MEIO AMBIENTE
Cidade mais populosa do mundo está afundando e pode desaparecer
A região metropolitana abriga cerca de 42 milhões de pessoas

Por Leilane Teixeira

Uma das maiores concentrações urbanas do planeta enfrenta um cenário alarmante. Jacarta, capital da Indonésia, está literalmente afundando. O avanço do mar, aliado ao colapso do solo e à pressão populacional, transforma a metrópole em um dos exemplos mais extremos de crise ambiental urbana do século.
A região metropolitana abriga cerca de 42 milhões de pessoas, número que a coloca à frente de centros históricos como Tóquio e Daca, segundo dados das Nações Unidas. Esse crescimento acelerado, no entanto, ocorreu sobre um território frágil e pouco preparado para suportar tamanha carga.
Solo frágil, cidade pesada
Jacarta foi erguida sobre áreas alagadiças e sedimentos de rios, um tipo de terreno que se compacta facilmente. A situação se agrava porque a cidade é atravessada por 13 rios, tem relevo quase plano e está, em média, a poucos metros acima do nível do mar.
O resultado é visível: estudos indicam que partes da cidade afundaram até quatro metros nas últimas três décadas, especialmente na zona norte, onde áreas residenciais, comércios e instalações industriais já convivem com alagamentos constantes.
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Água que falta em cima, sobra embaixo
O sistema público de abastecimento não atende a maior parte da população. Diante disso, milhões de moradores recorrem a poços artesianos, muitos deles irregulares, para garantir água no dia a dia. Essa retirada contínua esvazia os reservatórios subterrâneos, fazendo com que o solo perca sustentação e afunde ainda mais rápido.
Especialistas alertam que a extração subterrânea atingiu níveis críticos. Mesmo com regras que limitam o uso de poços licenciados, a fiscalização é falha e o controle praticamente inexistente em áreas mais pobres.
Cidade impermeável e sem verde
Outro agravante é a urbanização extrema. O excesso de concreto impede a absorção da água da chuva e dificulta a recarga natural do solo. Atualmente, menos de 10% da área urbana conta com vegetação, fator que contribui diretamente para enchentes frequentes e degradação ambiental.
Em períodos de chuva intensa, evacuar casas se tornou parte da rotina de milhares de famílias.
Tentativas de conter o desastre
Para tentar barrar o avanço do mar, o governo iniciou a construção de uma extensa barreira costeira, mas o projeto avança lentamente e enfrenta críticas quanto à sua eficácia a longo prazo.
Um plano anterior, que previa uma gigantesca estrutura artificial na Baía de Jacarta, acabou abandonado. A complexidade técnica e os altos custos fizeram o governo rever a estratégia.
Como alternativa, a Indonésia decidiu transferir sua capital administrativa para Nusantara, na ilha de Bornéu. A nova cidade é apresentada como sustentável e planejada, mas o projeto gera resistência de povos indígenas, que denunciam riscos ambientais e perda de territórios tradicionais.
Caminhos possíveis
Especialistas defendem que soluções baseadas na natureza podem trazer resultados mais duradouros. A recuperação de manguezais, a desocupação de margens de rios e a ampliação de áreas verdes são apontadas como medidas essenciais para reduzir inundações e desacelerar o afundamento.
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