MERCADO IMOBILIÁRIO
Empreendimento baiano que une arte e NFTs vence prêmio nacional
Art Studio Open Spaces foi o único projeto da Bahia premiado no Master Imobiliário 2026


Um empreendimento de Salvador que transformou os espaços de circulação de um edifício em uma espécie de galeria de arte recebeu um dos principais reconhecimentos do mercado imobiliário brasileiro.
O Art Studio Open Spaces, localizado no Jardim Armação, foi premiado na 32ª edição do Prêmio Master Imobiliário. O projeto do Grupo André Guimarães foi o único empreendimento da Bahia entre os premiados deste ano.
A cerimônia aconteceu em 26 de agosto, no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo, diante de mais de 800 convidados entre empresários, profissionais, autoridades e representantes do setor.
O projeto concorreu com mais de 90 inscritos de diferentes regiões e segmentos do mercado imobiliário. A avaliação considerou critérios como inovação, desempenho, criatividade e relevância das iniciativas.
O Master Imobiliário ocorre em um momento de novos reconhecimentos para o Grupo André Guimarães. Antes da premiação nacional, o Nouvelle Blues recebeu o Prêmio ADEMI-BA 2026 na categoria Lançamento Imobiliário do Ano.
O que levou um empreendimento de Salvador ao prêmio?
O Art Studio Open Spaces foi concebido a partir da aproximação entre arte, arquitetura, tecnologia e moradia. Os dez pavimentos receberam identidades artísticas próprias, levando obras e referências de artistas para áreas de circulação e convivência do edifício.
A proposta foi apresentada pelo grupo como uma “Galeria de Arte para Morar”. Segundo Daniel Sande, CEO de Incorporação do Grupo André Guimarães, a combinação entre os elementos foi um dos aspectos que diferenciaram o projeto na avaliação.
“A concepção do produto em fazer o adquirente morar numa galeria de arte em que a gente tenha essa integração da arte com moradia com tanto volume, com tanta sintonia, fez com que o jurado entendesse que era uma proposta diferente”, afirmou.
O executivo também relacionou o projeto à divulgação de artistas locais. O empreendimento homenageou dez nomes, entre eles Bel Borba, Flávia K, Zivé, Sérgio Rabinovitz, Almandrade e Justino.
Como a arte foi incorporada ao empreendimento?
A presença da arte não começou com o Art Studio Open Spaces. De acordo com Sande, o grupo já utilizava obras nas áreas comuns de empreendimentos anteriores e desenvolveu projetos como a Mansão Tati Moreno e a Mansão Jorge Amado.
No caso do Art Studio, a proposta ganhou uma estrutura específica. Cada um dos dez pavimentos foi associado a um artista, e os compradores participaram de um sorteio para definir as unidades.
Segundo o CEO, a identificação dos compradores com os artistas acabou influenciando a escolha dos apartamentos. “Dependendo da afinidade que o cliente tinha com o artista, às vezes ele escolhia o andar em função do artista que estava sendo homenageado naquele andar”, contou.
Para Sande, a iniciativa também amplia a exposição dos artistas participantes. “Você está promovendo a arte também. Acaba sendo também uma contrapartida social, independente do porte do artista”, disse.

O que é o conceito Phygital usado no projeto?
Outra frente do empreendimento foi a combinação entre experiências físicas e digitais, apresentada pelo grupo como conceito Phygital. A palavra combina os termos “physical” e “digital” e, no projeto, aparece na relação entre o imóvel e recursos tecnológicos.
Cada comprador recebe um NFT exclusivo vinculado à unidade e registrado em blockchain. A tecnologia permite associar o ativo digital à experiência do empreendimento e à obra de arte.
Sande afirmou que a novidade inicialmente foi recebida por alguns compradores como um recurso adicional. Segundo ele, houve um período de adaptação para que os clientes compreendessem a proposta.
“No início, os clientes demoraram um pouco de entender, mas hoje eles têm noção do valor que isso tem”, afirmou. O executivo também relacionou os NFTs ao mercado de arte digital e destacou a possibilidade de rastreamento proporcionada pela tecnologia.
Quais soluções sustentáveis estão no empreendimento?
O projeto também incorporou recursos voltados à redução do consumo de água e energia. Entre eles estão placas solares, sistema de reuso de água e infraestrutura para veículos elétricos.
O empreendimento recebeu certificação IPTU Verde na classificação Ouro. Em Salvador, o programa possui categorias Bronze, Prata e Ouro, de acordo com as informações apresentadas pelo grupo.
Também foram incorporadas soluções tecnológicas voltadas à segurança e ao funcionamento do edifício, como fechaduras eletrônicas, biometria, reconhecimento facial, elevadores inteligentes e telão de LED no lobby.
Segundo Sande, o grupo estabeleceu como padrão buscar a classificação Ouro do IPTU Verde em seus empreendimentos.
“A gente usa hoje tudo que a gente pode para poder trazer um benefício para o cliente e, acaba que, para a sociedade [...] Todos os nossos empreendimentos precisam ser enquadrados na categoria IPTU Verde Ouro, que é a mais alta que tem”, afirmou.
O executivo citou ainda o impacto dessas soluções nos custos de operação. Entre os exemplos estão o uso de energia solar nas áreas comuns e o reaproveitamento da água para irrigação dos jardins.
Quanto o empreendimento movimentou?
Além dos aspectos de arquitetura, arte e tecnologia, o projeto apresentou desempenho comercial. Segundo os dados fornecidos pelo Grupo André Guimarães, o Art Studio Open Spaces alcançou R$ 157,5 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV).
O empreendimento chegou a 90% das unidades vendidas 13 meses após a entrega. Desde o lançamento, as unidades registraram, segundo a empresa, valorização de 48%.
O desempenho comercial foi um dos elementos considerados na apresentação do case ao Prêmio Master Imobiliário, ao lado das características de concepção e execução do projeto.
O prêmio muda a atuação do grupo fora da Bahia?
Para Daniel Sande, o reconhecimento amplia a visibilidade de uma empresa que já atua em diferentes mercados. O Grupo André Guimarães mantém projetos e atuação internacional em Portugal e nos Estados Unidos.
O executivo também relacionou o prêmio à presença de empresas nordestinas no cenário nacional. Segundo ele, o mercado da região tem desenvolvido produtos cada vez mais elaborados e enfrenta um ambiente de competição associado a um nível de renda menor que o de outras regiões.
“Eu acho que não só André Guimarães, como temos vários players da Bahia e do Nordeste que vão cada vez mais ter destaque [...] Está na hora de a gente começar a perceber mais a presença nacional de empresas fortes da nossa região”, disse.
O conceito será repetido em outros empreendimentos?
O Art Studio Open Spaces deixou de ser um projeto isolado dentro da estratégia do grupo. A experiência deu origem a uma linha de produtos baseada no mesmo conceito.

O segundo empreendimento é o Art Studio Tancredo, em desenvolvimento na Avenida Tancredo Neves, em Salvador. De acordo com Sande, o projeto foi lançado em janeiro.
O grupo também afirma estar projetando outros três empreendimentos da linha em Salvador, além de projetos em São Paulo e Portugal. A estratégia mencionada pelo executivo prevê ainda a expansão para outros mercados.
“Eu acho que esse produto vai dar muito o que falar”, afirmou Sande sobre a expansão da linha.