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MURO RACIAL

EUA priorizam resgate de brancos da África do Sul e rejeitam refugiados

Governo de Donald Trump favorece afrikaners e suspende ajuda a haitianos e venezuelanos

Da Redação com AFP
Por Da Redação com AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump - Foto: AFP

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 30, uma redução histórica no número de refugiados que serão aceitos no país, com uma nova política que prioriza brancos sul-africanos, conhecidos como afrikaners. A decisão marca uma guinada na política humanitária americana e já provoca duras críticas dentro e fora do país.

De acordo com um memorando da Casa Branca, o governo do republicano Donald Trump fixou em 7.500 o número máximo de refugiados que poderão ser admitidos em 2026, o menor índice desde que o programa foi criado, em 1980. Durante o governo de Joe Biden, os EUA recebiam mais de 100 mil refugiados por ano.

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A maior parte das vagas, segundo o documento, será destinada a afrikaners da África do Sul, sob a justificativa de que o grupo sofre “discriminação injusta” em seu país de origem. O próprio Trump chegou a afirmar que os brancos sul-africanos enfrentam “genocídio”, acusação rejeitada pelo governo de Pretória e por observadores internacionais.

Críticas e reações internacionais

A decisão provocou indignação entre entidades de direitos humanos e especialistas em imigração.

O pesquisador Aaron Reichlin-Melnick, do Conselho Americano de Imigração, afirmou que o governo está “transformando um programa humanitário em via de imigração branca”.

Já Krish O’Mara Vignarajah, presidente da ONG Global Refuge, classificou a medida como um “retrocesso moral e diplomático”:

“Durante mais de quatro décadas, o programa de refugiados dos EUA tem sido um salva-vidas para famílias que fogem da guerra e da perseguição. Priorizar um único grupo é minar o propósito do programa".

Além do corte drástico, o governo Trump anunciou o fim do Status de Proteção Temporária (TPS), que beneficiava afegãos, haitianos, venezuelanos e cidadãos de outros países afetados por crises humanitárias.

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Contexto histórico e contradições

A medida reacende debates sobre racismo estrutural na política migratória americana. Os afrikaners, grupo descendente de colonos europeus, foram os principais arquitetos do regime do apartheid (1948–1994), que negava direitos à população negra sul-africana.

Hoje, os brancos representam apenas 7,3% da população da África do Sul, mas ainda detêm dois terços das terras agrícolas e possuem renda média três vezes superior à da população negra.

Especialistas afirmam que a decisão rompe com a tradição humanitária dos EUA e fortalece o discurso nacionalista e racializado que marcou o primeiro mandato de Trump.

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