REINO UNIDO
Premiê Keir Starmer renuncia após pressão do próprio partido
Tensões com governo Trump aceleraram desgaste


O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou oficialmente na manhã desta segunda-feira, 22, a renúncia ao cargo, mergulhando o Reino Unido em uma nova fase de instabilidade política.
Menos de dois anos após conquistar uma vitória eleitoral acachapante com a promessa de encerrar o histórico de caos no governo, Starmer cedeu à forte pressão de seus correligionários e admitiu que o Partido Trabalhista busca uma nova liderança para o país.
Em um pronunciamento marcado pela emoção, com a voz embargada ao agradecer o apoio dos colegas, da esposa e dos filhos, o primeiro-ministro confirmou que o processo sucessório terá início no próximo dia 9 de julho.
O cronograma estabelecido prevê que o novo ocupante de Downing Street assuma o poder até o retorno do recesso parlamentar, em setembro.
"A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e a aceito de bom grado", declarou Starmer em seu discurso de despedida.
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Fator Burnham
A sustentação política de Starmer ruiu de forma definitiva ao longo do último fim de semana. O estopim da crise foi a vitória expressiva do principal rival interno, Andy Burnham, em uma eleição para uma cadeira parlamentar no noroeste da Inglaterra, ocorrida na sexta-feira, 19.
A dimensão do triunfo de Burnham — ex-prefeito e agora favorito indiscutível para assumir o governo — desencadeou um efeito dominó. Fontes de Downing Street relatam que Starmer passou o domingo, 21, avaliando o futuro após dezenas de parlamentares e ministros do próprio gabinete passarem a exigir, nos bastidores, que ele estabelecesse um cronograma definitivo de saída para dar lugar ao rival.
Desgaste com Washington
Além da implosão da base doméstica, Starmer enfrentava um severo isolamento na política externa. Nos últimos meses, a histórica "relação especial" entre Londres e Washington sofreu uma deterioração sem precedentes recente.
O governo britânico vinha adotando uma postura reticente em relação à guerra no Irã, recusando-se a dar um apoio enfático às investidas americanas.
O estopim do desentendimento com a Casa Branca foi a demora de Starmer em autorizar o uso de bases militares britânicas pelas forças dos EUA, o que provocou forte irritação no presidente americano, Donald Trump, e minou a credibilidade internacional do agora ex-primeiro-ministro.


