conhecendo o atleta Daniel Dias pela primeira vez
Criança deficiente visual conhecendo o atleta Daniel Dias pela primeira vez - Foto: Marcio Xavier /Liga Esportiva NESCAU®️

A edição deste ano da Liga em BH contou com oito práticas esportivas, divididas entre modalidades, desafios e oficinas. Nas modalidades, as opções foram vôlei, futebol society, skate e peteca – esporte que é tradição da capital mineira. Nos desafios, as crianças tiveram a oportunidade de participar do circuito chute ao gol e do arremesso de três pontos, já nas oficinas, os esportes eram futmesa e twister. Todas as oficinas e desafios também contaram com versões adaptadas para jovens PCDs. 

"Sei da capacidade que o esporte tem como transformação de vida. O esporte mudou minha vida e eu sempre falo muito isso: não é pelas medalhas, é pelos valores que ele me ensina por tudo que o esporte traz de benefício. Se você falar que o esporte faz mal pra alguma coisa eu vou dizer: não existe isso. Então imagine uma liga como essa impactando mais de mil crianças, o quanto vc pode contribuir com essas mil crianças, se cada uma trazer trazer uma pessoa junto com ela", declarou o medalhista olímpico.

"Vejo nesses dez anos de Liga, o tanto que ela veio crescendo. Eu já estou há uns bons anos aí junto, acompanhando, e a gente vê o crescimento de tudo isso. E é bacana, porque você tem as modalidades coletivas, individual, mas aqui você tem a peteca, que fiquei sabendo que é forte aqui em Minas, e, ao mesmo tempo, acho que o principal é essa criança se movimentar, esse adolescente se movimentar e a gente tentar equilibrar a vida", afirmou o embaixador da Liga Esportiva Nescau®.

Viajar 700 km para andar de skate?

Skate e peteca foram o destaque deste ano. O esporte reuniu 147 skatistas, 20% a mais em relação ao ano passado. E, entre os atletas, encontramos facilmente histórias como as de Rubens Aguilar, pai de Arthur, skatista de 9 anos, que viajou 700 quilômetros de Brasília até Belo Horizonte para proporcionar ao filho a oportunidade de competir na Liga.

"É top. É muito, muito boa. Eu queria ter levado o Arthur no ano passado. Nós íamos em São Paulo, mas não tivemos oportunidade. Esta foi a nossa primeira vez e pretendemos ir em outras etapas”, prometeu o pai do garoto.

Arthur, 9 anos, conquistou o público com sua performance no skate
Arthur, 9 anos, conquistou o público com sua performance no skate - Foto: Doro Jr | ZDL sports

Etapa Salvador em Julho

Depois de Minas Gerais, a Liga Esportiva Nescau® desembarca na Bahia e recebe a atleta paraolímpica brasileira de lançamento de dardo, Raissa Machado, que já participou dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Além disso, ela é recordista mundial e embaixadora da marca. A etapa acontece no dia 5 de julho, no AABB, no bairro de Piatã, em Salvador.

As inscrições são gratuitas pelo site e contará com 9 modalidades esportivas em competição, desafios e oficinas. Entre as modalidades esportivas e adaptada estão, respectivamente: futebol Society, voleibol e judô; Oficinas: Foot Table, Twister e Altinha; Desafios: Chute ao Gol, Cornhole e Capoeira.

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Anamaria Monte, gerente de marketing do evento, revelou detalhes ao portal A TARDE sobre o evento: "Temos boas expectativas para Salvador. A gente tenta trazer sempre a partir de 10 modalidades para cada liga que a gente vai, justamente para promover a questão da experimentação mesmo do esporte. Com certeza a capoeira vai estar presente, porque a gente tenta trazer identidade regional, como aqui em BH tem uma peteca, como não levar a capoeira para Salvador?", projeta.

"A gente sempre tenta partir do que a gente teve de bons resultados do ano anterior, então todos os locais que a gente passa funcionam muito bem. Acho que nem tem como não funcionar bem, dado a filosofia e o formato que o evento acontece, mas no final do ano a gente faz uma ponderação sobre como a gente atinge mais crianças, como que a gente chega em mais locais, como é que a gente democratiza o acesso tanto em lugares, porque o nosso Brasil é muito grande, tanto em lugares quanto em regiões por performance. Então estamos com boas promessas para Salvador", finalizou Anamaria.

*Repórter viajou para Belo Horizonte à convite da Nestlé.

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