
Por Redação e AFP
O presidente americano Donald Trump elevou o tom contra o Irã nesta quinta-feira, 8, ameaçando atingir o país "muito duramente" caso as autoridades locais continuem a reprimir violentamente os manifestantes. A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensão que já deixou pelo menos 21 mortos e se espalhou por 25 das 31 províncias iranianas.
O que começou como um protesto de comerciantes em Teerã contra a inflação e o colapso do rial (a moeda local), transformou-se em uma crise política internacional, colocando o governo americano em alerta máximo sobre o uso de força letal pelas forças de segurança iranianas.
"Bateremos muito duro", diz Trump
Durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt, Trump foi enfático ao alertar o governo iraniano sobre as consequências de uma repressão sangrenta. "Eu os fiz saber que, se começarem a matar gente, o que tendem a fazer durante seus distúrbios, os atingiremos muito duramente", declarou o republicano.
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Rastro de mortes e crise econômica
O cenário no país é crítico. De acordo com balanços da agência AFP e veículos de mídia locais, os distúrbios iniciados em 28 de dezembro já resultaram em:
- 21 mortes confirmadas, incluindo membros das forças de segurança.
- Protestos ativos em 25 das 31 províncias do país.
O gatilho para a revolta foi econômico. Comerciantes de Teerã organizaram as primeiras ações contra o custo de vida e o colapso do rial, a moeda nacional. A falta de perspectivas econômicas rapidamente transformou as queixas comerciais em uma onda de insatisfação popular que se espalhou pelas principais cidades do país.

Por que o Rial iraniano colapsou?
O Rial, moeda oficial do Irã, enfrenta uma desvalorização histórica que serve como combustível para a revolta popular. Três fatores principais explicam o caos financeiro:
- Inflação descontrolada: o aumento nos preços de alimentos básicos e combustíveis tornou o custo de vida insustentável para a classe média e comerciantes.
- Sanções econômicas: a pressão internacional limita a capacidade do Irã de exportar petróleo, sua principal fonte de renda, reduzindo a entrada de dólares no país.
- Isolamento bancário: a dificuldade de transações financeiras com o exterior afasta investidores e gera desconfiança no mercado interno, fazendo com que a população busque moedas estrangeiras para proteger suas economias.

O mundo em alerta após a fala de Trump
A ameaça de Donald Trump de "atingir duramente" o Irã não ecoou apenas em Teerã, mas gerou reações em capitais estratégicas:
- Nações Unidas (ONU): O Secretariado-Geral da ONU manifestou preocupação com a perda de vidas e pediu contenção de ambos os lados, enfatizando o direito ao protesto pacífico.
- União Europeia (UE): Diplomatas europeus mantêm uma postura cautelosa, condenando a violência, mas buscando evitar uma escalada militar que possa comprometer o acordo nuclear e a estabilidade do Oriente Médio.
- Teerã: O governo iraniano acusou Washington de ingerência em assuntos internos e de incitar o caos por meio de "guerra psicológica" nas redes sociais e na mídia internacional.
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