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"Energético natural": o segredo destes idosos para manter a saúde

Conheça histórias reais de idosos que dão um "banho" em muito jovem

Pedro Resende

Por Pedro Resende

22/02/2026 - 5:02 h

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Ana Graça Casais fala da rotina no esporte com muito orgulho
Ana Graça Casais fala da rotina no esporte com muito orgulho -

Aos 71 anos, a baiana Ana Graça Casais fala da rotina no esporte com muito orgulho. “Pratico exercícios físicos desde que me entendo como gente”, resume a dentista aposentada. Não é exagero: ela começou a se exercitar aos 18 anos e nunca mais parou. Para citar só alguns, ela já praticou boxe, corrida, canoagem e kettlebell, modalidade em que chegou a ser campeã. A rotina atual segue colocando qualquer novinho com inveja: de segunda à sexta, Ana pratica musculação, pilates e ainda faz aulas de dança.

A história de Ana Graça se repete, com diferentes nuances, na vida de outros idosos que encontraram no exercício físico mais do que uma ferramenta para manter o corpo ativo. Para eles, movimentar-se é também uma forma de preservar autonomia, vínculos sociais, disposição emocional e sentido para o dia a dia. Em um país que a população envelhece rapidamente, essas trajetórias ajudam a desmontar a ideia de que atividade física na velhice é exceção ou heroísmo. Para muitos, é simplesmente parte da vida.

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O baiano José Carlos Pinho, por exemplo, pratica atividade física há mais de 30 anos. Hoje, aos 76, mantém uma rotina que impressiona: musculação todos os dias, corrida três vezes por semana e caminhada em outros dois. “Faço tudo isso de forma prazerosa. Afinal, me sinto muito bem na atividade física".

Antes da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2022, ele corria até 15 quilômetros por treino, três vezes por semana. A pedido da família, reduziu o ritmo, mesmo sem apresentar sintomas de desgaste. “Acho que durante os exercícios são inúmeros os ganhos”, enumera. “Melhora a circulação sanguínea, aumenta a disposição sexual, diminui as medidas corporais, é um excelente meio para fazer novos amigos, enfim, me deixa muito mais feliz”.

Para a aposentada Sandra Bacelar, de 74 anos, o exercício funciona como um ritual de ativação diária. “Sabe quando você acorda de manhã e desperta depois do banho e do café? O exercício, para mim, é como se fosse isso”, descreve. Empresária, Sandra faz Crossfit de segunda a sexta-feira – e, quando pode, aos sábados também – além de musculação duas vezes por semana.

Ela começou a se exercitar por volta dos 40 anos, com natação e musculação. O Crossfit entrou mais tarde, perto dos 60, e virou paixão. “O dia que eu não malho, eu sinto falta", diz. "Quando faço exercício, é como se tivesse tomado um energético". O impacto não é apenas físico. “Mentalmente, me dá energia e eu me sinto pronta para fazer qualquer coisa no dia”.

Essa sensação de prontidão também aparece na fala de Vera Suassuna, que completa 80 anos em março. Pernambucana de nascimento, radicada em Salvador desde os anos 1970, ela começou a praticar exercícios ainda criança, entre os nove e 10 anos, no balé clássico, por orientação médica. Desde então, nunca mais parou. Ao longo da vida, passou por academias, musculação, hidroginástica, caminhada e, há 18 anos, mantém uma rotina consistente de pilates.

Hoje, Vera pratica o método de exercícios físicos três vezes por semana e, diariamente, dedica mais 30 minutos a exercícios específicos para mobilidade, flexibilidade e alívio de dores articulares, seguindo orientações de fisioterapia. Para ela, não houve um “antes e depois” da atividade física. Houve continuidade. “O que posso dizer é que não houve um momento de transição, mas uma preservação da saúde física e mental, da autonomia, da disposição para o cotidiano e do interesse pela vida", resume.

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Vera Suassuna começou a praticar exercícios ainda criança
Vera Suassuna começou a praticar exercícios ainda criança | Foto: Arquivo pessoal

Essa preservação tem efeitos que vão além do corpo. Segundo a psicóloga Renata Correia, o exercício físico é um dos pilares mais importantes no cuidado da saúde mental de idosos. Ela explica que, especialmente em um contexto em que quadros depressivos nessa faixa etária ainda são subdiagnosticados, a prática é fundamental. "Essa prática pode atuar tratando e prevenindo condições orgânicas e psicoemocionais que impactam na qualidade de vida e de relações nessa faixa etária”, explica.

Ela aponta que a depressão na velhice pode se manifestar de forma silenciosa, com perda de energia, isolamento social, oscilação de humor e abandono do autocuidado. “Praticar exercícios físicos amplia o repertório e os recursos de enfrentamento dessa sintomatologia”, afirma. Quando associado a acompanhamento médico, psicológico, tratamento farmacológico adequado e rede de apoio, o movimento pode mudar o curso da doença.

Na prática clínica, Renata observa diferenças claras entre idosos ativos e sedentários. Segundo a profissional baiana, os principais benefícios psicológicos são a sensação de bem-estar, a noção de autonomia preservada na relação com o corpo, uma visão mais otimista de si, a regulação emocional e a interação social.

O exercício, segundo ela, também ajuda a prevenir psicopatologias e a organizar a rotina. “Traz estabilidade, troca e funcionalidade, com impacto positivo no sono, no humor e na percepção de autocuidado”.

Coletivo

A socialização, aliás, aparece como um elemento central nas histórias. Sandra destaca o ambiente do Crossfit como um espaço de acolhimento. “Os professores me tratam com carinho”, conta. Vera relata que, entre pessoas da sua idade, o incentivo à atividade física é quase coletivo. “A grande maioria conhece os benefícios e se preocupa em incentivar umas às outras”, diz. Trocas de matérias, artigos e entrevistas circulam pelos celulares como forma de estímulo mútuo.

Ana Graça também percebe o exercício como herança familiar. Tem três filhos e três netos – todos praticantes de esportes e musculação. “Aqui, todo mundo se movimenta”, diz. Para José Carlos, o exercício é também um espaço de convivência. “É um excelente meio pra fazer novos amigos”, reforça.

Quando o assunto é começar tarde, a resposta é quase unânime. Vera é direta: “Nunca é tarde demais para começar alguma atividade que promete benefício", diz. "Não há um tempo limite. O fundamental é confiar e começar”. Sandra concorda, mesmo reconhecendo que iniciou depois. “Sempre dá para ajustar, adaptar e encontrar algo que faça sentido”.

Exercícios indicados para idosos*:

Imagem ilustrativa da imagem "Energético natural": o segredo destes idosos para manter a saúde
| Foto: José Simões | Ag. A TARDE
  • Caminhada: melhora o condicionamento cardiovascular e pode ser feita em grupo
  • Musculação: ajuda a preservar massa muscular, ossos e autonomia funcional
  • Pilates: trabalha equilíbrio, flexibilidade e consciência corporal
  • Hidroginástica: reduz impacto nas articulações
  • Dança: une movimento, memória, coordenação e socialização
  • Alongamentos diários: auxiliam na mobilidade e no alívio de dores

*Antes de iniciar qualquer atividade, é fundamental buscar orientação médica e profissional.

O que muda quando o corpo se move

  • Mais do que força ou resistência, as pessoas ouvidas nesta reportagem relatam transformações sutis e decisivas no dia a dia:
  • Rotina com sentido: O exercício organiza o tempo, cria compromisso e dá ritmo aos dias depois da aposentadoria.
  • Autonomia preservada: Manter o corpo ativo ajuda a continuar fazendo escolhas simples: andar sozinho, viajar, cuidar da própria casa.
  • Socialização espontânea: Academias, estúdios e grupos de treino viram espaços de convivência e novas amizades.
  • Energia emocional: A prática regular aparece como combustível para o humor, a disposição e a vontade de sair de casa.
  • Cuidado que se estende: Quem se exercita tende a cuidar mais da alimentação, do sono e da saúde como um todo.

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exercício físico idosos musculação

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