TRAGÉDIA
Andaimes de bambu e alarmes falhos aumentam mortes em Hong Kong
Enquanto o número de mortos chega a 128, bombeiros confirmam que alarmes de incêndio "não funcionaram" no complexo Wang Fuk Court

Por AFP e Redação

As autoridades de Hong Kong elevaram, nesta sexta-feira, 28, para 128 o número de mortos no complexo residencial Wang Fuk Court, no que já é considerado o pior incêndio no território em décadas. A tragédia, que começou na tarde de quarta-feira, 26, expôs graves falhas de segurança: além da presença de andaimes de bambu nos edifícios em obras, o chefe dos bombeiros confirmou que os alarmes de incêndio "não funcionaram de maneira correta".
O governo anunciou a detenção de oito pessoas ligadas à reforma e prometeu medidas coercitivas contra os responsáveis.
Em uma busca angustiante, os parentes de mais de 100 pessoas que continuam desaparecidas percorrem hospitais e centros de identificação de vítimas na esperança de encontrar seus familiares. O incêndio começou na tarde de quarta-feira, 26, nos tradicionais andaimes de bambu instalados nas torres em obras do conjunto residencial Wang Fuk Court, que tem mais de 1.800 apartamentos, no distrito de Tai Po, na zona norte do território.
Tragédia e falhas de segurança: pior incêndio em décadas
Após a queima de mais de 40 horas, o incêndio foi "praticamente extinto" na manhã desta sexta-feira, informou o departamento dos bombeiros, que anunciou o fim das operações de busca por sobreviventes. O secretário de Segurança da cidade, Chris Tang, informou em uma entrevista coletiva que apenas 39 das 128 pessoas foram identificadas.
Há ainda 79 feridos e mais de cem desaparecidos. Este foi o incêndio com o maior número de mortos em Hong Kong desde 1948, quando uma explosão seguida de um incêndio matou pelo menos 135 pessoas.
Durante a manhã desta sexta-feira, as equipes de emergência retiraram corpos dos escombros. Os corpos foram levados para um necrotério próximo, onde as famílias deverão identificar as vítimas.
Em um hospital de Sha Tin, uma mulher de 38 anos que se comprometeu apenas como Wong procurou desde a quinta-feira sua cunhada e a irmã gêmea desta, sem sucesso, chorando ao revelar que "ainda não as encontramos".
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Falha crucial: alarmes de incêndio não funcionaram
O chefe dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os alarmes contra incêndio dos edifícios afetados "não funcionaram de maneira correta" e disse que "medidas coercitivas" serão impostas contra os responsáveis.
Moradores do complexo afirmaram à AFP que não ouviram nenhuma sirene e que precisaram bater de porta em porta para alertar os vizinhos sobre o perigo. A falha no sistema de Alarme de Incêndio Falho Hong Kong é um dos focos centrais da investigação.

Andaimes de bambu e redes plásticas sob investigação
As autoridades investigam as causas da tragédia, incluindo a presença de Andaimes de Bambu Incêndio, altamente inflamáveis, e das redes de proteção de plástico que frequentemente envolvem os edifícios em reforma na cidade.
Os incêndios fatais já foram um problema frequente na densamente povoada de Hong Kong, mas a adoção de medidas de segurança prejudiciais ao número de incidentes.
Oito pessoas detidas por suspeita de corrupção e negligência
Uma comissão local anunciou nesta sexta-feira a detenção de oito pessoas por suspeita de corrupção relacionada à reforma dos edifícios de 31 andares. Entre os detidos estão dois mestres de obra, dois responsáveis pelo escritório encarregado da reforma, três terceirizados responsáveis pelo andaime e um intermediário.

Foco da investigação e inspeção governamental
O secretário de Segurança, Chris Tang, acrescentou que as investigações podem durar de três a quatro semanas. A polícia anunciou a detenção separada de três homens suspeitos de negligência depois que deixaram embalagens de espuma no local.
O Departamento de Trabalho informou que realizou 16 inspeções nas obras de manutenção no Tribunal Wang Fuk desde julho de 2024, a mais recente em 20 de novembro, e que emitiu "advertências".
O governo anunciou uma Inspeção Conjuntos Habitacionais urgente em todos os conjuntos habitacionais com obras importantes e examinará a substituição dos andaimes de bambu por andaimes de metal.
Medidas pós-tragédia e esforço comunitário
Também será criado um fundo de US$ 38,5 milhões (R$ 206 milhões) para ajudar as vítimas. As atividades relacionadas às eleições legislativas de 7 de dezembro em Hong Kong foram suspensas. Multidões abaladas pela tragédia se reuniram perto do complexo para organizar uma ajuda às vítimas.
Postos de distribuição de roupas, alimentos e artigos domésticos foram instalados em uma praça pública, assim como cabines que ofereciam atendimento médico e psicológico. Os posts receberam tantas doações que os organizadores anunciaram nas redes sociais que não era necessário enviar mais.
"É realmente comovente. O espírito dos habitantes de Hong Kong é que, quando alguém tem problemas, todos lhe oferecem apoio", afirmou Stone Ngai, um dos responsáveis por um desses pontos.
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