PREOCUPANTE
Primeira infecção humana por vírus comum em gado é registrada no mundo
Paciente que foi infectado recebia tratamento para uma doença grave


O primeiro caso humano registrado de infecção pelo vírus Shamonda, até então identificado apenas em animais, foi anunciado por autoridades da França.
O comunicado foi divulgado nesta quarta-feira, 21, pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (ECDC, sigla em inglês), agência da União Europeia.
O paciente que foi infectado recebia tratamento para uma doença grave, que aumentava sua vulnerabilidade a infecções e complicações, e morreu no início de outubro.
Ainda está em investigação se o vírus causou ou contribuiu para a morte, além de como ocorreu a infecção.
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O que é o vírus Shamonda?
O vírus Shamonda é um Orthobunyavirus (ortobunhavírus) transmitido por insetos, especialmente mosquitos e pequenos mosquitos-pólvora (midges). Ele afeta principalmente bovinos, mas já foi detectado também em ovelhas, cabras, alpacas e cavalos em países europeus.
O patógeno foi identificado pela primeira vez em meados da década de 1960 na Nigéria e circulou por décadas em animais na África e no Japão. Autoridades agrícolas francesas disseram que o vírus só apareceu na Europa neste verão, com registros em diferentes países ao longo de 2026.
O Shamonda pertence ao mesmo grupo do vírus Schmallenberg (SBV), associado a problemas reprodutivos em rebanhos. Autoridades britânicas relataram a detecção do Shamonda em gado na ilha de Jersey durante o verão.

Os sintomas e impacto em animais
Em bovinos adultos, a infecção pode provocar febre súbita, diarreia, apatia e queda na produção de leite. Um estudo em nove fazendas leiteiras francesas apontou redução de até 75% na produção nos rebanhos afetados.
Além disso, abortos em vacas infectadas também foram documentados, e há preocupação com efeitos na gestação. As autoridades britânicas alertam que a infecção durante a gravidez pode estar associada a malformações congênitas, em quadro semelhante ao observado com o Schmallenberg.
Até o momento, o vírus não era considerado fatal para bovinos, e não há vacina comercial disponível. “Investigações clínicas, biológicas e epidemiológicas ainda estão em andamento”, disse o Departamento de Agricultura, ao jornal britânico The Independent.


