MUNDO
Conheça a comunidade onde homens adultos não podem entrar
Território feminino completa 50 anos focando em ecologia e autonomia

Por Isabela Cardoso

Em meio às florestas densas do estado do Oregon, nos Estados Unidos, um projeto de sociedade alternativa resiste ao tempo e às convenções sociais. A We’Moon Land, uma comunidade intencional exclusiva para mulheres, não é um mito urbano, mas uma realidade que completa mais de 50 anos de história.
Criada sob ideais feministas e ecológicos, a propriedade de 52 acres permanece como um reduto de autonomia e preservação ambiental.
Localizada a cerca de uma hora de Portland, a comunidade é um mosaico de florestas, prados e riachos. Lá, o modo de vida é pautado pela simplicidade: as moradias são rústicas e integradas à natureza, e o coração do terreno abriga uma casa comunitária circular, que simboliza a igualdade e a partilha entre as residentes.
Regras de convivência e o perfil das moradoras
Atualmente, a We’Moon Land abriga um grupo pequeno, variando entre seis e dez mulheres, muitas delas lésbicas, que dedicam suas vidas ao cultivo orgânico e à convivência coletiva. A política de acesso é clara e baseada em seus princípios fundadores:
- Quem pode morar: Mulheres que compartilham os valores de feminismo e ecologia.
- Quem pode visitar: Mulheres, meninas e meninos com menos de seis anos de idade.
- Identidade: O espaço define seu propósito para mulheres cisgênero (que nasceram mulheres), embora declare respeito às trajetórias de pessoas trans e não binárias em outros contextos.
Decisões por consenso e espiritualidade da Terra
Diferente de estruturas hierárquicas tradicionais, na We’Moon Land todas as decisões são tomadas por consenso. Isso exige práticas constantes de comunicação saudável e resolução pacífica de conflitos. Para as moradoras, o equilíbrio coletivo é tão importante quanto o cuidado com o solo.
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A espiritualidade também é um pilar central. A comunidade promove retiros, workshops e círculos espirituais focados no sagrado feminino e na conexão com a "Mãe Terra". Saberes ancestrais são valorizados como ferramentas de autoconhecimento e resistência cultural.
Continuidade e renovação
Apesar de ser um refúgio isolado, a comunidade não é fechada ao mundo. Mensalmente, são realizados eventos sociais e dias de trabalho coletivo abertos a visitantes (dentro dos critérios de gênero da casa). Periodicamente, o espaço abre vagas para novas residentes, garantindo que o legado iniciado em 1973 continue a florescer para as próximas gerações.
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