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Super El Niño pode causar mais de 800 mil mortes

Brasil aparece entre os países mais afetados

Edvaldo Sales
Por
Calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano
Calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano - Foto: AFP

O Super El Niño pode provocar cerca de 857,4 mil mortes adicionais relacionadas ao calor em todo o mundo até março, segundo uma projeção do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, publicada pelo site The Independent.

O Brasil aparece entre os países mais afetados, com uma estimativa de 26,7 mil óbitos adicionais no período, dos quais 19,5 mil poderiam ocorrer nos próximos seis meses.

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O monitor El Niño Heat Mortality Tracker, desenvolvido por pesquisadores da instituição americana, indica que o calor extremo já teria provocado 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro deste ano.

A previsão é de mais 372,9 mil óbitos até março, em um intervalo de dez meses.

Entre os países com as maiores estimativas para todo o período estão:

  • Índia, com 160 mil mortes adicionais;
  • China, com 85,4 mil;
  • Nigéria, com 69,7 mil.

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De acordo com a projeção, a Nigéria deve concentrar o maior número de mortes nos próximos seis meses, com 56,1 mil, seguida pela Índia, com 55,2 mil.

A Indonésia também aparece entre os países sob maior risco, com previsão de 29,3 mil mortes adicionais no próximo semestre.

Somadas, as estimativas para China, Índia e Nigéria representam mais de um terço do total projetado para o mundo.

Países com as maiores previsões de número de mortes (junho a março):

  • Índia: 160 mil (incluindo 55.200 nos próximos seis meses)
  • China: 85.400 (incluindo -240 nos próximos seis meses)
  • Nigéria: 69.700 (incluindo 56.100 nos próximos seis meses)
  • Sudão: 53.200 (incluindo 14.700 nos próximos seis meses)
  • Indonésia: 49.500 (incluindo 29.300 nos próximos seis meses)
  • Brasil: 26.700 (incluindo 19.500 nos próximos seis meses)
  • República Democrática do Congo: 24.700 (incluindo 11.300 nos próximos seis meses)
  • Bangladesh: 18.400 (incluindo 6.700 nos próximos seis meses)
  • Vietnã: 18.100 (incluindo 8.300 nos próximos seis meses)
  • Chade: 17 mil (incluindo 17.300 nos próximos seis meses)

Como o El Niño afeta o clima

O fenômeno climático ocorre quando a temperatura média da superfície do mar na região central e tropical do Oceano Pacífico fica significativamente acima da média histórica.

Segundo a definição apresentada no estudo, o fenômeno é caracterizado por uma elevação de 2°C ou mais.

Os efeitos variam conforme a região. O fenômeno pode favorecer condições mais úmidas e tempestades em partes dos Estados Unidos, da América do Sul e da Europa, enquanto áreas como Austrália, Indonésia e Sul da Ásia podem enfrentar períodos prolongados de estiagem e secas severas.

Na Indonésia, incêndios florestais intensificados por condições associadas ao El Niño podem piorar a qualidade do ar e elevar os problemas respiratórios.

O aquecimento das águas do Pacífico também contribui para a liberação de calor do oceano para a atmosfera, elevando as temperaturas globais.

Previsões foram revisadas após ondas de calor

A estimativa de mortes aumentou em relação a um relatório divulgado em setembro de 2026. Conforme o Climate Impact Lab, as temperaturas de agosto e setembro ficaram acima do previsto.

O laboratório informou que agosto foi o mais quente já registrado para o mês, enquanto setembro foi o segundo mais quente.

As projeções consideram o número de mortes adicionais em comparação com a média do período de referência de 1996 a 2005. Devido a isso, alguns países podem apresentar valores negativos, indicando uma estimativa de mortes abaixo daquela registrada na linha de base.

Mudanças climáticas podem intensificar o El Niño

Embora o El Niño influencie as condições meteorológicas em diferentes partes do planeta, especialistas destacam que as temperaturas recordes registradas recentemente também estão relacionadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global.

Os episódios de El Niño ocorrem de forma irregular, geralmente a cada dois a sete anos. Os chamados Super El Niños, considerados mais intensos, são menos frequentes, com intervalos estimados de dez a 15 anos.

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