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Número de mortos após enchentes entre Nepal e Tibete passa de 540

558 continuam desaparecidas após as inundações no lado tibetano da fronteira

Edvaldo Sales
Por
558 pessoas continuam desaparecidas após as inundações no lado tibetano da fronteira
558 pessoas continuam desaparecidas após as inundações no lado tibetano da fronteira - Foto: AFP

A polícia do Nepal disse que o número de mortos nas enchentes que atingiram o país asiático na quarta-feira chegou a 538. No Tibete, foram registradas cinco mortes.

Segundo a imprensa estatal chinesa, as cinco mortes no Tibete aconteceram em consequência das inundações. As autoridades informaram que 558 pessoas estão desaparecidas atualmente na região.

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As equipes de busca recuperaram corpos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, que estão entre as áreas mais afetadas. Porém, a maior parte dos mortos foi localizada em Chitwan, por onde passa o rio Trishuli antes de desaguar no rio Seti Gandaki.

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Mais de 500 desaparecidos no Tibete

As autoridades informaram que cinco pessoas morreram e que 558 continuam desaparecidas após as inundações no lado tibetano da fronteira.

Um vídeo de vigilância gravado no lado chinês mostra o momento em que uma parede de lama e detritos avança sobre um edifício de vários andares e o engole, enquanto dezenas de pessoas correm para fugir. A enxurrada também arrastou ônibus e carros.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), devido à força da torrente, o episódio chegou a ser registrado como um “evento sísmico” de magnitude 5,2. O fenômeno teria sido provocado pelo desmoronamento de uma geleira.

No Nepal, a enxurrada atingiu o vale do rio Trishuli, no distrito de Nuwakot, ao norte de Katmandu, e o vale do Bhote Koshi, a leste da capital.

Turistas desaparecidos

O Escritório de Turismo revelou que vinte e quatro horas depois do desastre as autoridades do Nepal continuavam sem notícias de 823 pessoas, incluindo 517 turistas estrangeiros. Somando os dois países, a estimativa mais recente aponta cerca de 700 turistas desaparecidos.

Entre os estrangeiros não localizados estão:

  • 178 cidadãos da Índia
  • 65 dos Estados Unidos
  • 53 da Ucrânia
  • 51 da Malásia
  • 35 da Austrália
  • 33 do Reino Unido
  • 25 do Canadá.

A Espanha informou que quatro de seus cidadãos também não foram localizados.

No lado chinês, a imprensa estatal afirmou que o deslizamento de lama que atingiu o porto tibetano de Gyirong deixou 558 desaparecidos, entre eles 260 estrangeiros. As nacionalidades dessas pessoas não foram divulgadas.

Povoados destruídos

Os socorristas avançavam com dificuldade pela lama e pelos destroços nas áreas atingidas, onde os deslizamentos soterraram os andares inferiores de edifícios de vários pavimentos.

O diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, David Fisher, alertou para a dimensão da destruição.

“Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos”, afirmou Fisher.

Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda.

O Exército nepalês está realizando sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas ao rio, consideradas de risco, receberam ordens para deixar suas casas.

Medo de nova inundação

De acordo com especialistas, o desastre pode não ter terminado. Um bloqueio no curso de um rio entre Nepal e China pode provocar uma nova inundação.

“Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio que faz fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer”, explicou Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).

Eles ainda estão investigando a origem exata da enxurrada. Antes do desastre, especialistas haviam levantado a possibilidade de uma avalanche de gelo ter atingido o rio Lhende. O fenômeno teria aumentado o volume de água no sistema do Bhote Koshi e provocado a onda de lama e detritos.

Lama atingiu o Tibete

No lado chinês, a torrente atingiu o porto de Gyirong, uma área de comércio internacional na fronteira com o Nepal. Imagens de drones exibidas pela televisão estatal chinesa mostram edifícios soterrados por lama.

Uma mobilização de equipes e recursos para as buscas foi determinado pelo presidente chinês, Xi Jinping. “A tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas”, afirmou Xi, segundo a emissora chinesa.

O dalai-lama também se manifestou nesta quinta-feira e disse que reza pelas vítimas, além de pedir “medidas de ajuda adequadas”.

As chuvas de monções, entre junho e setembro, costumam provocar enchentes e deslizamentos em diversas partes do sul da Ásia. Conforme os cientistas, as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade desses fenômenos extremos na região.

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