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Cidade autoriza moradores a matar meio milhão de corujas

Plano estabelece meta de eliminar meio milhão de animais

Redação
Por Redação
| Atualizada em
Cidade permite a caçada de mieo milhão de corujas
Cidade permite a caçada de mieo milhão de corujas - Foto: Reprodução | Freepik

O governo dos Estados Unidos colocou em debate um dos programas de controle de fauna mais ousados e polêmicos das últimas décadas. Em dezembro de 2023, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS) apresentou uma proposta que prevê o extermínio de mais de 500 mil corujas-barradas ao longo dos próximos 30 anos. A medida extrema tem um único objetivo: impedir o colapso definitivo da coruja-pintada-do-norte, espécie nativa do noroeste do Pacífico que enfrenta um declínio acelerado.

Originária da costa leste dos EUA, a coruja-barrada se espalhou pelo oeste do país desde meados dos anos 1950 e hoje domina vastos territórios, superando em abundância as espécies locais. Maior, mais agressiva e com dieta extremamente diversa, ela passou a competir diretamente com a coruja-pintada-do-norte, expulsando-a de seus ninhos, tomando território e até atacando indivíduos que se aproximam demais.

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Os números reforçam a urgência. Estimativas mostram que as populações nativas sofreram queda entre 35% e 80% nas últimas duas décadas. Em regiões onde não houve remoção da espécie invasora, estudos indicam redução de 12,1% ao ano, ritmo que levaria a população à metade em menos de seis anos.

Diante desse cenário, o FWS propõe iniciar o programa em 2025, com a eliminação de cerca de 20 mil corujas no primeiro ano. A partir daí, a quantidade de abates seria ajustada anualmente até atingir o total de 500 mil indivíduos dentro do prazo estipulado.

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Especialistas avaliam que a intervenção pode ser decisiva para dar fôlego à espécie nativa. Pesquisas anteriores mostraram que áreas onde a coruja-barrada foi removida apresentaram estabilização das populações de coruja-pintada, criando verdadeiras “zonas de refúgio” para recuperação.

Ainda assim, a proposta divide opiniões. Para Jared Hobbs, biólogo sênior, o abate é apenas um dos elementos necessários. Segundo ele, a proteção do habitat continua sendo o alicerce da recuperação, acompanhada do controle da espécie invasora e de programas de reprodução em cativeiro.

Já Bob Sallinger, diretor executivo da Bird Conservation Oregon, faz um alerta ético diante da complexidade da decisão. Para ele, é preciso avaliar se “vamos causar mais mal do que bem” ao recorrer ao abate de aves que, sob outras circunstâncias, seriam protegidas. Ele classifica o momento como uma situação “terrível e sem saída”.

Enquanto o debate avança, o FWS sustenta que sem medidas firmes a coruja-pintada-do-norte caminha para a extinção. O desafio é equilibrar ciência, conservação e ética diante de um conflito ambiental que não oferece soluções simples.

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