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Irã ataca bases dos EUA e tensão no Oriente Médio aumenta

Israel retoma bombardeios enquanto Teerã acusa EUA de romper acordo

Isabela Cardoso
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O Kuwait foi alvo de mísseis e drones "hostis", informou o exército do país em 28 de junho
O Kuwait foi alvo de mísseis e drones "hostis", informou o exército do país em 28 de junho - Foto: YASSER AL-ZAYYAT/AFP

O Oriente Médio voltou a registrar um aumento da tensão neste domingo, 28. O Irã afirmou ter realizado ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, em resposta às recentes ações americanas próximas ao Estreito de Hormuz.

Ao mesmo tempo, Israel retomou os bombardeios contra o sul do Líbano, poucos dias após a assinatura de um acordo que prometia uma "paz duradoura" entre os dois países.

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As movimentações elevam novamente o temor de uma escalada regional, em meio às negociações diplomáticas envolvendo Teerã, Washington e países aliados.

Irã afirma ter atingido bases militares dos EUA

Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica, o ataque teve como alvo oito instalações militares americanas localizadas no Kuwait e no Bahrein. A operação teria sido realizada com mísseis balísticos e drones, como forma de retaliar os recentes ataques dos Estados Unidos contra instalações iranianas nas cidades de Sirik e Qeshm.

A informação foi divulgada pela emissora estatal iraniana IRIB, que classificou a ofensiva como uma resposta direta às ações militares americanas na região.

EUA negam danos e afirmam que ataque foi neutralizado

A versão apresentada pelos Estados Unidos, no entanto, é diferente. De acordo com um oficial ouvido pela CNN, todos os drones e mísseis lançados pelo Irã foram interceptados, abatidos ou sequer alcançaram seus alvos.

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Segundo o governo americano, não houve vítimas, feridos nem danos às bases militares atingidas pela ofensiva iraniana.

Teerã acusa Washington de violar acordo sobre Hormuz

Além da resposta militar, o governo iraniano fez novas acusações contra os Estados Unidos.

Durante visita oficial a Bagdá, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Washington rompeu um entendimento firmado durante as negociações de cessar-fogo ao tentar criar uma rota marítima alternativa ao Estreito de Hormuz.

Segundo o chanceler, o artigo 5º do Memorando de Entendimento estabelece que cabe exclusivamente ao Irã coordenar e garantir a passagem de embarcações pela região estratégica. Na avaliação de Teerã, qualquer tentativa de operar um corredor marítimo sem autorização iraniana representa uma violação do acordo.

O Estreito de Hormuz é considerado uma das principais rotas comerciais do mundo para o transporte de petróleo, tornando qualquer instabilidade na região motivo de preocupação para os mercados internacionais.

Israel volta a bombardear o sul do Líbano

Enquanto o impasse entre Irã e Estados Unidos ganha novos capítulos, Israel voltou a realizar ataques no sul do Líbano.

Os bombardeios ocorreram apenas dois dias depois da assinatura de um acordo que tinha como objetivo estabelecer uma paz duradoura entre os dois países. Na véspera, disparos israelenses já haviam deixado ao menos uma pessoa morta, segundo o Ministério da Saúde libanês.

O Exército israelense afirma que suas operações têm como alvo integrantes do Hezbollah que atuariam próximos ao que o governo define como uma "zona segura". As Forças Armadas também informaram a morte de um soldado israelense durante os confrontos, elevando para 38 o número de militares mortos na campanha no território libanês.

Segundo Israel, o responsável pelo ataque foi identificado como um integrante do Hezbollah e morreu durante uma operação militar.

Conflito no Líbano continua apesar dos acordos

O Líbano passou a integrar diretamente o conflito regional no início de março, quando o Hezbollah lançou ataques contra Israel em apoio ao Irã após as ofensivas conduzidas por Estados Unidos e forças israelenses contra território iraniano.

Como resposta, Israel iniciou uma ampla campanha de bombardeios aéreos e operações terrestres no sul libanês. De acordo com autoridades do Líbano, mais de 4,2 mil pessoas morreram desde o início da ofensiva.

Embora uma trégua tenha sido anunciada em abril, o acordo nunca chegou a ser plenamente respeitado. Os confrontos diminuíram após a assinatura, em 17 de junho, de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, que incluiu uma exigência de Teerã para reduzir as hostilidades no território libanês.

Apesar da redução da intensidade dos combates nas últimas semanas, os novos ataques deste domingo mostram que a situação permanece instável e que os acordos firmados ainda enfrentam dificuldades para serem colocados em prática.

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