CLIMA
Incêndios matam bombeiros e onda de calor agrava crise na Europa
Países europeus enfrentam temperaturas acima de 40°C, seca e previsão de tempestades


A onda de calor que atinge a Europa continua provocando impactos severos em diversos países. Nesta terça-feira, 21, autoridades francesas confirmaram a morte de dois bombeiros durante o combate a um incêndio florestal no sudoeste do país, enquanto a Espanha segue mobilizada para controlar o maior foco de queimadas registrado neste ano.
Na França, o acidente aconteceu nas proximidades de um aeroporto na região de Gironda, uma das áreas que permanecem em alerta máximo para incêndios. O ministro do Interior, Laurent Nunez, confirmou as mortes e destacou que o país enfrenta uma temporada crítica de queimadas.
Há cerca de duas semanas, outro bombeiro também perdeu a vida durante uma operação na região alpina da Savoia.
Na Espanha, o incêndio que atinge a província de Guadalajara, no centro do país, permanece fora de controle pelo sexto dia consecutivo. As chamas já forçaram a retirada de mais de 1,2 mil moradores, enquanto equipes de emergência tentam conter o avanço do fogo em meio a temperaturas superiores a 40°C.
O episódio ocorre poucos dias após outro incêndio de grandes proporções atingir a província de Almería, no sul espanhol, deixando 13 mortos no que foi considerado um dos episódios mais graves das últimas décadas no país.
Calor extremo amplia riscos em vários países
A sequência de incêndios acontece em um cenário de temperaturas excepcionalmente elevadas em todo o continente. Considerada a região do planeta que mais aquece em consequência das mudanças climáticas, a Europa já enfrentou três ondas de calor somente neste ano.
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Além do aumento das queimadas, o calor intenso tem sido associado ao crescimento no número de mortes registradas durante os meses de maio e junho, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
Dados meteorológicos apontam que a temperatura média da Europa Ocidental alcançou 26,3°C nesta terça-feira, cerca de 2,7°C acima da média histórica observada entre 1961 e 1990.
Londres pode restringir uso de água
A seca prolongada também começa a afetar o abastecimento em diferentes regiões do continente.
No Reino Unido, a empresa responsável pelo sistema hídrico de Londres estuda impor restrições ao uso de água para mais de 10 milhões de moradores. Entre as medidas previstas estão a proibição do uso de mangueiras para irrigação de jardins, lavagem de veículos e outras atividades consideradas não essenciais.
Segundo dados oficiais, a Inglaterra registrou em julho apenas 3% do volume normal de chuvas para o período. Em partes do sul e do leste do país, não houve precipitação durante todo o mês, configurando o período mais longo de estiagem desde meados da década de 1990.
Balcãs enfrentam seca e previsão de tempestades
Enquanto países do sul da Europa enfrentam calor extremo, a previsão meteorológica indica uma mudança brusca nas condições climáticas em parte dos Bálcãs.
Na Grécia, autoridades orientaram a população a permanecer em locais fechados durante os horários de maior calor, com temperaturas próximas dos 40°C.
Já na Sérvia, o nível do rio Danúbio atingiu o menor patamar desde 1946, comprometendo a navegação e reduzindo a capacidade de transporte de cargas.
Ao mesmo tempo, serviços meteorológicos emitiram alertas para tempestades severas e queda de granizo em diversos países da região. Na Croácia, uma forte tempestade de granizo atingiu a cidade costeira de Rovinj e deixou pessoas com ferimentos leves, segundo autoridades locais.
Especialistas alertam que a combinação entre calor extremo, estiagem prolongada e mudanças bruscas no tempo tende a aumentar a frequência de eventos climáticos extremos durante o verão europeu.


