POLÍTICA
Escândalo Milei: Ex-diretor é acusado de propina e desvio em agência extinta
Justiça argentina bloqueia bens de 19 pessoas e aponta "organização criminosa" infiltrada na saúde

A Justiça da Argentina deu um passo decisivo nesta segunda-feira, 9, em um dos casos mais sensíveis envolvendo o entorno do presidente Javier Milei. O ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), Diego Spagnuolo, foi formalmente acusado de liderar uma organização criminosa dedicada à cobrança de propinas e desvio de recursos públicos.
A decisão do juiz federal atinge, ao todo, 19 pessoas, incluindo funcionários públicos e atores do setor privado de saúde. Além do processamento criminal, o magistrado determinou o bloqueio imediato dos bens de todos os envolvidos.
Esquema de corrupção na Andis
De acordo com os documentos judiciais aos quais a AFP teve acesso, a organização operou entre 2023 e 2025, focando em:
- Compras direcionadas: Favorecimento de empresas específicas em licitações.
- Superfaturamento: Pagamentos acima do valor de mercado para desviar a diferença.
- Propinas: Recebimento de valores ilícitos para liberação de pagamentos e contratos.
"Ficou provada a existência de uma organização criminosa integrada por funcionários públicos dentro da Andis e atores privados", afirmou o juiz na sentença, destacando que a prática não era um fato isolado.

Envolvimento de Karina Milei
O caso ganhou repercussão nacional em agosto, após o vazamento de áudios onde Spagnuolo mencionava que Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, receberia uma porcentagem sobre a compra de medicamentos.
Embora o ex-diretor tenha alegado que os áudios foram manipulados e o presidente tenha saído em sua defesa inicialmente, o Ministério Público prosseguiu com a acusação baseando-se em documentos apreendidos e depoimentos. No momento, Karina Milei não figura entre os acusados, mas o juiz ressaltou que a investigação continuará para apurar outros níveis de cumplicidade.
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Dissolução e ajuste fiscal
Em meio às denúncias de irregularidades, o governo Milei dissolveu a Andis em dezembro, transferindo suas funções para o Ministério da Saúde. Desde o início da gestão, o órgão passava por uma auditoria que detectou milhares de benefícios irregulares.
O escândalo explode em um momento tenso para o setor de saúde na Argentina. O governo enfrenta protestos constantes de pessoas com deficiência que exigem mais recursos e reclamam do severo ajuste orçamentário que tem dificultado o acesso a tratamentos e medicamentos essenciais.
FAQ: Entenda o caso de corrupção na Andis (Governo Milei)
1. Quem é o principal acusado no escândalo da Andis?
O principal acusado é Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência e antigo aliado próximo de Javier Milei. Ele é suspeito de liderar uma organização criminosa que operava dentro do órgão entre 2023 e 2025.
2. De quais crimes os envolvidos estão sendo acusados?
A Justiça argentina processou Spagnuolo e outras 18 pessoas por:
- Associação ilícita: Formação de quadrilha para cometer crimes.
- Fraude contra o Estado: Desvio de recursos públicos.
- Cobrança de propinas: Recebimento de valores ilegais em troca de contratos de medicamentos e serviços.
3. Qual o envolvimento de Karina Milei, irmã do presidente?
Karina Milei foi citada em áudios atribuídos a Spagnuolo, que sugeriam o recebimento de porcentagens em compras de medicamentos. No entanto, ela não está entre os acusados no processo atual. O juiz afirmou que os áudios não foram usados como prova principal, mas que a investigação segue para apurar "outros níveis de cumplicidade".
4. O que aconteceu com a Agência Nacional de Deficiência (Andis)?
O governo de Javier Milei dissolveu a Andis em dezembro de 2023, transferindo suas responsabilidades para o Ministério da Saúde. A extinção ocorreu após auditorias que detectaram beneficiários irregulares e as crescentes denúncias de corrupção interna.
5. Como o esquema funcionava na prática?
Segundo a decisão judicial, a organização utilizava compras direcionadas e superfaturamento. Funcionários públicos e atores do setor privado de saúde combinavam preços e selecionavam fornecedores específicos para garantir que parte do dinheiro público fosse desviado para o pagamento de propinas.
6. Os bens dos acusados foram bloqueados?
Sim. O juiz federal determinou o bloqueio imediato dos bens de todos os 19 processados para garantir que os valores desviados possam ser recuperados pelo Estado argentino caso sejam condenados.
7. Como isso afeta os beneficiários com deficiência na Argentina?
O caso ocorre em meio a um forte ajuste fiscal. Enquanto os recursos eram supostamente desviados, beneficiários reais têm enfrentado dificuldades para receber tratamentos e medicamentos, gerando protestos frequentes contra os cortes orçamentários do governo Milei.
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