MUNDO
Extrema-direita avança e Portugal vive eleição mais sensível desde 1976
Com 11 candidatos, eleição expõe fragmentação política

Por Bianca Carneiro

Portugal vai às urnas neste domingo, 18, para escolher o próximo presidente da República em um clima de tensão política raramente visto desde a redemocratização. A sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, acontece em meio a um cenário marcado por polarização extrema, fragmentação partidária e um contexto internacional instável, fatores que transformam a eleição em um verdadeiro teste de resistência da democracia portuguesa.
Com 11 candidaturas oficialmente validadas, o país registra o maior número de concorrentes desde 1976. A diversidade de perfis e a pulverização do eleitorado tornam improvável uma definição já no primeiro turno. As projeções apontam para um segundo turno em 8 de fevereiro, caso nenhum candidato ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos.
Apesar da validação oficial, os boletins de votação trarão 14 nomes. Três candidaturas (Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa) foram invalidadas por falhas na documentação, mas permaneceram nas cédulas por falta de tempo para reimpressão. Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), votos atribuídos a esses nomes serão considerados nulos.
A disputa tem dois protagonistas claros. De um lado, André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega!, que aparece bem posicionado nas sondagens, mas enfrenta altos índices de rejeição. Do outro, António José Seguro, do Partido Socialista, visto como favorito em um eventual confronto direto no segundo turno.
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Uma eleição imprevisível
A lista de candidatos reflete um sistema político em ebulição, reunindo nomes da política tradicional, militares, representantes da esquerda, liberais, figuras da cultura e candidatos independentes. Estão na corrida André Pestana, André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Henrique Gouveia e Melo, Humberto Correia, João Cotrim de Figueiredo, Jorge Pinto, Luís Marques Mendes e Manuel João Vieira.
O crescimento da extrema-direita, o avanço do ultraliberalismo e a concentração de poder da direita em diversas instâncias institucionais reacendem o debate sobre o papel do presidente como guardião da Constituição de 1976, do Estado de Direito democrático e das conquistas sociais do pós-25 de Abril.
Esta pode ser apenas a segunda vez desde 1986 que Portugal decide uma eleição presidencial em dois turnos, reforçando o caráter histórico do pleito, visto por muitos como um divisor de águas sobre o futuro político, social e institucional do país.
Quem vota
Estão aptos a votar 11.039.672 eleitores, número superior ao registrado na eleição de 2021. Cerca de 1,7 milhão vivem no exterior. O voto antecipado em mobilidade ocorreu em 11 de janeiro, enquanto o voto presencial no estrangeiro acontece entre os dias 17 e 18.
Segundo a CNE, podem votar cidadãos portugueses inscritos no recenseamento e também brasileiros residentes em Portugal com estatuto de igualdade de direitos políticos.
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