MUNDO
Escassez de mecânicos leva Ford a pagar salários de até R$ 860 mil
Déficit de mão de obra especializada encarece reparos e dificulta a reposição de profissionais

Por Victoria Isabel

A escassez de mecânicos qualificados nas oficinas autorizadas da Ford, nos Estados Unidos, tem levado concessionárias a oferecer salários que podem chegar a cerca de US$ 160 mil por ano - aproximadamente R$ 860 mil - para reter profissionais capazes de realizar reparos complexos com rapidez acima da média.
Uma reportagem do The Wall Street Journal cita o caso de Ted Hummel, técnico especializado em transmissões que se tornou referência por executar trocas de câmbio em tempo recorde. Aos 39 anos, com o título de “Senior Master”, ele trabalha em uma concessionária em Ohio e domina procedimentos pesados, como a substituição completa de transmissões que pesam cerca de 140 quilos. No sistema de pagamento adotado por muitas oficinas, quanto mais rápido e preciso o serviço, maior a remuneração.
“flat rate”
O modelo conhecido como “flat rate” paga o técnico pelo tempo padrão estimado para cada tarefa, e não pelas horas reais trabalhadas. Na prática, profissionais muito experientes conseguem aumentar a renda, enquanto técnicos menos qualificados enfrentam instabilidade quando o volume de serviços cai ou as tarefas são mais complexas. Em 2025, Hummel teria faturado cerca de US$ 160 mil no ano.
Apesar dos altos ganhos no topo da carreira, o cenário geral é desigual. Segundo a reportagem, os custos de manutenção subiram 59% na última década, enquanto os salários médios dos técnicos cresceram 34%. O serviço ficou mais caro para o consumidor, sem aumento proporcional da renda média dos trabalhadores.
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A falta de mão de obra levou o CEO da Ford, Jim Farley, a afirmar que há cerca de 5 mil vagas abertas nas concessionárias da marca nos EUA. Ele destacou que alguns cargos podem pagar até US$ 120 mil por ano, mas exigem ao menos cinco anos de formação e prática.
Capacitação
Além do tempo, a formação é cara. De acordo com o jornal, Hummel investiu cerca de R$ 161 mil em capacitação e ainda precisa bancar ferramentas próprias, muitas adquiridas por financiamento. Alguns equipamentos específicos podem custar milhares de reais. Esse custo inicial acaba afastando novos profissionais.
O trabalho também cobra um preço físico. O esforço repetitivo com peças pesadas provoca lesões e encurta carreiras. Um colega citado na reportagem deixou a profissão após cirurgias na coluna, incapaz de manter o ritmo exigido.
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