POLÍTICA INTERNACIONAL
Por que a Domino's foi a primeira a saber que Maduro seria capturado
Como uma rede de pizzarias consegue prever eventos geopolíticos mundiais

Por Marina Branco

A captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelos Estados Unidos, foi a primeira notícia a parar o mundo em 2026. No início do ano, quando ninguém achava que algo dessa magnitude aconteceria, a captura aconteceu - mas a Domino's Pizza já esperava por isso.
Isso não é novidade, é um padrão, e tão concreto que já existem até plataformas para medir e perceber essas previsões.
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Elas se baseiam em um fator muito simples: se o movimento em pizzarias perto do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, dispara fora do padrão, pode haver gente trabalhando madrugada adentro em agências de segurança dos Estados Unidos e, com isso, uma operação grande pode estar em andamento.
O fenômeno ficou conhecido como Pentagon Pizza Index ou Pentagon Pizza Theory, a "teoria da pizza do Pentágono". A lógica é simples - em noites de crise, equipes do governo e da defesa podem entrar em regime de plantão prolongado.
Com muita gente presa ao trabalho e muitas vezes sem poder sair, cresce a demanda por comida rápida e fácil de distribuir, como pizza. Assim, o volume de pedidos em pizzarias próximas gera picos incomuns de movimentação, passíveis de percepção internacional.
O índice não afirma qual crise é, nem por quê ela está acontecendo, mas aponta que algo saiu do normal e que, em breve, atualizações devem vir à tona.

Pizza na Guerra Fria
Esse índice e essas previsões são tudo menos novidade. O volume de pizzas do Pentágono mede grandes acontecimentos da humanidade desde os anos 1980/90, sendo monitorado frequentemente por décadas.
Um dos relatos mais memoráveis envolve Frank Meeks, franqueado da Domino’s na região, que teria notado padrões de alta demanda em noites que antecederam eventos internacionais relevantes.
Em primeiro de agosto de 1990, a CIA, principal serviço de inteligência estrangeira dos Estados Unidos, pediu 21 pizzas em uma só noite. No dia seguinte, em 2 de agosto, o Iraque invadiu o Kuwait.

Ao longo dos anos, a lista de exemplos aumentou cada vez mais. Em 1983, um pico de pizzas foi registrado, e logo após, veio a invasão de Granada. Em 1989, pico de pizzas, invasão do Panamá.
Em 1991, pico de pizzas, operação no Kuwait e ações na Guerra do Golfo. Em 1998, pedidos extremamente elevados de pizza em Washington - impeachment do presidente Bill Clinton e Operação Desert Fox no Iraque.
Em 1998, o Washington Post cita US$ 2.600 em pedidos em um período recorde de três dias em janeiro, no auge do caso Lewinsky.

Já compilações posteriores mencionam números maiores em outros momentos de 1998, como US$ 11.600 em pedidos em Capitol Hill, além de aumento em tipos específicos de pizza, durante o clima de crise política e tensão militar.
Monitoramento, Google Maps e horários de pico
Com a chegada da internet, tudo ficou mais palpável e passível de registro. Assim, surgiu a OSINT, Open Source Intelligence, ou "inteligência de fontes abertas", feita por pessoas que cruzam dados públicos conseguidos sem acesso privilegiado para tentar identificar padrões.
Isso significa que, em vez de depender do depoimento de um entregador ou de um gerente, hoje muitos observadores monitoram o Google Maps na seção Popular Times/horários de pico e sinalizações de movimento fora do normal.
Foi assim que contas como a Pentagon Pizza Report, no X, ganharam força, ao postarem capturas e leituras de movimentação em pizzarias e bares na região, como uma espécie de "termômetro" informal de noites atípicas.

Tudo isso culminou na criação de um "site oficial", o PizzINT. O painel se vende como rastreador em tempo real do índice, descrevendo o Pentagon Pizza Index como um dashboard que monitora a popularidade de pizzarias perto do Pentágono e um "indicador de tensões militares em tempo real".
Para isso, o sistema usa dados do Google Maps no Popular Times, tráfego em tempo real, detecção de "spikes" (picos fora do padrão) e até níveis de alerta no estilo DEFCON, o Defense Readiness Condition, sistema de níveis de alerta das Forças Armadas dos EUA.
Vale ressaltar que o próprio projeto faz questão de ressaltar que não se trata de uma inteligência oficial, mas sim uma plataforma de "entretenimento" que não se propõe a informar acerca de decisões sérias ou financeiras.

Por que o índice acendeu para Maduro?
Foi exatamente tudo isso que aconteceu com a captura de Nicolás Maduro. Horas antes da informação chegar com força à imprensa, foi registrado um pico de movimentação em pizzarias na região do Pentágono, acompanhado por alertas de vigilância aumentada com 182% de aumento nas pizzas.
Na madrugada em que os EUA anunciaram uma operação envolvendo Maduro, um monitoramento em tempo real associado à lógica do índice da pizza registrou picos acima do normal em pizzarias específicas, enquanto bares apareciam abaixo do normal, com alertas publicados ao longo da madrugada.

É possível, claro, que esses índices gerem falsos positivos, com movimentações relacionadas a jogos, eventos, feriados ou promoções na região, até porque não se registra quando o índice "erra", apenas quando ele acerta.
Além disso, o Pentágono tem opções internas de alimentação e logística que não dependem de uma Domino’s na esquina, o que pode blindar a previsão.
No entanto, desta vez, o índice apitou, a Domino's se movimentou, e o sensor banal da pizza notou uma operação que alterou o cenário político mundial com base em mudanças de rotina.
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