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ONU inclui Israel e Rússia em lista sobre violência sexual; entenda

Relatório cita denúncias de abusos em conflitos na Ucrânia e Gaza

Isabela Cardoso
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Relatório da ONU aponta abusos sexuais atribuídos a forças israelenses e russas
Relatório da ONU aponta abusos sexuais atribuídos a forças israelenses e russas - Foto: BASHAR TALEB / AFP

A Organização das Nações Unidas incluiu forças de segurança de Israel e da Rússia em sua lista anual sobre violência sexual relacionada a conflitos armados. A decisão consta em um relatório do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao qual a AFP teve acesso nesta quinta-feira, 28.

O documento reúne denúncias de abusos cometidos principalmente contra prisioneiros em territórios palestinos ocupados e durante a guerra na Ucrânia.

ONU aponta dificuldade de acesso às investigações

Segundo o relatório, tanto Israel quanto Rússia já haviam sido alertados em agosto do ano passado sobre a possibilidade de inclusão na lista. Apesar disso, as Nações Unidas afirmam que continuaram registrando episódios de violência sexual relacionados aos conflitos.

O texto também critica a “negação persistente de acesso” por parte das autoridades dos dois países, o que teria dificultado inspeções e investigações independentes.

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Relatório cita abusos contra palestinos

No caso israelense, a ONU afirma ter confirmado em 2025 diversos episódios de violência sexual ocorridos desde 2023 contra palestinos detidos em Israel e nos territórios ocupados.

As denúncias incluem tortura, estupros coletivos, estupro com objetos, agressões aos órgãos genitais, nudez forçada e revistas corporais consideradas sem justificativa de segurança.

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De acordo com o relatório, os casos verificados envolveram 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A ONU atribui os abusos a integrantes do exército israelense, forças de segurança e do sistema penitenciário do país.

Israel reage e rompe relação com gabinete de Guterres

Antes mesmo da divulgação oficial do relatório, Israel criticou duramente a decisão da ONU. O embaixador israelense nas Nações Unidas, Danny Danon, classificou a medida como “vergonhosa e absurda”.

Segundo ele, a inclusão colocaria Israel e o Hamas, que já integra a lista, em um mesmo patamar.

Danon afirmou ainda que Israel decidiu congelar as relações com o gabinete de António Guterres até o encerramento do mandato do secretário-geral, previsto para 31 de dezembro.

Rússia também é alvo de denúncias

No caso russo, o relatório aponta ocorrências de violência sexual em territórios ucranianos ocupados e também dentro da própria Rússia.

As denúncias incluem relatos de prisioneiros de guerra libertados que afirmaram ter sofrido estupros, mutilações genitais e choques elétricos durante detenções.

Com base em dados da missão de monitoramento de direitos humanos na Ucrânia, a ONU registrou 310 casos de violência sexual relacionados ao conflito, a maioria cometida contra homens.

O relatório deve ser encaminhado nos próximos dias aos integrantes do Conselho de Segurança da ONU.

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direitos humanos Onu VIOLÊNCIA SEXUAL

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