ESPORTES
Time da Série B se prepara para vender SAF por R$ 400 milhões
Conselho votará criação da SAF e venda de 90% das ações do clube para a Kactus Capital


O Avaí pode estar prestes a viver uma das maiores transformações de sua história. O clube recebeu uma proposta da Kactus Capital para a futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF), movimento que será analisado pelo Conselho Deliberativo nos próximos dias e que pode redefinir o futuro financeiro e esportivo do Leão da Ilha.
O anúncio foi feito pelo presidente Bernardo Pessi durante entrevista coletiva realizada na Ressacada. A empresa interessada tem sede no Rio Grande do Norte e também atua em Londres.
Conselho votará criação da SAF e venda das ações
O tema da SAF não é novidade no Avaí. No ano passado, os sócios aprovaram em duas oportunidades a autorização para criação da sociedade. No entanto, as decisões acabaram anuladas na Justiça após questionamentos de associados sobre o quórum utilizado nas votações.
Após alterações no estatuto realizadas em 2025, o clube passou a exigir apenas maioria simples para futuras deliberações sobre o assunto. Com isso, o tema retorna oficialmente à pauta.
Uma reunião do Conselho Deliberativo está marcada para o próximo dia 30 de junho. O que chama atenção é que os conselheiros irão analisar, na mesma sessão, tanto a constituição da SAF quanto a proposta de venda de 90% das ações para a Kactus Capital.
Segundo Bernardo Pessi, o contrato já está disponível para consulta dos conselheiros.
Caso as propostas sejam aprovadas, os sócios do Avaí também serão convocados para deliberar sobre os mesmos temas. Somente após essas etapas a SAF poderá ser formalmente constituída e o contrato assinado.
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Momento financeiro aumenta pressão por uma solução
A proposta chega em um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube. O Avaí ainda convive com atrasos salariais, precisa cumprir obrigações previstas na recuperação judicial e terá pela frente discussões relacionadas à transação tributária.
Grande parte do passivo está concentrada em débitos fiscais junto aos governos municipal, estadual e federal. Atualmente, a dívida total supera a marca dos R$ 200 milhões.
Durante a coletiva, Pessi classificou a oferta como significativa e destacou que outras tratativas não avançaram. Segundo ele, a Sunday Ventures, ligada ao empresário Mike Melby, não apresentou uma proposta que atendesse às necessidades do clube.
Neste momento, a oferta da Kactus Capital é a única proposta formal apresentada à diretoria avaiana.
O que prevê a proposta
De acordo com as informações divulgadas pelo presidente do Avaí, a operação gira em torno de R$ 400 milhões pela aquisição de 90% da SAF.
O pacote inclui a assunção da dívida histórica do clube, estimada em aproximadamente R$ 290 milhões.
Dos cerca de R$ 110 milhões restantes, a proposta prevê:
- R$ 75 milhões destinados ao projeto esportivo;
- R$ 20 milhões para investimento nas categorias de base;
- R$ 5 milhões voltados para infraestrutura, centro de treinamento e estádio.
O documento também estabelece uma folha salarial para o futebol de aproximadamente R$ 2,5 milhões durante a disputa da Série B. Em caso de acesso à Série A, o valor passaria para R$ 7 milhões.

Participação do clube e garantias
Pelo modelo apresentado, o Avaí manteria participação no conselho de administração da SAF, ocupando um terço das cadeiras.
Além disso, o clube teria poder de veto sobre alterações relacionadas às cores, símbolos e hino, além de participação em eventuais negociações futuras da Kactus com novos investidores.
Outra previsão é a possibilidade de participação dos torcedores como investidores da SAF por meio da aquisição de ações.
Segundo Bernardo Pessi, a proposta não envolve o patrimônio do clube e a Kactus já possuía histórico de relacionamento financeiro com o Avaí.
O desafio começa depois da aprovação
Os números apresentados são considerados expressivos e têm potencial para enfrentar os principais problemas financeiros do clube, além de fortalecer o futebol dentro de campo.
No entanto, o sucesso da operação dependerá da forma como será conduzida a transição para o novo modelo de gestão.
Caso a negociação avance, o Avaí passará a conviver com uma realidade inédita: o futebol terá um controlador majoritário responsável por administrar o investimento realizado.
Por isso, especialistas e conselheiros devem concentrar atenção nas garantias previstas no contrato, especialmente em relação ao pagamento das dívidas e ao cumprimento dos investimentos prometidos.
Outro ponto que deve ser observado é a experiência da Kactus na administração direta de clubes. Embora possua ligação com operações financeiras envolvendo equipes no Brasil e no exterior, o Avaí será sua primeira experiência à frente da gestão de um departamento de futebol.
O desafio, portanto, vai além do aporte financeiro. A construção de uma estrutura capaz de transformar investimento em competitividade será determinante para o futuro da SAF avaiana.


