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Arrependimento da harmonização: a corrida de pacientes para reverter procedimentos

Saiba como a desarmonização pode suavizar os excessos

Pedro Resende

Por Pedro Resende

15/03/2026 - 2:34 h

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Relatos reais impulsionam a procura por desarmonização na Bahia
Relatos reais impulsionam a procura por desarmonização na Bahia -

“Muitas pessoas não sabem exatamente o que querem e, às vezes, nem reconhecem as próprias características faciais”. A frase da cirurgiã-dentista especialista em estética facial, Elisa Marchesini, ajuda a explicar um movimento que começa a ganhar força nos consultórios: a busca por desarmonização ou suavização de procedimentos estéticos feitos em excesso. Depois de anos em que a harmonização facial dominou as redes sociais, com lábios volumosos e contornos muito marcados, cresce o número de pessoas interessadas em recuperar a naturalidade do rosto.

Segundo a especialista, o fenômeno é uma reação ao período de popularização acelerada dos preenchedores. “Houve uma corrida muito grande para fazer aplicações e, muitas vezes, em quantidades exageradas”, explica.

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Embora nem todos os seus pacientes procurem reversão, Elisa diz que observa no mercado um movimento claro de revisão dos excessos. Hoje, muitos chegam ao consultório com outro objetivo: “Quero parecer que nasci assim”.

Nos últimos anos, a harmonização facial virou uma tendência de destaque nas redes sociais. O que explica essa mudança recente, em que muitas pessoas agora procuram reverter ou suavizar esses procedimentos?

Há alguns anos, quando houve o boom dos procedimentos minimamente invasivos, principalmente com os preenchedores, começou uma corrida muito grande para fazer as aplicações. A ideia era retirar os fatores que fazem a gente envelhecer. O ácido hialurônico, quando bem aplicado, causa um efeito muito interessante na face, porque ele dá estrutura. Só que, lá atrás, o que aconteceu foi quase como uma reprodução em massa dessas aplicações. Acabou se aplicando em grande quantidade na face, muitas vezes de forma exagerada.

Duas coisas importantes aconteceram neste período: primeiro, essa corrida dos profissionais para entrar nesse mercado. E, ao mesmo tempo, do outro lado, o cliente. O cliente é leigo no assunto, mas quer uma nova cara. O que eu via muito é que muitas pessoas não sabem exatamente o que querem e, algumas vezes, nem reconhecem suas próprias características faciais. Elas chegam querendo a boca ou o rosto de uma atriz famosa, por exemplo. A partir daí veio a padronização.

As pessoas precisam entender de análise facial e de proporções: como é o rosto de cada indivíduo, qual é a relação entre altura e largura da face... Houve um equívoco sobre o que é a harmonização facial durante um tempo. Há clientes que buscam uma espécie de mágica no rosto e, com esse excesso de aplicações, começam a aparecer muitos efeitos colaterais. Um exemplo são efeitos tardios de inchaço e edema na face, causados pelo próprio produto.

Você percebe, no consultório, um aumento real de pacientes querendo retirar ou reduzir preenchimentos e aplicações feitas anteriormente?

A procura pelo meu trabalho nunca foi de pessoas querendo mudanças drásticas. Eu atendia, sim, alguns casos de pacientes que já vinham com problemas, como aplicações feitas em excesso ou em lugares inadequados. Mas não posso dizer que vivi diretamente essa grande procura por reversões ou correções, porque eu atraía um público que já buscava algo mais natural.

Ainda assim, conversando com colegas e observando o mercado, vi muitos casos de pessoas com resultados deformados procurando reverter os procedimentos. O que eu percebo hoje é que muitos pacientes chegam justamente querendo resgatar a naturalidade do rosto. Eu gosto muito de uma frase que tenho estudado bastante ultimamente que é “qual é a história que o seu rosto conta?”. Isso tem tudo a ver com análise facial. Eu observo os traços da pessoa, avalio as proporções, entendo o que aquele rosto comunica. Depois, pergunto ao paciente o que ele quer comunicar.

Assim, a gente alinha o que de fato existe na face e o que a pessoa deseja. No fim das contas, o que vejo hoje é que as pessoas realmente querem naturalidade. Elas não querem parecer que fizeram algum procedimento. Pelo menos entre os meus pacientes, é praticamente unânime ouvir: "Quero parecer que nasci assim".

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A cirurgiã-dentista Elisa Marchesini
A cirurgiã-dentista Elisa Marchesini | Foto: Reprodução

Durante muito tempo, sinais de status estavam ligados a bens materiais como carros, joias ou roupas de luxo. Hoje parece haver uma espécie de “ostentação estética”, com procedimentos visíveis. Você concorda com essa leitura?

Concordo. A ostentação ainda acontece. As pessoas querem projetar poder, luxo, acesso a determinados bens e experiências. Isso aparece nos bens materiais, mas também acaba se refletindo no corpo todo, na roupa que a pessoa está usando, nas marcas de relógio, de tênis, de joias. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres. E, claro, isso também chega ao rosto.

Por isso, vemos tantas cirurgias estéticas, tantas lipoaspirações e procedimentos faciais. Existe uma busca por manter uma aparência que comunique status, riqueza, nobreza e embelezamento. No fim das contas, tudo isso está conectado. Ao mesmo tempo, um rosto bem cuidado, que respeita as proporções e está harmonizado naturalmente chama mais atenção. Ele atrai mais. Atrai beleza, atrai status, atrai olhares. Isso, por si só, não é algo ruim. O problema é quando a pessoa passa a acreditar que só isso importa, ou quando exagera nos procedimentos para tentar alcançar algum tipo de reconhecimento ou validação. A exposição constante nas redes sociais influenciou a forma como as pessoas se enxergam, encaram o próprio rosto e na busca de procedimentos estéticos.

Quando você grava um vídeo e posta nas redes, você se vê o tempo todo. E, ao se ver repetidamente, começa a reparar nos próprios defeitos. A partir daí, começa uma análise constante da própria imagem – e isso gera uma corrida por mudanças. As pessoas não sabem exatamente quem são. Elas até buscam identidade, mas não sabem qual é o caminho para chegar ao autoconhecimento. Por isso, muitas vezes chegam ao consultório querendo reproduzir o resultado de outra pessoa. Pode ser o rosto de uma modelo, de uma atriz ou até de alguém próximo. Não estou falando apenas de celebridades. Muitas vezes acontece dentro da própria família. A pessoa diz: “Minha irmã fez um procedimento e ficou ótimo nela, eu queria ficar assim também”.

Só que cada rosto é diferente. A anatomia é diferente, o formato é diferente, o processo de envelhecimento também é diferente. Então, não dá para simplesmente reproduzir o resultado de outra pessoa. Buscar naturalidade, querer ficar mais bonito ou se sentir melhor é algo muito positivo, mas também procuro fazer com que as minhas pacientes entendam a importância do autoconhecimento. A ideia é justamente ajudar cada pessoa a entender e valorizar as próprias características.

No caso da desarmonização, como funciona tecnicamente a reversão de preenchimentos com ácido hialurônico? Existem limites para o que pode ser revertido?

Existem dois tipos de substâncias muito utilizadas em procedimentos estéticos: o ácido hialurônico e o PMMA (polimetilmetacrilato). O PMMA é um produto definitivo. Quando aplicado na face ou no corpo, ele não possui reversibilidade. A única possibilidade de retirada é por meio de cirurgia, e mesmo assim trata-se de um procedimento complexo.

Já o ácido hialurônico funciona de maneira diferente. Ele é reversível e pode ser degradado com o uso de uma enzima chamada hialuronidase. Nesse processo, o profissional mapeia a região onde o produto foi aplicado e injeta a enzima para dissolver o ácido hialurônico. Dependendo da quantidade utilizada, podem ser necessárias uma, duas ou até três sessões para conseguir reverter o preenchimento. Ainda assim, quanto maior o número de procedimentos realizados ao longo do tempo, mais difícil pode ser alcançar uma reversão completa. Isso acontece porque aplicações muito volumosas podem modificar a própria estrutura do tecido.

O ácido hialurônico também estimula, de certa forma, a produção de colágeno na região, o que pode gerar uma mudança estrutural naquela área do rosto. Em condições normais, porém, o ácido hialurônico aplicado tende a ser reabsorvido pelo organismo ao longo do tempo. Em cerca de um ano – dependendo da quantidade e do metabolismo da pessoa – o produto já desapareceu naturalmente. Mesmo assim, o tecido ao redor pode ter sofrido alterações. Pode ocorrer formação de colágeno e uma certa estruturação da região, o que explica por que, em alguns casos, a reversão não é totalmente completa, mesmo quando o produto já foi degradado.

Em relação aos possíveis efeitos colaterais, a hialuronidase pode provocar reação alérgica em algumas pessoas. Quem tem alergia a picada de abelha, por exemplo, pode apresentar maior risco. Por isso, antes da aplicação, é feito um teste alérgico no antebraço. Em determinadas situações, também é possível prescrever medicação preventiva. Já tive uma paciente que precisava retirar um preenchimento no queixo e apresentava risco de reação alérgica. Nesse caso, prescrevi corticoide antes do procedimento para evitar complicações. Embora reações alérgicas possam acontecer, com esses cuidados o processo costuma ser realizado com segurança.

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Harmonização Facial

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