FÉ NO CAVALO
Time baiano conquista Regional Nordeste de flag football invicto
O Cavalaria 2 de Julho conquistou o primeiro título regional da história da equipe masculina


O Cavalaria 2 de Julho chegou a Fortaleza carregando uma convicção que havia sido construída desde a última colocação no Regional Nordeste de 2022. Daquela vez, o time não permitiria que o título escapasse - e cumpriu o que prometeu.
Depois de anos revendo erros, fortalecendo a comissão técnica, amadurecendo os atletas e trabalhando o aspecto mental da equipe, o representante baiano terminou a edição de 2026 como campeão invicto em uma campanha dominante, com cinco vitórias em cinco partidas.
Leia Também:
O Cavalaria marcou 152 pontos ao longo do torneio, sofreu 47 e venceu a decisão contra o Fortaleza Tritões, dono da casa e uma das principais referências da modalidade na região.
A campanha, além de conquistar o primeiro título regional da história da equipe masculina, garantiu uma nova participação na Superfinal, prevista para novembro, quando o Cavalaria enfrentará os campeões das outras regiões do país.

Campanha começou com goleada
O primeiro adversário foi o Fortaleza Tritões Academy, uma das equipes ligadas ao Fortaleza Tritões. Naquela partida, a Cavalaria venceu por 48 a 6, com domínio dos dois lados da bola. A defesa não ofereceu espaços ao adversário e criou situações favoráveis para que o ataque começasse as campanhas em boas posições do campo.
Emerson Vilares conseguiu um safety, enquanto jogadores como Felipe Ronaldo apareceram entre os destaques ofensivos. A eficiência do ataque esteve diretamente ligada ao trabalho defensivo, que recuperou posses, limitou o Academy e manteve o controle da partida.

Vitória sobre Ceará exigiu reação
No segundo compromisso, no entanto, o cenário foi diferente. O Ceará Sabres impôs intensidade desde o início e dificultou o jogo para o Cavalaria, que precisou se adaptar durante a partida.
Após um começo equilibrado, a qualidade do time baiano prevaleceu. O ataque encontrou os espaços e a defesa sustentou o ritmo necessário para construir a vitória por 33 a 13.
O resultado deixou o Cavalaria perto da liderança do grupo e experimentou o time sob pressão antes de impor o próprio jogo.
Campanha perfeita na fase de grupos
O último desafio da primeira fase foi diante do Teresina Warriors. Uma vitória garantiria ao Cavalaria a liderança da chave e a classificação com três triunfos em três partidas - e foi exatamente o que aconteceu.
A equipe confirmou o favoritismo, terminou a fase de grupos com campanha perfeita e avançou em primeiro lugar, em um resultado que colocou também o Sergipe Carcarás no caminho das quartas de final.

Quartas de final
O Cavalaria venceu o Sergipe Carcarás por 19 a 8 e avançou à semifinal. O ataque manteve o bom rendimento, a defesa voltou a apresentar consistência e a comissão técnica conseguiu rodar o elenco durante a partida.
A classificação também aproximou a equipe de uma revanche esperada desde a edição anterior. O próximo adversário seria o Recife Mariners, que havia deixado uma lembrança incômoda no caminho do Cavalaria.
Revanche coloca Cavalaria na final
Contra o Recife Mariners, em uma das partidas mais equilibradas da campanha, a Cavalaria precisou combinar o ataque com a consistência defensiva que acompanhou o time durante todo o Regional.
A vitória por 26 a 20 colocou a equipe baiana na decisão e, depois de três anos batendo na trave, o Cavalaria estava a um jogo do título inédito.
Do outro lado, aparecia o Fortaleza Tritões, time principal da organização que havia sido adversária na estreia por meio da equipe Academy. Além da qualidade técnica, o rival contava com o fator local e, claro, a experiência de quem já ocupava posição de destaque no flag football nordestino.

Título encerra espera iniciada em 2022
Na decisão, o Cavalaria confirmou a campanha invicta e conquistou o Regional Nordeste pela primeira vez. O título encerrou uma trajetória iniciada quatro anos antes, quando a equipe masculina disputou sua primeira competição regional e terminou na última posição.
Para o presidente Thiago Nascimento, o resultado foi consequência de um processo no qual a direção sempre teve clareza sobre onde pretendia chegar.
"Foi um processo em que tínhamos muito claro onde queríamos chegar. Em 2022, disputamos nosso primeiro campeonato de flag no masculino e ficamos em último lugar, mas, desde ali, sabíamos que queríamos o título. Todos os anos, fomos reparando as coisas que faziam com que a gente não conseguisse chegar lá", explicou.

Segundo o dirigente, o crescimento não aconteceu apenas dentro de campo: "Melhoramos o time, melhoramos nossa comissão, e os atletas foram comprando a ideia e entendendo o propósito. Então, foi um processo não apenas da diretoria ou da coordenação, mas do time como um todo, desde os atletas até a comissão".
"Incontestável"
Segundo Armando Chaves, técnico da equipe, a principal transformação ocorreu no aspecto mental. Para ele, o Cavalaria já havia apresentado qualidade em outros momentos, mas sofria para sustentar o desempenho em confrontos decisivos.
"Por incrível que pareça, o mental do time era uma coisa muito complicada. A gente sempre foi um time que vacilava nos confrontos. Então, a palavra deste ano foi ser incontestável: executar aquilo que a gente tinha proposto, de uma forma em que nem a arbitragem nem qualquer fator externo fosse capaz de parar a nossa execução", afirmou.
A proposta, assim, era construir um time capaz de se impor a partir de sua própria identidade. "Com o nosso estilo de jogo e com o nosso desenvolvimento, conseguimos ser aquilo que esperávamos", disse.
"Executamos bem, fomos bem no ataque e fomos bem na defesa. O amadurecimento da equipe como um todo, no nível do jogo, foi muito importante para conseguirmos o título inédito e de forma invicta", completou.

A campanha confirmou essa ideia, com a Cavalaria vencendo desde jogos de domínio amplo, como a estreia por 48 a 6, até confrontos mais disputados, como a semifinal por 26 a 20.
"Primeiro foi o último lugar em 2022. Depois, ficamos em terceiro, depois em quarto. Neste ano, voltamos para sermos campeões", relembrou.
"Por conhecer a capacidade do time, eu entendia o quanto precisávamos desenvolver essa equipe para ela se tornar campeã, principalmente na questão mental do jogo, tirando os egos e entendendo melhor a função de cada um. Isso culminou nesse título inédito, e agora vamos buscar a Superfinal", completou.
Família Cavalaria
Para quem vive a Cavalaria, então, o sentimento é de uma conquista alcançada a muitas mãos, como uma família que cresceu junta e segue buscando espaço no esporte e no Brasil.
"É extremamente gratificante estar à frente de um projeto de uma modalidade que ainda não é tão conhecida ou divulgada, mas que é feita por pessoas apaixonadas. Eu sempre digo que o Cavalaria não é apenas um time, é uma família", comentou Thiago.

O presidente destacou que, apesar do caráter amador da modalidade no país, os atletas seguem uma rotina próxima da encontrada no alto rendimento: "Você verifica isso no dia a dia, no engajamento e na seriedade que eles têm".
"Por mais que no Brasil seja um esporte amador, os atletas se comportam como profissionais. Alimentam-se bem, têm rotina de treino dentro e fora de campo e uma rotina de estudo do jogo", disse.
Felipe Ronaldo volta de lesão e faz 57 pontos
Uma das principais peças da conquista e exemplo desse comprometimento foi Felipe Ronaldo. O jogador de ataque foi responsável por 57 pontos do Cavalaria durante a competição e terminou o torneio com nove recepções para touchdown.
Além da importância coletiva, o desempenho teve um significado individual. Felipe voltou de uma lesão ligamentar no joelho e conseguiu fazer seu Regional mais produtivo desde que a equipe começou a disputar o torneio, em 2022.
"Foi uma emoção indescritível viver a conquista desse título. Estávamos atrás dele havia muito tempo. Batemos na trave em 2023, 2024 e 2025, e neste ano nos preparamos muito para o fim de semana", contou.

A preparação envolveu de dois a três treinos por semana, com atenção aos detalhes que poderiam tornar o time dominante. "Aprimoramos todos os detalhes para podermos ser dominantes em campo, e foi o que aconteceu em todos os jogos", disse.
"Foi um título incontestável pela campanha. Todos os atletas que viajaram jogaram em algum momento do campeonato, e nossas principais peças foram decisivas", opinou.
Felipe ressaltou que voltou ao campo tentando não transformar a superação pessoal em uma busca individual: "Como atleta, sempre busquei o topo. Para mim, foi muito especial porque eu estava voltando de uma lesão ligamentar no joelho e consegui ser importante".
"Inclusive, foi o Regional em que fiz mais pontos desde 2022. Mas minha mentalidade estava totalmente em jogar pelo time, sem ego ou individualidade", completou, reforçando o trabalho mental destacado por Armando.

Rumo à Superfinal
A conquista regional, no entanto, não encerra o planejamento. Em novembro, o Cavalaria disputará a Superfinal pela segunda vez, desde que estreou na disputa em 2024. Desta vez, porém, a Cavalaria chega com outro status - o de campeã do Nordeste.
Agora, o time tem quatro meses para se preparar para enfrentar os melhores times das demais regiões do Brasil. "Nosso objetivo é estar no topo do Brasil, ganhar o Campeonato Brasileiro e continuar sendo um projeto relevante no cenário nacional. Agora ganhamos o Nordeste e queremos continuar entre as principais equipes do Nordeste e do Brasil", disse Thiago.
Além do adulto masculino
Além do título, a Cavalaria também vem sonhando em crescer cada vez mais, com planos de ampliar a presença da modalidade na Bahia, conquistar novos praticantes e formar uma comunidade em torno do flag football.
"Nosso projeto não se resume apenas ao título. Queremos continuar disputando campeonatos, divulgando o esporte, fazendo novas pessoas conhecerem e praticarem e criando uma grande base de fãs em Salvador e em toda a Bahia", explicou Thiago.

"A ideia é apresentar às pessoas um novo esporte e fazer com que todos possam participar e ganhar títulos conosco, seja na modalidade masculina, feminina ou nas categorias de base, como o sub-15 e o sub-14, além de outros times que estamos organizando", afirmou.
Da última colocação ao topo do Nordeste
A trajetória do Cavalaria 2 de Julho pode ser medida pelos resultados - último lugar em 2022, campanhas de aproximação nos anos seguintes, classificação para a Superfinal em 2024 e título invicto em 2026.
Quem vive a Cavalaria, no entanto, sabe que o título não nasceu apenas no fim de semana em Fortaleza, mas foi construído durante anos.

"Há muitos anos, a gente vem tentando e trabalhando, e sabia que esse momento chegaria. Neste ano, já entramos no campeonato sabendo que conseguiríamos. Os atletas estavam muito confiantes, treinados e com muita coesão", disse o presidente.
"Quando se constrói da forma que o Cavalaria vem construindo ao longo dos anos, uma hora se chega lá. Esse é o nosso momento", completou. O Regional confirmou aquilo em que o time insistiu desde 2022 e, em 2026, a fé no cavalo venceu.

