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Solo de Marte atua como "escudo" contra contaminação da Terra

Experimentos revelam que composição química do planeta inibe até organismos mais resistentes

Rodrigo Tardio
Por
Cientistas trabalharam com dois tipos de solo artificial
Cientistas trabalharam com dois tipos de solo artificial - Foto: Reprodução | Google

Uma descoberta recente de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State) pode oferecer um alívio inesperado para as agências espaciais preocupadas com a "contaminação de ida" em missões interplanetárias.

Estudos realizados com simuladores do solo marciano indicam que o Planeta Vermelho possui uma espécie de "defesa natural" química capaz de paralisar microrganismos vindos da Terra.

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O paradoxo identificado pela equipe liderada pela microbiologista Corien Bakermans é revelador: as mesmas propriedades do regolito — a camada de poeira e rocha que cobre Marte — que o tornam hostil à vida como a conhecemos, servem também como uma barreira sanitária.

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Isso reduziria drasticamente o risco de organismos terrestres "pegarem carona" em sondas e colonizarem o solo vizinho, o que comprometeria futuras buscas por vida nativa.

Teste dos "invencíveis"

Para levar o experimento ao limite, a equipe utilizou tardígrados, animais microscópicos conhecidos como "ursos-d’água". Esses organismos são célebres pela capacidade de sobreviver ao vácuo do espaço, a radiação extrema e a temperaturas próximas ao zero absoluto.

Contudo, ao serem expostos ao simulador MGS-1 (desenvolvido com base em medições reais do robô Curiosity na cratera Gale), a resistência dos tardígrados falhou.

Em apenas 48 horas, a maioria dos espécimes apresentou sinais severos de estresse e entrou em estado de dormência profunda (criptobiose), uma tentativa desesperada de sobrevivência diante da toxicidade do meio.

Precisão mineralógica

Os cientistas trabalharam com dois tipos de solo artificial. Além do MGS-1, que representa a composição global típica de Marte, foi utilizado o OUCM-1, que imita o material da região de Rocknest.

Os resultados apontam que a reatividade química desses solos é um fator determinante para a inibição biológica.

A descoberta reforça os protocolos de proteção planetária, mas também impõe novos desafios. Se o solo é capaz de repelir invasores terrestres, o cultivo de alimentos em futuras colônias humanas vai exigir tratamentos complexos para neutralizar a "defesa" natural do regolito.

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Tags

Contaminação Planetária Marte Microbiologia Espacial Pesquisas Interplanetárias Regolito Marciano Tardígrados

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